quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

BALANÇO 2009:

Chegámos ao fim do ano, o penúltimo desta terível década no novo milénio. Aqui ficam os melhores e os piores.

Melhor Álbum: Crack the Skye, Mastodon

Melhor faixa: Count of Tuscany, Dream Theater


Pior Álbum: Scream de Chris Cornell

Melhor Álbum Nacional: Hemisférios dos Dazkarieh / Femina de Legendary Tiger Man

Melhor Concerto: Tributo a João Aguadela - Gaiteiros de Lisboa, Oquestrada, Dead Combo e A Naifa

Melhor Álbum ao Vivo: Ao vivo no hot Clube dos Dead Combo

Melhor DVD: The Roundhouse Tapes, Opeth

Melhor Banda Revelação: Them Crooked Vultures

Pior Banda Revelação: The Dead Weather

Melhor Revelação Pessoal: Opeth

Pior Revelação Pessoal: Chris Cornell

Melhor Regresso: Alice In Chains e Transatlantic

Pior Regresso: Kiss

Melhor Despedida: Delfins, bem agauardado o foi.

Melhor evento político: Tomada de posse de Barack Obama para Presidente dos Estados Unidos

Melhor Livro: As Andanças de Cândido de Miguel Nogueira de Brito

Melhor filme: CHE - Partes 1 e 2 de Steven Soderberg

Melhor Série de TV Dramática: Mad Men

Melhor Série de TV Cómica: Gato Fedorento: Esmiuça os Sufrágios

Melhor Série de Animação: Os Simpsons

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

THE BEATLES - MERRY CHRISTMAS

Um Feliz e Santo natal para todo com muitas prendas no sapatinho , sobretudo com saúde e paz, um Natal decente porquer infelizmente me tiraram o meu. São estes os votos de insignifacâncias reveladas.

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

STRATOVARIUS - POLARIS (2009, VICTOR/EARMUSIC)


Nas minhas andaças pela busca da melhor banda do mundo, e enquanto ficava siderado a ouvir as maravilhas dos Dream Theater, dei-me conta de uns finlandeses maravilha, que conseguiram a proeza de se manterem vivos e activos sem nenhum dos membros do seu alinhamento original, correram o risco de se tronar num fim funesto de uma novela mexicana, ou pior desfecho de um romance de Camilo Castelo Branco versão cigana - tudo morto à facada.
Com Stratovarius o quinteto que se elevou a épico do Power Metal, com o vocalista mais narcisista que já existiu - Timo Kotipelto (superando mesmo James LaBrie), demonstrou punho de ferro na hora de retomar as rédeas da banda. Mais de 15 anos não foram suficientes para impor a Timo Tolkki, o guitarrista fundador, a autoridade necessária sobre a banda. O Choque de Titãs, quase como a rivalidade Gillan/Blackmore dos Purple, chegou para lançar o clássico Vison, o clássico power-metal, ou o mesmo em versão pop com Destiny, até enveredar pelas malhas do porgressivismo Tolkiano em Elements Pt.1 e 2. Até que as coisas traspareceram cá para foram que não estavam bem, e Tolkki foi esfaqueado e Jens Johansson, o teclista chegou mesmo a chamar-lhe o fim.
Veio Stratovairus a vingança de Tolkki, mas mesmo assim tinha um sabor agri-doce e de que as coisas não resultariam muito tempo. Foi então que se despediram que era o líder que lhe chamava um projecto que lhe já não pertencia. Levou consigo o imperceptível Jari Kainulainen.
O melhor que tiveram a fazer foi mesmo a renovar a forta das cordas. O novo sangue trouxe uma dimensão eclética e cheia de ferocidade de encher de notas cada compasso de música.os amadores do classicismo, e conservatório ciraram um épico considerável, igualável, senão mesmo superior a Vision ou Intermission.
Deep Unknown é a demonstração imediatado sangue renovado, com um guitarra soberba e cheia de vitalidade de Matias Kuipianen e a estas se seguem Higher We Go ou Somehow Precious. E no baixista não se fala. Como um Cliff Burton escandinavo, traz-nos das melhores composições do álbum como Forver is Today ou Falling Star, e a virtuosa Suite EmacipationPt.1 e 2.
Mas nem os veteranos se deixam levar ou ser ultrapassados tão facilmente. O mentor Johansson supreendido mas não vencido dá ainda um excelente contributo King of Nothing, Blind e a balada brutal Winter Skies. Um hino à Estrela Polar, vindo dos lobos da Lapónia, das terras gélidas.


quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

ÁLBUM DE RECORDAÇÕES#7: THE BEATLES - LET IT BE (1970, EMI/PARLOPHONE)


À semelhança de Abbey Road, Let It Be está carregado de ironia e ao mesmo tempo filosofia de vida. Pelo menos interpreto-o eu assim. Como quem diz, e depois do Adeus, aceitem a passagem das coisas com serenidade.
Numa famosa entrevista a John Lennon, o hippie que seria hoje sir, numa das milhentas perguntas que lhe fizeram aquando e depois da separação dos Beatles, dizendo que não é motivo para lamúrias, porque o material está lá, as músicas estão lá e as discográficas, em especial a Apple (editora fundada pelos próprios Beatles), estará a troco de mais uns soldos satisfazer as saudades de velhos e novos fãs dos Beatles.
Let It be nasceu de um projecto de Paul McCartney que frustrado pela falta de concertos, acabou por criar um marco na história entre outros tantos que os Beatles já tinham provocado. Inúmeras bandas desde então têm dado concertos em telhados, caso dos U2, ou em ruelas de Nova Iorque como os Rage Against The Machine, ou os Doors que deram um em pleno asfalto, ou até em cima de toldos de cinemas como os Audioslave.

Há quem considere Let It Be um fracasso. Eu penso que foi, sem dúvida, um sucesso, e foi dos primeiros álbuns ao vivo, a gerar um disco de estúdio. E tantas músicas que sairam deste LP e inspiraram artistas que lhes sucederam. Ainda no seu épico Relase the Stars, Rufus Wainwright pegava na etérea Across the Universe, os Pearl Jam, numa ediçãoe especial do Ten lançavam a movimentada pré-punk I've Got a Feeling.
George Harrison dá o seu hab itual contributo, aqui com uma violenta sátira ao individualismo exacerbado
A balada com orquestração clássica inesquecível de Paul McCartney, The Long and Winding Road, igual à elevação espiritual de Hey Jude mas com o dramatismo de She's Leaving Home ou Eleanor Rigby. Mas nota-se uma influência bem folk/country, influência bem conhecida dos Beatles que tinham uma forte afinidade com Bob Dylan (claro como água em Dig It em que fazem um reedição psicadélica do clássico Rolling Stone) e os novos percusores do folk rock, como Neil Young e os seus Buffallo Springfield. E que maneira melhor de terminar senão com o melhor rock n' roll dos Beatles, Get Back, uma das melhores malhas da História, com Paul McCartney a sacar da sua voz esganiçada, a voz que se tornaria baluarte do rock, e Lennon e Harrison a aproveitrem o melhor da cadência de blues das suas guitarras.
E no final «Speaking words of Wisdom, Let It Be», Os Beatles já há muito que faziam história.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

ÁLBUM DE RECORDAÇÕES#6: THE BEATLES - ABBEY ROAD (1969, EMI/PARLOPHONE)


Este, como vários grandes discos da história, tem uma história carregada de ironia, é o anúncio confirmado de um fim. Muito embora, Let It Be haveria de ser lançado posteriormente, este foi de facto o álbum de despedida dos Garotos de Liverpool.
Eles preconizaram o princípio de uma revolução e o seu auge, mas quando a geração hippie comelou a degenerar num futuro profético dee A Laranja Mecânica, a década de 70 já não haveria de lhes pertencer, mas a uma ficção científica fascinante de uma evolução do rock em várias subespécies de rock, tanto mais progressivo, agressivo ou de fusão. Géneros que directa ou inderectamente se reconduzem ao Quarteto Fantástico Britânico.
Não é por acaso que o nome do estúdio ficou para sempre gravado como uma fabulosa colectânea de músicas contemporâneas. As salas de gravação eram uma 2ª casa e o ambiente familiar dava-lhes um certo conforto para a composição. E talvez, ainda que subtilmente, todo espaço lhes dava tranquilidade ao ponto de se tornar um dos desenlaces mais pacíficos da História da Música. Apesar de internacionais, os Beatles não deixavam de ter aquela postura britânica, que acompanha um «beef» para qualquer lado.
Se calhar por úm fim estar próximo, parece que isso ainda elevou mais o nível de composição. «Come Together», é uma das músicas com mais groove que já se fizeram. Se Paul McCartney não for por isto considerado um dos melhores baixistas que já existiram, não sei o que será. Apesar de suave, a música tem um poder, e como sempre uma conotação subjacente que John Lennon imprimia nas letras. As habituais contribuições isoladas de George Harrison com a sua eterna companheira «guitarra-musa», dá um simbolismo e uma magia às músicas dos Beatles, no meio da coalboração hegemónica Lennon-McCartney. «Something» e «Here Comes The Sun» mostra-nos um Harrison, mais afastado do experimentalismo oriental, mas mesmo assim marcante, junta-se às grandes While My Guitar Gently Weeps ou a posterior I Me Mine.
Maxwell Silver Hammer é o prenúncio da revolução dos Hammond Organs que haveriam de vir, de uma maneira profética, e sobretudo alegre. Onde tal como os Lords Ingleses, os Fab Four mostram-se triunfantes mesmo na derrota, ou melhor no fim. E se anterior, o legado instrumental dos Beatles mostra as suas penas de pavão, Oh Darling! mostra o futuro dos coros. Se calhar poucos reconduzem aos Beatles, mas para mim o início dos arranjos vocais começa com a voz esganiçada de Paul McCartney que à Senhor mostra aqui o sentimentalismo do Cromossoma Y, de uma maneiras extraordinária.
E se as supresas acabavam por aqui somos surpreendidos pela «estado de graça» de Ringo Starr em Octopus's Garden. Que não só se safa na secção rítmica, como faz uns fabulosos arranjos de guitarra e voz.
Mas o tema seguramente mais amado dos Beatles, pelos fãs pelo menos, é dedicado à deusa oriental Yoko Ono. Segundo se diz por aí. Lennon estava tão enamorado, que com o seu velho companheiro de armas McCartney, que acabou por emprestar a densidade vocal de que a música precisava. Da primeira vez que ouvi a música, estranhava a similitude impressionante que Finally Free dos Dream Theater tinha com esta faixa. De facto, esta música está revestida de um mito pouco vulgar, que faz dela uma das canções «de todos os tempos».
Até aqui já estaríamos satisfeitos com um excelente lado A para ourvirmos durante muitas e várias horas sem cansar. Só que a tempestade mental do quarteto ainda estava por acabar. «You Never Give Me Your Money», será mais uma das músicas de sempre com a psicadélica She Came in Through The Bathroom Window, que demarcou, como tantas outras, o contributo das drogas para a história da música moderna, tal como o absinto e o ópio determinaram a música romântica e sucessivamente a música do início do Século XX.
Com um toque de sarcasmo os Fab Four, despedem-se com Carry That Weight, música que junta todo o esforço colectivo vocal, óptima para preencher estádios, coisa que poderiam ter feito, mas o grupo nunca quis; e The End que bem a um jeito hippie é uma faixa bem alegre com um forte cunho instrumental, sobretudo das percussões e da guitarra Harrisoniana. Her Majesty marca o paradoxo internacionalista dos Beatles, que nunca deixaram de ser orgulhosos ingleses.


sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

METALLICA AO VIVO NO PAVILHÃO ATLÂNTICO DIA 8.05.10


Quem não olhava para o famoso concerto no Texas em 97 dos Metallica, que lhes value um duplo DVD e pensava, será que algum dia vão se acabar as eternas horas de festival para ver os Reis do Metal lá para as 11 e tal da noite.
Portugal deixou de ser apenas mais um local de passagem para se fazer uma tourné, mas uma visita habitual que se repete de ano para ano. Só que desde 1999 que um concerto por mão própria se repetia. Pois Beavis, Fogels/McLovin's, e outros fãs de Metallica que não sejam tótós. Agora vêm em formato palco 360º. É começar a correr para não esgotar.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

BIGELF - CHEAT THE GALLOWS (2008, CUSTARD RECORDS)


Se fossem jogadores de Ténis seriam considerados como o paladino sueco, Robin Soderling, um «late bloomer», ou seja, aparecidos tardios. Ou então condenados a eternos ilustres desconhecidos, há muitas bandas cujo espírito revivalista vem retomando o rock como um estilo nobre e, acima de tudo, bem elaborado.
Ainda em fase de promessa, mas com grandes cartadas jogadas, foram recrutadas por Portnoy, para a 1ª parte da Progressive Nation europeia dos Dream Theater e dos Opeth. Há quem os chame de Beatles do oculto, mas estes californianos são da melhor mistura entre os Garotos de Liverpool e o quarteto satânico de Birmingham - os Black Sabbath. Aos «Fab Four» trazem o eclétismo o psicadelismo e aos segundos as batidas e os célebres «devil chords» de Toni Iommi, influência mais que visível nos dedos de Ace Mark. Gravest Show on Earth parece a fusão entre o clássico Black Sabbath e o monumental Sgt Pepper's. Ao passo que «Blackball» é o tema mais progressivo, ou não captassem eles a tenção do líder dos Dream Theater, bem ao estilo de uns Led Zeppelin na sua melhor fase de carreira, com uma jam a permear toda a parafernália.
«Money, It's Pure Evil», é o clássico hippie, aqui num estilo muito Floydiano versão Lennon, numa versão bem pop, com uma mistura bem acentuada de distorção.
«Evils of Rock & roll» é puro Sabbath recuperado, com um toque de mestre nos teclados pelo líder Damon Fox. Mas não culmina aqui os seus dotes. De facto, é dos poucos vocalistas a sobressair-se hoje pela sua variedade vocal. Aqui com um estilo bem Deep Purple, com a aspirar aos melhores ensinamentos de Jon Lord.
Mas as portas do inferno abrem-se  em «No Parachute» em que as melhores baladas dos Beatles parecem ganhar vida no oculto bem ao estilo de If I Needed Someone, Hey Jude, Ballad of John an Yoko ou You Never Give Me Your Money. The Game é mais uma vinda directamente de Liverpool, um lado B negro de I Want You (She's so Heavy), como uma versão setentista da mesma.
Mas não seriam progressivos se faltasse o épico Countig Sheep, a música que seria escrita pelo Sabbath se houvesse teclados na banda e escrita em conjunto com a dupla Lennon/McCartney. Estes quatro americanos conseguiram juntar dois mundos opostos que até agora se achava impossível.