ÁLBUNS CONCEPTUAIS#2: PORCUPINE TREE - VOYAGE 34 (2000/2004, DELIRIUM RECORDS)

Dividida em quatro capítulos, Voyage 34 é um paranóia, e um voo imaginário, onde o instrumental é palavra de ordem. Para criar e emprestar o ambiente perdido e confuso, de quase permanente pesadelo, Richard Barbieri mostra o lado electrónico dos Tree, que por esta altura é nítidamente demarcado. Estamos na fase pré-absentia, e por isso. Wilson carrega ainda pouco nos pedais da distorção.
Phase I deparamo-nos com um narrador científico, um autêntico psiquiatra que relata a experiência de Brian. Com um riff suave tipicamente gilmouriano, a que Wilson vai buscar com frequência no seu estilo marca o compasso da viagem ao amâgo do ser. A guitarra preenche a importância de toda a 1ª fase e transporta para o vácuo - a Phase II - com nítida ligação. Brian perde-se por completo em Phase I e wilson empresta um dos seus melhores solos a este projecto, já bem lá para o meio da música. Colin Edwin, um baixista competente e respeitado, tem um ritmo constante e preenche o pano de fundo que deixa wilson brilhar.
A loucura vem já bem mais para o fim, onde o céu é o limite. Na Phase II, é Richard Barbieri quem comanda a viagem de Brian até ao infinito de si prórpio, pela alienação completa. Aqui vê-se uma tentativa experimental de explorar os campos electrónicos, tal como os Pink Floyd o fizeram em Dark Side of The Moon com On The Run. O progresso técnico é visível, mas ideia é a mesma, e não admira que os Porcupine Tree sejam apelidadados como directos descendentes dos Floyd, pois em Voyage 34 essa influência é clara e transparente. Mais até do que em outros álbuns. Com frequência vão ouvir sons e secções musicais no mesmo tom que outras secções de outras músicas, mas isso é natural porque o álbum é em si um conceito e uma história única, um conceito singular que culmina no desespero e no medo de Phase IV. o clímax é a perda da noção da realidade e a dificuldade em ganhar a consicência.
Wilson fez deste álbum um autêntico cavalo de batalha, que ocupou grande parte da carreira dos Tree, que viria a ter o seu lançamento e reedição definitiva em 2004. Um excelente álbum conceptual que merece a atenão até dos mais suspeitos, muito embora a primeira audição seja complicada.
1 comentário:
Muito bom esse review cara, valew
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