quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

BALANÇO 2009:

Chegámos ao fim do ano, o penúltimo desta terível década no novo milénio. Aqui ficam os melhores e os piores.

Melhor Álbum: Crack the Skye, Mastodon

Melhor faixa: Count of Tuscany, Dream Theater


Pior Álbum: Scream de Chris Cornell

Melhor Álbum Nacional: Hemisférios dos Dazkarieh / Femina de Legendary Tiger Man

Melhor Concerto: Tributo a João Aguadela - Gaiteiros de Lisboa, Oquestrada, Dead Combo e A Naifa

Melhor Álbum ao Vivo: Ao vivo no hot Clube dos Dead Combo

Melhor DVD: The Roundhouse Tapes, Opeth

Melhor Banda Revelação: Them Crooked Vultures

Pior Banda Revelação: The Dead Weather

Melhor Revelação Pessoal: Opeth

Pior Revelação Pessoal: Chris Cornell

Melhor Regresso: Alice In Chains e Transatlantic

Pior Regresso: Kiss

Melhor Despedida: Delfins, bem agauardado o foi.

Melhor evento político: Tomada de posse de Barack Obama para Presidente dos Estados Unidos

Melhor Livro: As Andanças de Cândido de Miguel Nogueira de Brito

Melhor filme: CHE - Partes 1 e 2 de Steven Soderberg

Melhor Série de TV Dramática: Mad Men

Melhor Série de TV Cómica: Gato Fedorento: Esmiuça os Sufrágios

Melhor Série de Animação: Os Simpsons

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

THE BEATLES - MERRY CHRISTMAS

Um Feliz e Santo natal para todo com muitas prendas no sapatinho , sobretudo com saúde e paz, um Natal decente porquer infelizmente me tiraram o meu. São estes os votos de insignifacâncias reveladas.

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

STRATOVARIUS - POLARIS (2009, VICTOR/EARMUSIC)


Nas minhas andaças pela busca da melhor banda do mundo, e enquanto ficava siderado a ouvir as maravilhas dos Dream Theater, dei-me conta de uns finlandeses maravilha, que conseguiram a proeza de se manterem vivos e activos sem nenhum dos membros do seu alinhamento original, correram o risco de se tronar num fim funesto de uma novela mexicana, ou pior desfecho de um romance de Camilo Castelo Branco versão cigana - tudo morto à facada.
Com Stratovarius o quinteto que se elevou a épico do Power Metal, com o vocalista mais narcisista que já existiu - Timo Kotipelto (superando mesmo James LaBrie), demonstrou punho de ferro na hora de retomar as rédeas da banda. Mais de 15 anos não foram suficientes para impor a Timo Tolkki, o guitarrista fundador, a autoridade necessária sobre a banda. O Choque de Titãs, quase como a rivalidade Gillan/Blackmore dos Purple, chegou para lançar o clássico Vison, o clássico power-metal, ou o mesmo em versão pop com Destiny, até enveredar pelas malhas do porgressivismo Tolkiano em Elements Pt.1 e 2. Até que as coisas traspareceram cá para foram que não estavam bem, e Tolkki foi esfaqueado e Jens Johansson, o teclista chegou mesmo a chamar-lhe o fim.
Veio Stratovairus a vingança de Tolkki, mas mesmo assim tinha um sabor agri-doce e de que as coisas não resultariam muito tempo. Foi então que se despediram que era o líder que lhe chamava um projecto que lhe já não pertencia. Levou consigo o imperceptível Jari Kainulainen.
O melhor que tiveram a fazer foi mesmo a renovar a forta das cordas. O novo sangue trouxe uma dimensão eclética e cheia de ferocidade de encher de notas cada compasso de música.os amadores do classicismo, e conservatório ciraram um épico considerável, igualável, senão mesmo superior a Vision ou Intermission.
Deep Unknown é a demonstração imediatado sangue renovado, com um guitarra soberba e cheia de vitalidade de Matias Kuipianen e a estas se seguem Higher We Go ou Somehow Precious. E no baixista não se fala. Como um Cliff Burton escandinavo, traz-nos das melhores composições do álbum como Forver is Today ou Falling Star, e a virtuosa Suite EmacipationPt.1 e 2.
Mas nem os veteranos se deixam levar ou ser ultrapassados tão facilmente. O mentor Johansson supreendido mas não vencido dá ainda um excelente contributo King of Nothing, Blind e a balada brutal Winter Skies. Um hino à Estrela Polar, vindo dos lobos da Lapónia, das terras gélidas.


quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

ÁLBUM DE RECORDAÇÕES#7: THE BEATLES - LET IT BE (1970, EMI/PARLOPHONE)


À semelhança de Abbey Road, Let It Be está carregado de ironia e ao mesmo tempo filosofia de vida. Pelo menos interpreto-o eu assim. Como quem diz, e depois do Adeus, aceitem a passagem das coisas com serenidade.
Numa famosa entrevista a John Lennon, o hippie que seria hoje sir, numa das milhentas perguntas que lhe fizeram aquando e depois da separação dos Beatles, dizendo que não é motivo para lamúrias, porque o material está lá, as músicas estão lá e as discográficas, em especial a Apple (editora fundada pelos próprios Beatles), estará a troco de mais uns soldos satisfazer as saudades de velhos e novos fãs dos Beatles.
Let It be nasceu de um projecto de Paul McCartney que frustrado pela falta de concertos, acabou por criar um marco na história entre outros tantos que os Beatles já tinham provocado. Inúmeras bandas desde então têm dado concertos em telhados, caso dos U2, ou em ruelas de Nova Iorque como os Rage Against The Machine, ou os Doors que deram um em pleno asfalto, ou até em cima de toldos de cinemas como os Audioslave.

Há quem considere Let It Be um fracasso. Eu penso que foi, sem dúvida, um sucesso, e foi dos primeiros álbuns ao vivo, a gerar um disco de estúdio. E tantas músicas que sairam deste LP e inspiraram artistas que lhes sucederam. Ainda no seu épico Relase the Stars, Rufus Wainwright pegava na etérea Across the Universe, os Pearl Jam, numa ediçãoe especial do Ten lançavam a movimentada pré-punk I've Got a Feeling.
George Harrison dá o seu hab itual contributo, aqui com uma violenta sátira ao individualismo exacerbado
A balada com orquestração clássica inesquecível de Paul McCartney, The Long and Winding Road, igual à elevação espiritual de Hey Jude mas com o dramatismo de She's Leaving Home ou Eleanor Rigby. Mas nota-se uma influência bem folk/country, influência bem conhecida dos Beatles que tinham uma forte afinidade com Bob Dylan (claro como água em Dig It em que fazem um reedição psicadélica do clássico Rolling Stone) e os novos percusores do folk rock, como Neil Young e os seus Buffallo Springfield. E que maneira melhor de terminar senão com o melhor rock n' roll dos Beatles, Get Back, uma das melhores malhas da História, com Paul McCartney a sacar da sua voz esganiçada, a voz que se tornaria baluarte do rock, e Lennon e Harrison a aproveitrem o melhor da cadência de blues das suas guitarras.
E no final «Speaking words of Wisdom, Let It Be», Os Beatles já há muito que faziam história.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

ÁLBUM DE RECORDAÇÕES#6: THE BEATLES - ABBEY ROAD (1969, EMI/PARLOPHONE)


Este, como vários grandes discos da história, tem uma história carregada de ironia, é o anúncio confirmado de um fim. Muito embora, Let It Be haveria de ser lançado posteriormente, este foi de facto o álbum de despedida dos Garotos de Liverpool.
Eles preconizaram o princípio de uma revolução e o seu auge, mas quando a geração hippie comelou a degenerar num futuro profético dee A Laranja Mecânica, a década de 70 já não haveria de lhes pertencer, mas a uma ficção científica fascinante de uma evolução do rock em várias subespécies de rock, tanto mais progressivo, agressivo ou de fusão. Géneros que directa ou inderectamente se reconduzem ao Quarteto Fantástico Britânico.
Não é por acaso que o nome do estúdio ficou para sempre gravado como uma fabulosa colectânea de músicas contemporâneas. As salas de gravação eram uma 2ª casa e o ambiente familiar dava-lhes um certo conforto para a composição. E talvez, ainda que subtilmente, todo espaço lhes dava tranquilidade ao ponto de se tornar um dos desenlaces mais pacíficos da História da Música. Apesar de internacionais, os Beatles não deixavam de ter aquela postura britânica, que acompanha um «beef» para qualquer lado.
Se calhar por úm fim estar próximo, parece que isso ainda elevou mais o nível de composição. «Come Together», é uma das músicas com mais groove que já se fizeram. Se Paul McCartney não for por isto considerado um dos melhores baixistas que já existiram, não sei o que será. Apesar de suave, a música tem um poder, e como sempre uma conotação subjacente que John Lennon imprimia nas letras. As habituais contribuições isoladas de George Harrison com a sua eterna companheira «guitarra-musa», dá um simbolismo e uma magia às músicas dos Beatles, no meio da coalboração hegemónica Lennon-McCartney. «Something» e «Here Comes The Sun» mostra-nos um Harrison, mais afastado do experimentalismo oriental, mas mesmo assim marcante, junta-se às grandes While My Guitar Gently Weeps ou a posterior I Me Mine.
Maxwell Silver Hammer é o prenúncio da revolução dos Hammond Organs que haveriam de vir, de uma maneira profética, e sobretudo alegre. Onde tal como os Lords Ingleses, os Fab Four mostram-se triunfantes mesmo na derrota, ou melhor no fim. E se anterior, o legado instrumental dos Beatles mostra as suas penas de pavão, Oh Darling! mostra o futuro dos coros. Se calhar poucos reconduzem aos Beatles, mas para mim o início dos arranjos vocais começa com a voz esganiçada de Paul McCartney que à Senhor mostra aqui o sentimentalismo do Cromossoma Y, de uma maneiras extraordinária.
E se as supresas acabavam por aqui somos surpreendidos pela «estado de graça» de Ringo Starr em Octopus's Garden. Que não só se safa na secção rítmica, como faz uns fabulosos arranjos de guitarra e voz.
Mas o tema seguramente mais amado dos Beatles, pelos fãs pelo menos, é dedicado à deusa oriental Yoko Ono. Segundo se diz por aí. Lennon estava tão enamorado, que com o seu velho companheiro de armas McCartney, que acabou por emprestar a densidade vocal de que a música precisava. Da primeira vez que ouvi a música, estranhava a similitude impressionante que Finally Free dos Dream Theater tinha com esta faixa. De facto, esta música está revestida de um mito pouco vulgar, que faz dela uma das canções «de todos os tempos».
Até aqui já estaríamos satisfeitos com um excelente lado A para ourvirmos durante muitas e várias horas sem cansar. Só que a tempestade mental do quarteto ainda estava por acabar. «You Never Give Me Your Money», será mais uma das músicas de sempre com a psicadélica She Came in Through The Bathroom Window, que demarcou, como tantas outras, o contributo das drogas para a história da música moderna, tal como o absinto e o ópio determinaram a música romântica e sucessivamente a música do início do Século XX.
Com um toque de sarcasmo os Fab Four, despedem-se com Carry That Weight, música que junta todo o esforço colectivo vocal, óptima para preencher estádios, coisa que poderiam ter feito, mas o grupo nunca quis; e The End que bem a um jeito hippie é uma faixa bem alegre com um forte cunho instrumental, sobretudo das percussões e da guitarra Harrisoniana. Her Majesty marca o paradoxo internacionalista dos Beatles, que nunca deixaram de ser orgulhosos ingleses.


sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

METALLICA AO VIVO NO PAVILHÃO ATLÂNTICO DIA 8.05.10


Quem não olhava para o famoso concerto no Texas em 97 dos Metallica, que lhes value um duplo DVD e pensava, será que algum dia vão se acabar as eternas horas de festival para ver os Reis do Metal lá para as 11 e tal da noite.
Portugal deixou de ser apenas mais um local de passagem para se fazer uma tourné, mas uma visita habitual que se repete de ano para ano. Só que desde 1999 que um concerto por mão própria se repetia. Pois Beavis, Fogels/McLovin's, e outros fãs de Metallica que não sejam tótós. Agora vêm em formato palco 360º. É começar a correr para não esgotar.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

BIGELF - CHEAT THE GALLOWS (2008, CUSTARD RECORDS)


Se fossem jogadores de Ténis seriam considerados como o paladino sueco, Robin Soderling, um «late bloomer», ou seja, aparecidos tardios. Ou então condenados a eternos ilustres desconhecidos, há muitas bandas cujo espírito revivalista vem retomando o rock como um estilo nobre e, acima de tudo, bem elaborado.
Ainda em fase de promessa, mas com grandes cartadas jogadas, foram recrutadas por Portnoy, para a 1ª parte da Progressive Nation europeia dos Dream Theater e dos Opeth. Há quem os chame de Beatles do oculto, mas estes californianos são da melhor mistura entre os Garotos de Liverpool e o quarteto satânico de Birmingham - os Black Sabbath. Aos «Fab Four» trazem o eclétismo o psicadelismo e aos segundos as batidas e os célebres «devil chords» de Toni Iommi, influência mais que visível nos dedos de Ace Mark. Gravest Show on Earth parece a fusão entre o clássico Black Sabbath e o monumental Sgt Pepper's. Ao passo que «Blackball» é o tema mais progressivo, ou não captassem eles a tenção do líder dos Dream Theater, bem ao estilo de uns Led Zeppelin na sua melhor fase de carreira, com uma jam a permear toda a parafernália.
«Money, It's Pure Evil», é o clássico hippie, aqui num estilo muito Floydiano versão Lennon, numa versão bem pop, com uma mistura bem acentuada de distorção.
«Evils of Rock & roll» é puro Sabbath recuperado, com um toque de mestre nos teclados pelo líder Damon Fox. Mas não culmina aqui os seus dotes. De facto, é dos poucos vocalistas a sobressair-se hoje pela sua variedade vocal. Aqui com um estilo bem Deep Purple, com a aspirar aos melhores ensinamentos de Jon Lord.
Mas as portas do inferno abrem-se  em «No Parachute» em que as melhores baladas dos Beatles parecem ganhar vida no oculto bem ao estilo de If I Needed Someone, Hey Jude, Ballad of John an Yoko ou You Never Give Me Your Money. The Game é mais uma vinda directamente de Liverpool, um lado B negro de I Want You (She's so Heavy), como uma versão setentista da mesma.
Mas não seriam progressivos se faltasse o épico Countig Sheep, a música que seria escrita pelo Sabbath se houvesse teclados na banda e escrita em conjunto com a dupla Lennon/McCartney. Estes quatro americanos conseguiram juntar dois mundos opostos que até agora se achava impossível.


quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

THE WRESTLER (O LUTADOR) DE DARON ARONOFSKY (2009, FOX SEARCHLIGHT STUDIOS)


Ora aqui está mais um dos filmes que ficou renegado para o pequeno ecrã. Com os gostos a serem cada vez mais selectivos e o tempo mais restrito a essas opções. The Wrestler faz-me lembrar um filme português em formato documentário, muito decadente - Belarmino. É um típico filme de género, mas inovador à sua maneira. E aqui Aronofsky passa completamente a sua faze ficção científica revolucionária em The Fountain para uma mais modesto rwalismo quotidiano.
Não se poderia arranjar alguém melhor para tal papel do Mickey Rourke. Um homem que sofreu na pele - literalmente - as cicatrizes da vida de um lutador. É com a cara meio desfigurada, que se faz uma interpretação actualista de todos aqueles filmes lados negros de Rocky, como O Campeão, por exemplo. Aqui tal como o circo de Roma, o mundo do espectáculo violento tem o seu preço a pagar, chegando mesmo ao custo da vida humana. Randy The Ram vem a saber isso depois de alguns excessos no ringue. Vivendo uma vida amarguarada, como um herói puxado para o esquecimento, o seu velho corpo, com miopia grave, próteses e tudo o mais, leva mais um bypass para o seu coração já moribundo. Tudo isto implantado durante o seu sono induzido.
Este é o reflexo de 20 anos de carreira, com os dissaborosos anos 90 a mediar todo esse período. Para representar esse revivalismo de Randy, Aronofsky vai buscar os melhores hits dos anos 80, seja os Ratt que serve de deixa para uma tampa cujos corações velhos têm dificuldade em aguentar, ou Motorhead, e o regresso ao activo com os AC/DC. Tudo o que o glam metal tem de melhor.
Tudo isto está envolto num certo ambiente agri-doce, com uma pitada de humor. Humor esse, bem ao estilo infantial do «jackass» que se reflecte no modo como os lutadores combinam entre si esfolar-se e depois toca de mamar umas jolas. Esta combinação entre o humor e a tragédia acaba por fazer parte do realismo que está em voga hoje, e aqui para nós, ainda bem.
Randy descobre que está no fim da vida e descobre que não terá ninguém para cuidar dele. A única filha que tem não quer nenhum, nem qualquer relacionamento com ele. Randy sabe que mais tarde ou mais cedo, o tempo há-de esgotar-se e a morte se encontrará com ele no fim, mas será uma morte solitária. Irónico ser rodeado de tantos, e viver na solidão.
Randy procura deseperadamente conforto nas mulheres que perderam interesse nele, uma carcaça abandonada, parecendo para estas desprovida de humanidade. Apenas Pam «Cassidy», uma stripper de um clube local, que também ela sente o peso da idade e da decadência. Justamente quando este eleva o seu interesse para além do carnal, Pam recusa o seu afecto, justamente pelas cicatrizes que estão vincadas no seu passado. Cassidy é mãe, e uma mulher, pelo que muitos vêm apenas o seu objecto e esquecem a dignidade. Brilhantemente, Aronofsky tenta captar no dilema destas duas personagens, que acaba por ser um dilema de linguagem e desentendimento e desencontros. A falta de tolerância, muitas vezes legítima, leva a que Randy uma pessoa boa e cheia de boas intenções, a um fim triste.


quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

FRANZ FERDINAND AO VIVO NO CAMPO PEQUENO, LISBOA, 2.12.09



Concerto Relâmpago é como se pode desingnar o espectáculo dos Franz. Curto, mas intenso e sem megalomanias, tirando o que começa a já ser tradicional, o visualismo em pano de fundo. Mas não houve cá espaços para lançamentos espaciais ou plataformas levitantes. Apenas o bom velho rock n' roll, com muita festa, animação e, muito possivelmente, uma good trip. Eu não grande conhecedor da discografia dos escoceses, posso dizer que foi um dos melhores dos últimos tempos. No curto espaço de uma semana, claramente melhor.
Pena que, como seja já habitual, a organização não olhe muito para a velha classe trabalhadora que tem de madrugar no dia seguinte. Dependente de transportes, muitas vezes só podem optar por encurtar o tempo do espectáculo.
Mesmo assim, e já com algum estatuto, os Franz apresentam-se como uma banda simples, apenas ornamentadas do seu cunho pessoal, com a tradicional projecção dos amplificadores pessoais nas traseiras. Bateria humilde, mas potente, e sem presença de guitarras suplentes.
As primeiras partes tiveram a cargo de um projecto protuguês da vaga do new rock que assola aí. Muito estilo Artic Monkeys, os The Doups de Setubal mostravam-se num ar de britânicos sadinos, que pouco inovavam ou tinham para oferecer. Mas há-que apoiar as bandas em início de carreira, ou no mínimo mostrar-se solidário. E de seguida entraram os Allman Brothers Band / Lynyrd Skynyrd encontram Stevie Wonder, os Phenomenal Handclap Band. Pouca intereacção, mas muita música. Suficiente para preencher 2 horas de espectáculo. Hou ve espaço para alguns solos, estilo hippie das pistas de dança, e revivalismo dos anos 70, altura que deu para encher a magotes os bancos de inspiração dos Franz.
Tivémos que ainda esperar para que o uísque não começasse a fazer o seu efeito nos nossos anfitriões, e o espectáculo não ficasse arruinado. A contar os minutos e a começar a amaldiçoar o evento entram eles da melhor maneira. Tonight em força. E bastou apenas uma música para os touros se soltarem. «No You Girl You'll Never Know / No, No, You Girls Will Never Know». E o que bastava para agarrar em força a audiência foi ainda resgatado um dos primeiros êxitos dos Franz, a dança da decadência em «Dark of the Matinée». E tantos temas que eles têm, tão curtos, mas tão apelativos, dão para uma noite de Best Of. «Do You Want To» teve o mesmo impacto com as expectativas em alto. E a postura de Alex Kapranos não podia ser mais simbiótica com o público, que decididamente estava numa noite de «Take Me Out». Se é para a rambóia, é siga sem parar até ás verdadeiras rockeiras 40' ou This Fire, ou até o sinal trepidante de What She Came For. E por falar em final não podia acabar melhor com Safri Duo vira quarteto. Outsiders foi o rastilho, para a percussão repartida em quartos. Grande mérito para o baterista Paul Thomson e o baixista Bob Hardy.
Eis que chega o Encore. Kapranos demonstra porque também sabe dar cheirinho nas 6 cordas e faz um bom solo, em Walk Away e merece a sua Fender em Michael. O cover de LCD Soundsystem - All My Friends - demonstra a paixão dos escoceses pela electrónica, com os organitos nas traseiras que mandavam um som bastante piscadélico, que fez jus ao nome na longa de Tonight: Franz Ferdinand, Lucid Dreams, altura em que Karpanos e Ñick McCarthy saltaram para o VC3 e os Tape Effects. Com isto se depsediram, foi de duração curta, mas de gozo máximo.

Alinhamento

No You Girls
The Dark of the Matinée
Can't Stop Feeling
Do You Want To
Twilight Omens
This Fire
Live Alone
Tell Her Tonight
Take Me Out
Ulysses
40'
What She Came For
Outsiders

Encore:
Walk Away
Michael
All My Friends (LCD Soundsystem)
Lucid Dreams


terça-feira, 1 de dezembro de 2009

CAPITALISMO: UMA HISTÓRIA DE AMOR POR MICHAEL MOORE (2009, DOG EAT DOG FILMS)

Michael Moore tinha em mãos uma tarefa hercúlea, definir o sistema económico que hoje rege as nossas vidas. um deus inconsciente que define tudo o que fazemos, chamado mercado. O mercado é tudo o que trocamos e transaccionamos por um preço. Quero dizer que se eu oferecer algo, sem receber nehuma contrapartida eu não estou a actuar no mercado. Mas não deixa o bem de perder o seu valor?
Bem isto não é fácil de definir. Nem o Michael Moore se propõe a fazê-lo. Para isso tem os 4 volumes de O Capital de Karl Marx que o fazem por ele. Mas muita gente que vai ver esta paródia-documentário não estão para lê-lo. Francamente, eu também ainda não oli. Muito embora sei em traços largos aquilo que Marx aí discute, ainda estou reolvido a lê-lo de fio a pavio.
Mas Moore não estava  para perder tempo em análise filosóficas. Como Marx dizia, «os filósofos perdem tempo a a comprrender o mundo, em vez de tentar mudá-lo» (citação livre). Moore está para nos dar, de um forma bastante cómica, os males do Capitalismo. A obsessiva busca da maximização do lucro, e a malfadada expressão marxiana. mas minuciosamente realista, o homem lobo do próprio homem.
No tradicional estilo de Moore temos um 60 minutos, de 120 minutos a explicar e demonstrar vidas de pessoas que ficaram afectadas pelo estilo de vida capitalista. E este são os casos mais flagrantes de como a justiça social ficu de foram no meio de toda esta equação. Quando se fala deCapitalismo, parece querer falar-se de uma qualquer liberade, ou me lhor de liberdade. Mas que liberdade? Para dar um exemplo nítido, a ditadura dePinochet era um sistema económico ultra-liberal, no entanto altamente repressivo das liberdades civis e políticas dos cidadãos. E quem nunca viu uma carga policial americana, numa manifestação pacífica? Pois é o cpaitalismo tem destas coisas, enclausurar as pessoas em casa entretidas pelo seu próprio consumo. Os E.U.A. atravessam uma grave crise insdustrial, sobretudo, porque o sistema que anteriormente lhes conedia supremacia mundial, hoje está a fazer-lhes feroz concorrência e em termos de conepção de Estado e das suas incumbêncas eles ainda vivem num interpessão actualista do Estado Liberal do Século XIX. Por isso vale tudo, até tirar olhos, e na realdiade social, lucrar com a morte de empregados devotos à empresa.
Sim estes é um dos problemas do sistema. É que quando falamos em livre iniciativa, somos capazes de ser transportados directamente para a selva humana, onde as ligações ocultas entre poderes políticos e económicos ditam as regras dos reis da selva, os leões, não melhor os abutres. Moore tenta explicar o Plano Paulson por miúdos.
Durante décadas incentivaram as pessoas a venderem a casa aos Bancos que vendiam a história de que a pessoa vivia em ciam de uma mina de ouro, o seu próprio banco. Isto levou a que as hipotecas das casas disparassem em flecha.
Pois é, é isto que se estuda em Harvard nos dias de hoje, nos cursos de economia. Como enganar o próximo membro da nossa espécie. A complexidade atinge níveis tais que quando interpelados a explicarem-se ficam sem saber por onde começar.
Moore mostra-nos um sistema corrosivo, de uma permanente guerra civil pacífica.

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

MUSE AO VIVO EM LISBOA, PAVILHÃO ATLÂNTICO, 29/11/09

Ontem haveira uma grande música dos Muse composta pela mente endrominada de cogumelos de Matthew Bellamy em 2001 (altura em que ainda prrenchiam as tardes dos festivais de verão) que se designava pelo nome de Megalomania. Ontem verficou-se, mais do que nunca, como essa música é autobiográfica do trio de Teginmouthh, só comparável às ambições dos Superestados de 1984, da futrologia de Orwell.
É certo que os Muse nasceram com uma identidade, mas será que ela se mantém ou foi-se diluindo nos perfis de outras bandas. Tal como o último álbum falhou em muitos aspectos, nuns Muse a tornarem-se naquilo que não são, o espectáculo reflectiu essa mesma naturez. Mas epá todos temos direito às nossas loucuras. Mais ambiciosos que uns U2, só que sendo obrigados a começar com uma banda ranhosa, sairam em plataformas por detrás de uma cena caótica. Desde logo falhou a habitual pontualidade britânica.
E os nossos «Spocks» da moda foram mesmo por partes, alternando entre o novo álbum e as faixas antigas, para alegrar um pouco as expectativas de todos. Pena que as melhores tivessem ficado de fora.
«Uprising», apelou de imediato a todos os ouvintes das rádios mais mainstream imagináveis. Não que isso fosse preciso. Basta ver que a maioria dos fãs de Muse conhece toda a sua discografia.Seguindo-se de imediato Resistance.
Um alívio da minha dor de cabeça vem com o regresso às origens, só que da simetria, com New Born. Nada como um clásscio para realmente provar o poder que os Muse representam. E comos estavamos na fase de álbuns predeccesores veio Black Holes & Revelations de uma assentada «Map of the Problematique» e o que é hoje um ds riffs de guitarra mais célebre da história «Super Massive Blackhole». Como Bellamy não é muito comunicativo, o John bonham do «rock era digital» falou com frequência, se bem que os coros não fazem parte das suas incumbências. Mas o melhor da banda estava na postura de Senhor e Christen Wolstenhome, um pujante baixista que demonstrou um poderoso duo de Drum N' Bass com o já reconhecido Dom Howard. este foi, sem dúvida, o momentos mais alto do concerto. Certamente as camadas mais novas não estavam a contar com uma epítome instrumental destas, mas para minha supresa adeirram bastante bem.

Bellamy sucede-se com uma boa apresentação da sua guitarra espacial, não muit técnica, mas bastane experimentalista. E tyambém nos pianos resolveu com Queen Século XXI. de Unityed States of Eurasia e já que descer e subir elevadores-ecrãs sia caro, toca-se mais uma no piano lá em cima, a lendária cover de Feeling Good. Tudo com a secção de luz e imagem ao detalhe. Hoje deve sair mais barato, para compensar tudo isto. E pensar que os Pink floyd estoiravam milhões nestas aventuras....
Quando pensávamos que era impossível vir o pirosismo para o palco, lá vai Bellamy buscar o teclado c/ braço de guitarra para tocar Timberlake versão trio «Undisclosed Desires» e Guiding Light. E na mesma onde Starlight.....
E como eles foram por partes, por partes partiram para o encore com os riffs que se queria ouvir, Plug in baby, Time is Runnig Out e a melhorzinha de The Resistance, Unnatural Selection.
O final podia ser salvador se Exogenesis, o verdadeiro lado progressivo dos Muse, se tivesse revelado em todo o seu esplendor, ficou-se pela abertura. Mas ajudou ficar-se com a esxcelente Stockholm Syndrome e a brutal (verdade seja dita) Knights of Cydonia. De rersto nem aquece, nem arrefece, e lá fora estava-se pior....


sexta-feira, 27 de novembro de 2009

DEAD COMBO - LIVE HOT CLUBE (2009 UNIVERSAL)


Tinha acabado de sair aquando do espectáculo não S. Luiz e estes portugueses taciturnos davam, assim, os seus primeiros passos no univeros «ao vivo». Focados na música ambiente, a Música dos Dead Combo não foi feita para grandes espaços ou Estádios. São antes uma banda de clube Nova Iorquino, adaptada à realidade lusa. O Hot Clube parecia ser um local apropriado para a realidade western-fado deste duo surreal.
Criaram a partir daqui uma simbiose com o baterista Alexandre Frazão, convidado, mas que parece começar a fazer parte do colectivo ao vivo. Jazz de formação, este não podia ser o local mais apropriado para se acabar uma conversa, a de Lusitânia Playboys. Curto, mas conciso, começa de rompante com Rak Song, muito fiél ao álbum, excepto no abuso de percussões, muito mais pujantes do que em estúdio e adaptados à guitarra tradicionalmente rítmica de Tó Trips, que nesta faixa ganha particular destaque. Mas é já a pensar no novo álbum que os Combo vão propondo novas músicas como a excepcional Nat. Mas nem só de novidades vive a música. Rodada foi o regresso aquele que continua a ser a sua experiência mais célebre - Vol. II Quando A Alma Não É Pequena. Aversatilidade dos Dead Combo não conhece limites, como um ecletismo erutdito, extende-se até ao rock, muito por culpa do contrabaixista Pedro Gonçalves que se devota a múltiplos instrumentos. Desert Diamonds/Enraptured With Lust é a música do crime, aqui com um violência brutal, que com a percussão e os soporos ganha outra dimensão. Old Rock n' Roll Radio volta ao primeros passos de Vol. I, com o qual se despedem para a próxima aventura ao vivo, esperemos São Luíz.

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

FLIGHT OF THE CONCHORDS - I TOLD YOU I WAS FREAKY (2009, SUBPOP RECORDS)


Quem disse que a música não pode ser um grtande exercício de ironia, com uma ironia mordaz? Foram já várias as tentativas, e bem sucedidas, de usar a música como ironia e também sátira mordaz. O génio foi, sem dúvida, Frank Zappa, que para além de ter a faceta de «entretenidor», usava a música como uma feroz crítica social, sobretudo dos costumes e dos usos indiscretos, como exemplo «Moving to Montana Soon».
Depois veio o humor negro da música como crítica da própria música, mencione-se os Spinal Tap que nasceram de uma ficção e acabaram por se converter numa realidade do heavy metal a brincar, os os Rutles.
Quando os Flight of the Conchords, ou os Flute of the Commodors como acabaram por ser designados por um apresentador de clube ignorante, apareceram ninguém os levou a sério. No entanto, as músicas versáteis e carregadas de sarcasmo acabaram por abalar os gostos modernos indiferentes a qualquer substância musical, partindo do pressuposto que ela existe.
A 1ª série foi um trabalho muito bem feito por este duo neo-zelandês, não australiano como costumam ser apelidados. Caricaturando os mais variados estilos musicais desde o Folk, ao electrónico decadente dos anos 80 com os Pet Shop Boy em «Inner City Pressure» ou o rap ridículo em Rhymenocerous vs. HipHopapotemous. Posso dizer que eles no gozo conseguem ser melhores que os originais alvos da crítica.
Tal como na 1ª série, que tinha muitas dos originais dispersadas pelos 22 episódios, mais ou menos, o mesmo se sucede nesta 2ª aventura. Os temas que compuseram a série, servem agora de integração do álbum. Os padrões são os mesmo que no anterior, a começar pelos cancros da Música Moderna o hip Hop, Ragga que teimam em não cair no esquecimento. Hurt Feelings parece aquela contradição que nos dá imediato vontade de gargalhar, ahistória do rapper sensível em «Hurt Feelings», ou a completa falta de gosto dos Raggas em «Sugalumps», lado B de Boom Boom.
Mas não só estes pacóvios alvos das tomatadas mordazes destes neozelandeses deslocados. Os ovos podres vão directamente ao electrónico ranhoso que por ái prolifera como Ladys Gagas e (des)Cascada em Too Many Dicks (on the dance floor) ou Fashion is Danger. Até mesmo os falsos rastas vêm na Lista Negra com a badalhoquice despida em »You don't have to Be a Prostitute».
Até partem directo para o World Music, tal como «Foux Du Fafa» no disco anterior em Petrov, Yelyena and Me, que só podem gozar com filmes rafeiros com a mesma cadência de nome. Nem os Jason Mraz e outros que tais ficam de fora com a balada fácil Carol Brown que depicta até o habitual dueto com as gajas/pitas do momento.
«Friends» parece quase chegar ao ametricismo de Kymia Dawson (e com o falhanço de expectativas de Alphabutt), se bem que aqui numa postura amigável.
Até já pesnaram na música de Natal epiléctica com um Gospel histérico em «Angels». Um autêntica sátira às RFM's e sobretudo às músicas das massas indespertas.

terça-feira, 24 de novembro de 2009

DEAD COMBO, AO VIVO NO TEATRO S. LUÍZ, LISBOA, 21.11.09

Os Dead Combo podem muito bem ser mais  uma daquelas bandas condenadas ao desconhecimento genérico que depois mais tarde, depois de acabarem, tornam-se uma referência, como os quadros e Matisse e Renoir que são hoje obras de arte amplamente reconhecidas. Talvez sejamos nós assima contemplarmos a nossa própria música. Tirando os Xutos claro. Tudo o que é estrangeiro enche salas de espectáculos infindáveis
Devo, contudo, realçar um pequeno «senão», o salão de Inverno do renovado Teatro S. Luiz em Lisboa estava lotado. Com a noite era pesecial, com câmaras prontas e palco arranjado, para uma noite de gravação de um novo álbum ao vivo. Nem de propósito surgiu esta venue, uma vez que os Dead Combo lançaram agora um álbum ao vivo, no Hot Clube de Lisboa.
Sem banda de abertura, surgidos do palco, vieram para tocar as primeiras músicas em dueto exclusivo. Tó Trips sinistro, agradece a vinda e com poucas palavras tocou algumas dfa músicas que já tinham surgido em neste formato na Homenagem a João Aguardela. Ainda estávamos na digressão de Lusitânia Playboys e foi por aí que se começou. Este álbum, um dos melhores lançados no ano passado, preencheu boa parte do espectáculo com o tema homónimo, Lusitânia Palayboys, Sopas de Cavalo Cansado e Rak Song. Ainda neste contexto visitaram Vol.II com A Menina Dança ou o Assobio.

Foi só passados meia hora de concerto que a dulpa Tó Trips / Pedro Gonçalves decidiram chamar ao palco um grupo de amigos e a grande revelação pessoal - para mim, pelo menos - do baterista Alexandre Frazão. Mais An Duarte nos pianos e um trompetista, outro saxofonista e mais um para a trompa. Tocou-se então aquilo que havia de ser um espectáculo imponente para aquilo que parecxe um pequeno duo contrabaixo/guitarra. Cuba de 1970 teve outra dimensão e menos se pode falar da oriental Like a Drug que tem o seu lado curioso na inspiração dos QOTSA que Pedro Gonçalves admira muito. Alexandre Frazão tebe oportunidade para demonstrar o potencial de um aluno de escola de Jazz. Canção do Trabalho teve uma cara nova, com as variações de percussões e ritmos completamente em contratempo, já para não falar da velhinha Eléctrica Cadente ou Diamond Song/Enraptured With Lust. Pelo Meio ainda tivémos privilégio de ouvir um pequeno recital de piano das músicas dos Dead Combo, com ainda um solo de Tó Trips, mas por volta da 1:00 era altura de ir para o bairro ou como diz o verdadeiro Pedro Gonçalves, «irmos todos para o Cais do Sodré» como o homem que atravessa Lisboa de bicicleta. Para mimfoi altura de descansar o ossos e aproveitar o extraordinário Vol. I que os nosso compatriotas conseguiram por lá vender.


segunda-feira, 23 de novembro de 2009

PORCUPINE TREE, INCRÍVEL ALMADENSE, ALMADA - 20.11.09


Pelo que se pode ver Steven Wilson e camaradas gostaram mesmo do nosso país, e do lado sul do Tejo. Depois de pouco mais de um ano de nos terem visitado, voltaram com um novo álbum na manga. Mas não era apenas um novo álbum. Era uma música de 55 minutos, um The Wall em versão individual e intensamente psicológico. Como Steven Wilson não ambiciona a grande palcos, nem espaços amplos, contenta-se numa pequena casa de bairro de Almada, que se tornou e permanece uma sala de culto. Só que agora com todas as facilidades de acesso de comboio e metro que recentemente renovaram na geografia da margem sul.
A 1ª parte deveu-se a mais uma das iniciativas de outra dimensão de Tony Levin. Ele e os seu companheiros trouxeram-nos pela mão dos Stick Men, uma orquestra sinfónica e moderna. Parece que fazem parte daquela variante maluca da ciência, só que no plano musical. Stick Men porquê? Porque o baterista e percussionista electrónica usa «sticks» (baguetas) para tocar, concerteza, a bateria, mas porque os restantes membros se serviam de chapman sticks, um instrumento de corda constituído apenas por um braço e com cerda de 12 cordas, calcadas por ambas as mãos. Aliados a fortes pedaleiras, este trio desconhecido para muitos, mas não todos ousou-se a tocar a «Firebird suite» de Strazinsky, ou como disse o mestre Tony Levin, tentaram. Mesmo assim ainda introduziram um bom  humor em «Supercollydal», a propósito da «Musical Sopa».
Foi só depois de um súbita aspiração do palco, para que Steven Wilson não cortasse os seus habituais pés descalços, e um minimog em forma de secretária vitoriana, chegaram então ao palco com o habitual ecrã branca no fundo do palco. Occam's Razor foi o tema de abertura para aquilo que se esperava assim que começou logo de seguida, The Blind House. Steven wilson disse-o peremptoriamente «and no we're going to play the 55 minutes Incident, I that's ok with you? / So we're goint to play with the shortest interruption as possible». Foi assim que assistimos à peça quase teatral musical com Steven Wilson a alternar frequentemente as suas guitarras, e a recorrer muitas vezes à sua guitarra acústica. Foi bom deambular pela tragédia de fanatismo religioso de um seita que encarcerou dezenas de mulheres nos Estados Unidos. E  essa componente visual não foi, de modo nenhum deixado ao acaso. Os Tree recorreram a extensos filmes, muitos bem elaborados, para ajudar a toda a narrativa que se queria contar. O clímax da 1ª parte centrou-se, sem dúvida, no épico de The Incident - Time Flies - um tema extraordinariamente bem concebido, como uma «Dogs» moderna reinventado, com um acorde acústico vibrante e que funcionou muito bem ao vivo. Depois do instrumental pirómano Circle of Manias e a blada de despedida I Drive The Hearse, os nossos camaradas birtânicos retiraram-se para um pausa de 10 minutos.
Regressando com um retorno (passo o pleonasmo) a um dos seus melhores trabalhos In Absentia quer tanta presença teve no ano anterior. Colin Edwin começa com 3, que é só colmatado pela já grande reverência nas percussões do mundo progressivo - Colin Edwin. E porque nem só de guitarras vivem as bandas, o Rick Wright discreto Richard Barbieri, Dr. Richard Barbieri.
Foi altura de revisitar então Fear of Blank Planet, músicas quais que já tinham sido tocadas no ano passado, Way Out of Here e Anesthetize, desta vez mais curta para caber na 2ª parte do espectáculo, que não tardaria em terminar.
Relembrou-se com alguma placidez, Deadwing, álbum que tem sido esquecido algumas vezes pelos Tree, sobretudo, porque lhes deu alguma fama. Especialmente Shallow que nunca tocam ao vivo. Mesmo assim ficou So Called Friend e ainda uma versão esquecida que ficou de fora de Fear of A Blank Planet, então relegada para o EP, Nil Recurring. Depois do Adeus ficou a promessa de regresso. Parece que gostaram mesmo de nós.


segunda-feira, 16 de novembro de 2009

PHADO POR MARCO MIRANDA aka M-PEX (2009, INDEPENDENTE)


A guitarra portuguesa tem sido um instrumento muito pouco explorado para além do tradicional segmento do Fado tradicional. Um aluno do técnico decidiu alargar os horizontes deste extraordinário instrumento. em conversa com o próprio Marco, descobri que este é um projecto todo ele estritamente individual, desde a concepção até à produção, não havendo
Por desconhecimento próprio, fui mais uns amigos ao ainda promissor DI BOX em Arruda dos Vinhos. Investimento isolado de uma família com «bagalhuça», que decidiu dar um presente a uma terra que tem desaproveitado. O espaço estava vazio, e algumas pessoas não estavam ainda preparadas para ouvir música instrumental.
No palco era apenas uma banco, e um computador portátil com saída de som. O conceito era aliar o som melancólico da guitarra de Fado ao ambientalismo da música electrónica. A fusão entre os dois é inesperada, mas francamente positiva. A guitarra de fado acaba por ser a voz ecoante por todas aquelas paisagens vindas da música de computador. Isto acaba por sobressair por que Marco é dotado de uma técnica bastante desenvolvida na guitarra de fado, quase que como um mstura de Carlos Paredes com Jose Satriani, desenvolvendo o culto da guitarra solista. O seu projecto individual aproxima-se bem do trabalho que tem  com o violinista dos Corvos, Tiago Flores e o Flautista Marco Ramos, também responsável pelos efeitos. Foi preciso por coincidência encontrar este projecto, que me demorou quase um ano a redescobrir, após o mini-concerto para o Portugal No Coração.

Phado, o disco de estreia, centra-se na reinvenção do Fado. Phado mehnor é um bom exemplo disso. Com um melodia que quase parece uma valsa semi-moderna, que deu lugar a uma entrada inesperada das odaniscas bizarras que por ali andavam.
Hydheia reflecte também essa intenção de refazer uma tradição, e de se buscar as tradições existentes, e a simbiose de dois estilos de música opostos a princípio, parece estranho de início, mas natural com o tempo, visto o som da guitarra portuguesa se manter natural, mas com uma maneira de tocar adaptada ao electrónico que serve de pano de fundo à sua extrapolação. Acho quer seria, no entanto, mais interessante ver mais instrumentos em palco. Em vez das batidas electrónicas, encontrar um baixo. Almathika foi o que conseguiu mudar o andamento, levando alguns cépitcos a crer que a música tinha de facto mudado. Com uma batida rápida e expressiva, e com uma guitarra melancólica, consegue de facto denotar o contraste em relação às anteriores.
A venue acabou com Phadistikal, um Fado quase Daft Punk. com forte enfâse nos electrónicos e uma guitarra portuguesa quase oriental.
Com o 2º disco quase a sair - Viver e Senitr Portugal -  Marco Miranda continua com a tarefa árdua de fazer música experimental, mais a mais em Portugal e com a tradição portuguesa.

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

TRANSATLANTIC - THE WHIRLWIND (2009, INSIDEOUT)


Já lá vai o tempo em que os supergrupos eram apenas projectos paralelos promissores, que lançavam no máximo um disco ou dois e depois regressavam à sua actividade principal.
Os Transatlantic provaram agora do que são mais que apenas isso. São quatro bons amigos que fizeram um grupo a pensar nos épicos dos grandes grupos do passado, usando músicas como Shine on Your Crazy Diamond, Echoes, Gates of Delirium ou Supper's Ready dos génios progressvos do passado e trasnportá-lo para um presente muito mais virado para a música fácil e curta das rádios. Concerteza não se pode pensar nos Transatlantic como uma nbanda de massas, mas como são referências para os fãs sectaristas.
Se começaram em 2000, num interregno de Mike Portnoy dos Dream, desesperado por trabalhar com músicos diferentes dos seus camaradas da banda,  com SMTPe com um épico de 30 minutos. Brudge Across Forever tinha Duel With The Devil e Stranger In Your Soul (de acordo com Neal Morse o épico dos épics). Mais progressivo do que isto é dificíl. Mas conseguiu-se com Whirlwind, uma gigantesca faica de 77 minutos, superando os recordes dos anteriores. Aliás essa foi sempre a ideia de fundo destes 4 fantásticos.
Desta vez o conceito gira em torno de um apocalítpico desatre ambiental, ideia para a qual Neal Morse, e também o mago sueco Roine Stolt não são de todo alheios.
Com uma entrada instrumental, este épico colossal deadica toda a abertura a articulação entre a secção rítmica variada da bateria de portnoy - digno sucessor de Neal Peart - e o melódico do baixo dos Marillion, Pete Trewavas que tem sempre a marca de uma guitarra grave quase parecendo um violoncelo eléctrico.
A guitarra de Roine Stolt não é alheia também aos grandes artistas do passado, alheando os efeitos etéreos de um Steve Hackett surrealista, com uma articulação técnica de um Steve Howe a um sentido de oportunidade de David Gilmour. E mesmo Neal Morse dá grandes mostras da sua capacidade técnica, em Dancing With Eternal Glolry rivalizando com o seu amigo Jordan Rudess.
A variação de vozes sempre foi um dos legados que os Transatlantic foram buscar aos pais fundadores do progressivo. Tendo os Beatles e os Pink Floyd como referência repartem os atributos vocais por todos os elementos, esmerando-se para dar uma boa entoação de voz. E até memso os Yes têm aqui o seu dedo nos coros e nos enrolamentos vocais em Is it really Heppening?, ou o esplendor eterno da voz em catarse de Morse em The Wind Blew Them All Away ou Pieces of Heaven, ou Trewavas e Stolt em conjugação jazzísitca em Evermore ou Rose Colored Glasses. E Mike Portnoy soa muito a Phill Clolins na era pós-Pester Gabriel em Set Us Free.
Tal como os Dream Theater, sendo nerds da música, os Transatlantic não poderiam deixar de prestar atributo aos seus ídolos. Por isso temos uma versão actualizada The Return of The Giant Hogweed dos Genesis, ou um excelente U need You dos America e dos Beatles fundidas ao fim destes anos como irmãods de armas e um bom Soul Sacrifice. Mas de referência são as curtas que vêm no lado B deste dico, tal e qual o formato vinyl dos clássicos antigos Meddle, Atom heart Mother ou Foxtrot com um épico a preencher todo um lado, com depois as faixas mais curtas no restante. Já esperava e sentia falta dos sons a atravessar o Oceano, para quando a visita por cá. Mal posso esperar.....


quinta-feira, 12 de novembro de 2009

THEM CROOKED VULTURES - THEM CROOKED VULTURES (2009, SONY/BMG)


Parece que quando o mundo da música estva no seu pico último de criatividade, eis que vem algo que a torna nova e mais recente que nunca. E muitas vezes das boas influências do passado. Não será a 1ª nem a última vez que os os velhotes chegam para nos salvar. Dois músicos, já quarentões e pais de família, com um extenso reportório e currículo, nascidos da geração ciradora do na altura designado «lixo musical» (hoje reconhecido como um período simbólico do rock - Dave Grohl, mítico baterista dos Nirvana, que já dava sinais promissores de regresso às influências com o seu projecto Probot e Josh Homme, que nos Kyuss parecia um guitarrista com futuro e hoje é um guru do stoner rock.
Para estabilizar e de facto ir buscar alguma força crítica, foram buscar o elemento mais despercebido nos Zeppelin, mas como se veio  saber era uma força mortiz no seio daquela banda. O lendário John Paul Jones, regressa ao activo, depois da isolada venue dos Zeppelin na O2 Arena, em Londres.
Them Crooked Vultures não são apenas maisum supergrupo, que muitas vezes tem resultados desastrosos como a equipa galáctica dos  sabujos madrilenso que não apredneram da 1ª vez. Não isto é puro stoner rock do bom. Parece-se muio à partida com o som dos QOTSA fase Rated R ou Songs For The Deaf, como Mind Eraser, No Chaser.
Nobody Loves Me and Neihter Do I é uma amostra de tudo o que segue no álbum, uma bateria agressiva e pujante, de uma força animal bruta, uma guitarra de outra dimensão, e um baixo sempre presente com um groove tremendo que dá estabilidade aquilo que às vezes parece cair numa poarafernália de jams e virtuosismo estilo hard rock.
A voz de Josh Homme continua sempre presente com os agudos e os falsetes que dão estranheza e faz mais uma vez parecer próximo dos seus projectos individuais
E se tudo até agora parecia uma moca descomunal, New Fang supera com a diveridade do stoner para funk, mais uma vez com Josh a trabalhar muito bem a guitarra e voz e Dave Grohl e John Paul Jones a fazertem uma excelente seccção rítmica. E se Grohl parecia estar desabituado às percussões, com a assumir a função de seis cordas rítmicas nos Foos, este álbum indica que nucna desaprendeu, e reforçou mais ianda o estilo agressivo da escola de John Bonham.
Dead End Friends é mais um exmplo de excelente articulação de duas gerações bem distanciadas no tempo, com ainda por cima a década de 80 a distanciá-los. A balada que nem parece soar a balada, porque aqui está tudo a um estilo rápido, conciso com grandes malhas e sem tempo para devaneios. Ou a Bowieana «Gunman», que parece um hmomicído de outra dimensão.
Elepahnt é a jam convertida em música muito bem sacada e com uma exclente malha introdutória que logo a seguir passa para um malha hard rock punk, a que Jones se faz acompanhar muito bem.
E não é só aqui que Jones surpreende, não abandonando o seu experimentalismo nos teclados dos Zeppelin em Spinning in Daffodils, que é o mote para o despoletar da anarquia. Um excelente álbum do princípio ao fim.


terça-feira, 10 de novembro de 2009

STING - IF ON A WINTER'S NIGHT (2009, DEUTSCHE GRAMMOPHONE)


O natal aproxima-se, e digo-vos já faz falta o inverno, a noites frias e um disco que faça lembrar este tempo nostálgico. Com o tempo todo trocado parece que o inverno está destinado a ser curto e rigoroso.
Não é toa que o velho Sting faz deste disco, um álbum natalício, bem mascarado, ou se calhar até não. Talvez um disco de natal eclético. Não é a primeira vez que me falam da qualidade de Sting a solo, que confirma-se em superioridade à sua eterna banda de rock new wave. Muito mais virado para o jazz e para os sons eruditos, com uma pedra de toque em músicas do mundo, If On A Winter's Night é a subtileza e o prazer de um passeio pela neve. Britânico como é, Sting vai buscar inspiração às profundas tradições celtas. Por isso torna-se um pouco um natal diferente, uma espécie de hibrídio cristiano-celta ou celto-cristão se se preferir.
Gabriel's Message ou Christmas Carol são um dos temas tradicionais que servem de ponto de partido para este passeio natalício, com Sting a puxar pelos cordões da voz, em cânticos profundos, bem diferente da voz que caracterizou como punk adaptado ao punk pop rock. Acompanhado por um coro Sting exorta aquele que é o anjo de maior contemplação e que anuncia o nascimento do Messias. As influências do Jazz não foram deixadas ao acaso, por isso os instrumentos de sopro não foram deixados ao acaso.
«Soul Cake», bem mais alegre, parece uma parada irlandesa para o natal, enquanto se prepara o festim de natal. There is No Rose of Such Virtue, por sua vez é uma viagem ao período medieval, com cânticos gregorianos, remisturados com batidas tribais e bandolins interessantes. Como não podia deixar de ser, os álbuns destas alturas não são inteiramente originais. Muitos dos seus temas são de inspiração tradicional, reaaranjados para satisfazer o ouvinte mediano, que quer preencher a sua banda sonora da consoada. E o álbum de Sting não se distingue desses, a não ser pelos arranjos interessantes e pela discrição que assume. E as influências são extensas e vão até à música clássica de Schubert com Hurdy-Gurdy Man ou J.S.Bach com You Only Crossed My Mind Winter. Mas Sting não se limita a fazer um mero cover, faz os arranjos e adapta as ideias a um conceito bem interessante.
A sua paixão pelos sons do globo reflectem-se em Christmas At Sea, inspirado num tema de Robert Louis Stevenson e a sua Ilha do Tesouro.
Bethlem down é a paragem dos Reis Magos, para um natal descansado e tradicional.


segunda-feira, 9 de novembro de 2009

BRENDAN BENSON - MY OLD FAMILIAR FRIEND (2009, ATO RECORDS)


Jack White, Brendan Benson e Cª gostam de se pensar como uma grande família de amigos fraternos que se reunem de quando em vez para fazer música. E como se costuma dizer «amigo não empata amigo». Por isso enquanto Jack White sonha com as metamorfoses colectivas e de uma jam perfeita, saltando de grupo para grupo, Brendan Benson voltou para o seu refúgio individual de canta-autor transatlântico.
Só quando o ouvimos, temos percepçao da importância que ele tem nos Raconteurs, e a força da sua visão artística na banda. Todo aquele lado mais lírico e um rock bem mais alternativo e melódico que víamos nos Raconteurs parte todo da concepção musical deste nosso amigo.
O estilo parece-se como um liricismo medieval reinventado, como tema de assunto principal as relações afectivas. A Whole Lot Better passa-se quase como banda sonora de filme adolescentes, no entanto, tudo com uma certa ironia, onde a contradição é a faceta essencial no muno do amor.
Com uma boa disposição quase imperceptível salta-se para Eyes on The Horizon, com uma atitude mais «surfísitca», passa-se para os males que acontecem quotidiano e para a maneira como les nos passam despercebidos. Isso é uma das facetas mais marcantes de Benson, falar das coisas quase como se não estivessem lá «What happened to the Boy next door/ The Sun is so blinding». Finalmente, talvez através da música os americanso se apercebam como são o reflexo do Admirável Mundo Novo, a alienação pelo entretenimento.
Garbage Day parece-se a muita Beattleana Elenor Rigby, mas com um toque de Carlos Paião. Tudo com uma nota muito agri-doce, e dos olhares indiscretos do dia-a-dia. Ao que parece Brendan foi despejar o lixo e paixonou-se pelo olhar.
Em Gonowhere é certamente um dos melhores temas aqui presentes. Com um excelente domínio dos teclados, muito mais interessantes do que por exemplo a guitarra, sempre na função de ritmo ambiente. Aqui vemos que todos os arranjos de teclados nos Raconteurs vinham deste nosso camarada. E como atalho de foice Lesson Learned fala justamente no que Gonowhere manda ser «Be criative/ You can roll de Dice or You Can Play It».
Feel Like Taking You Home é o tradicional tema de Halloween, aqui quase como uma estranheza típica do mestre Bowie, aqui com uma projecção singnificante do baixo. E logo a seguir parte para o neo-disco estilo Daft Punk alternativo, para banda sonora de uma Pull & Bear. Um disco pessoal, mas sem grandes surpresas.


quinta-feira, 5 de novembro de 2009

MEGAFONE 5, TRIBUTO A JOÃO AGUARDELA, CCB, LISBOA 5.11.09


De tudo o que João Aguardela simbolizava, um homem bastante criativo, a sua busca pela originalidade e criatividade enquanto explorava o universo musical português era uma das suas maiores virtudes. Tudo o que criou não foi nem pelo dinheiro, nem pelo sucesso, mas pela música enquanto arte em si.
Volvidos quase 11 meses sobre a sua morte, Sandra Baptista, sua companheira e amiga fiél e Luís Varatojo seu cúmplice musical de grandes projectos, decidiram que haveria de se fazer uma homenagem com uma festa da música. Como disse Carlos Guerreiro dos Gaiteiros de Lisboa, Aguardela não gostava de homenagens, por isso presta-se tributo e divulgação à obra que ela fazia e a que se dedicava.
Apesar de ser uma noite um pouco inconveniente, a meio da semana, e num sítio que para quem se move de transportes, compensou em todos os aspectos. Com uns arranjos um pouco bizarros, vários homens de branco, carregavam um coração de metal para o empoleirar nuns ganchos que pareciam certamente tombar.
Depois cada uma das entidades envolvidas queriam mostrar um pouco do seu trabalho em prol da imagem do João. Assim começou um vídeo electrónico sobre a realção do João com a música tradicional portuguesa da autoria dos Artelier. Entre as pausas dos concertos caia uma eternidade entre a caída e a subida do pano.
Foi por volta das 21:40 que entraram os Gaiteiros de Lisboa com a sua maneira descontraída e lenga-lengas de trovadores. De uma maneira arrepiante e com forte ênfase nas percussões ecoaram o seu som por toda a sala. Não se perdeu muito tempo em palavras bonitas, deixou-se a música falar por si. Pena foi só temos de assistir a tudo isto sentados, sem movimento.
Depois foi a vez do documentário sobre os Sitiados, que participaram no evento em formato audiovisual. Já que a banda não poderia ser reunida a intervir ao vivo. Foi por esta altura que João conheceu Sandra Baptista, e partir daí a acordeonista passou a ser a família que formava o núcleo dos Sitiados. De alguma maneira, a fama atormentava Aguardela. Ele não queria estar na m´sucia pelo dinheiro, e depois de A Vida de Marinheiro cair nas ruas, João dedicou-se a inúmeros projectos. Megafone foi o que adquiriu mais simbolismo, e várias formas sucessivas.
Na sua 5ª versão surge depois os Oquestrada, uma banda que reúne no seu conceito música e representaçaõ no mesmo palco. Com uma vocalista -Miranda - desinibida, que teve a virtude de dar uma boa disposição a uma congregação que poder-se-ia muito bem tornar numa oração fúnebre. Tasca Beat, o álbum de originais dava sentido àquilo que era o mote deste projecto, uma nova tradição para a música portuguesa. O lema dos Oquestrada, o humor. Killing me Song, Cariño e Fado dos Subúrbios com a participação especial de Tony Não sei Quantas, que levou que a representaçãod este nossos colegas roubasse tempo aos verdadeiros protagonistas da noite.
Dead Combo era um dos grandes nomes esperados naquela noite. O duo lisboeta, apesar de bem composto em estúdio, foi minimalista em palco. Começaram com a melopeia, After Peace Swim Twice, com uma guitarra estrondosa do Tó Trips, a Pessoana Quando A Alma não é Pequena e a Menina Dança. Uma das actuações mais interessantes da noita não durou mais do que 25 minutos (no máximo). Houve só mais tempo para a Canção do Trabalho, Rodada e Assobio. Dando espaço para aquele que na minha opinião foi o prjecto mais interessante de João Aguadela.

Com os minutos contados, eis que entra o dueto de Varatojo/Mitó em Perigo de Explosão. Para depois se seguir a entrada da secção rítmica. Estávamos um pouco ambiciosos para ver quem assumia o papel do baixo, o lugar eterno de João Aguardela, e foi quem ficou encarregue de o substituir foi a sua eterna companheira tocando o seu célebre Fender Jazz Bass preto e bordaux. Tocaram quase tudo o que eles tinham de melhor, quase que como uma colectânea de grandes álbuns, Meteorológica, Música, a assombrosa Fé e a linda Monotone. Já para o final, quase de lágrimas escorridas Mitó fez uma revelação ao público que desconhecia da autoria das letras de Aguardela no último álbum - Uma Inocente Inclinação Para o Mal - sobre o pseudónimo de Maria Teixeira, sua avó paterna. Foi sobre esta ideia que cantaram Filha de Duas Mães, um sentimento partilhado por Aguardela.
Houve tempo para uma homenagem final, onde Gabriela e José, pais de Aguadela subiram ao palco para serem reconhecidos pela memorável obra do filho.
Em pano de fundo as quatro cordas do baixo de João Aguardela ecoavam com uma voz saudosa do nosso triste fado. Serás sempre recordado João.


quarta-feira, 4 de novembro de 2009

SLAYER - WORLD PAINTED BLOOD (2009, SONY MUSIC)


«Man himself has become God, and laughs at his own destruction»

Os Slayer são daquelas bandas incansáveis, que de algum modo querem ser os protectores de um dos ramos do metal mais prezados e segmentados. Percusores do trash, os slayer continuam por cá como quem tem de facto algo a dizer, mas pelo contrário epá não têm. Tudo o que dizem não é nada de novo.
Começando pelas letras. Nem a tomada de posse de Barack Obama os fez ter uma atitude mais positiva pelo mundo fora, nem de outro modo seria expectável, ou poderiam ser considerados maricas. Não estes metaleiros estão de acordo com a existência de Bin Ladens e Ahmadinejads, para os rednecks pegarem nas suas caçadeiras, M-16 e bazookas, montados em apaches para destruir esta merda toda. Violência, mas à bons da fita. E venha de lá mais umas quantas guerras para a indústria de armamento não falir. Cheg-ase mesmo a dizer, se bem que com algum satirismo e ironia «Murder is My Future / Killing is my future» em Snuff.
Instrumentalmente as músicas soam sempre ao bom puro Trash. Não é por acaso que falamos de uma das bandas mais dogmáticas, a Santa Sé do metal. Daquelas que nunca comprometeu o seu som e as suas raízes. Com uma dupla veterana e invejável de dois guitarristas/solistas Jeff Hanneman/Kerry King, os Slayer continuam naquilo que é um dos pontos mais fortes da sua música o dueto de 6 cordas. Mas no que a coesão é bom, torna a irredutibilidade mau. A falta de versatilidade a uma banda torna-a menios aprazível e a ideia de que estamos a ouvir a mesma música vezes sem conta. Não podemos dizer que World Painted Blood ou Beauty Through Order tenham alguma diferença estruturalmente relevante, nem mesmo os solos de guitarra. Ou a batida de bateria de Dave Lomabardo - o rei da pedaleira dupla - em Hate Worldwide, tudo se passa com o mesmo vagar. Ao que parece um pequeno álbum de 39 minutos sucede-se a uma vertiginosa trepidação de uma grande música. Nem mesmo a variação de autorias repartida pelo trio Araya/Hanneman/King indica alguma variação. Como se todas estas mentes pensassem em uníssono.
Os Slayer devem ser encarados com respeito, como uma banda de referência dentro de um estilo específico, mas com o passar dos anos eles já têm muito pouco a oferecer, a não ser motivo para muita porrada no meio do moche, com argumentos para se dizer que «epá estes gajos tocam muito».
Ao contrário dos Metallica que foram capazes de criar malhas célebres tinham uma cultura musical muito mais intressante, tendo recursos para se reinventarem. O único tema deste álbum que se aproveita é mesmo «Human Strain».