ÁLBUM DE RECORDAÇÕES#7: THE BEATLES - LET IT BE (1970, EMI/PARLOPHONE)
À semelhança de Abbey Road, Let It Be está carregado de ironia e ao mesmo tempo filosofia de vida. Pelo menos interpreto-o eu assim. Como quem diz, e depois do Adeus, aceitem a passagem das coisas com serenidade.
Numa famosa entrevista a John Lennon, o hippie que seria hoje sir, numa das milhentas perguntas que lhe fizeram aquando e depois da separação dos Beatles, dizendo que não é motivo para lamúrias, porque o material está lá, as músicas estão lá e as discográficas, em especial a Apple (editora fundada pelos próprios Beatles), estará a troco de mais uns soldos satisfazer as saudades de velhos e novos fãs dos Beatles.
Let It be nasceu de um projecto de Paul McCartney que frustrado pela falta de concertos, acabou por criar um marco na história entre outros tantos que os Beatles já tinham provocado. Inúmeras bandas desde então têm dado concertos em telhados, caso dos U2, ou em ruelas de Nova Iorque como os Rage Against The Machine, ou os Doors que deram um em pleno asfalto, ou até em cima de toldos de cinemas como os Audioslave.Há quem considere Let It Be um fracasso. Eu penso que foi, sem dúvida, um sucesso, e foi dos primeiros álbuns ao vivo, a gerar um disco de estúdio. E tantas músicas que sairam deste LP e inspiraram artistas que lhes sucederam. Ainda no seu épico Relase the Stars, Rufus Wainwright pegava na etérea Across the Universe, os Pearl Jam, numa ediçãoe especial do Ten lançavam a movimentada pré-punk I've Got a Feeling.
George Harrison dá o seu hab itual contributo, aqui com uma violenta sátira ao individualismo exacerbado
A balada com orquestração clássica inesquecível de Paul McCartney, The Long and Winding Road, igual à elevação espiritual de Hey Jude mas com o dramatismo de She's Leaving Home ou Eleanor Rigby. Mas nota-se uma influência bem folk/country, influência bem conhecida dos Beatles que tinham uma forte afinidade com Bob Dylan (claro como água em Dig It em que fazem um reedição psicadélica do clássico Rolling Stone) e os novos percusores do folk rock, como Neil Young e os seus Buffallo Springfield. E que maneira melhor de terminar senão com o melhor rock n' roll dos Beatles, Get Back, uma das melhores malhas da História, com Paul McCartney a sacar da sua voz esganiçada, a voz que se tornaria baluarte do rock, e Lennon e Harrison a aproveitrem o melhor da cadência de blues das suas guitarras.George Harrison dá o seu hab itual contributo, aqui com uma violenta sátira ao individualismo exacerbado
E no final «Speaking words of Wisdom, Let It Be», Os Beatles já há muito que faziam história.
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