sexta-feira, 22 de junho de 2012

THE OFFSPRING - DAYS GO BY (2012, COLUMBIA RECORDS)

Foi com uma surpresa renascida que vi os re-chamados deste ano para o 2º dia do Rock In Rio 2012 (repetindo quase a papel químico o alinhamento de 2010, exceptuando Muse).
Os Offspring são provavelmente das bandas que trago comigo de um passado mais distante. Desde os tempos em que o punk virou pop, e Americana alcançava os tops das tabelas.
De uma certa maneira, esta crítica em um sabor nostálgico, muito embora hoje signifiquem muito pouco.
Os Offspring são daquelas bandas que se recusam a desaparecer, mas cujo estatuto de dinossauros não se equipara aos colossos (Metallica, Pearl Jam entre outros). Isto leva-me a concluir que cada vez mais a música é para os músicos encarada como uma profissão e de facto assim. Estas pessoas fazem isto como ganha-pão. Mas o senão é que quando se prossegue uma carreira artística estritamente como obrigação, a inspiração e a criatividade surgem com menos frequência. E a pressão para lançar para alimentar máquina é constante.
Tal facto, explica a razão de o sucessor Rise and Fall, Rage and Grace ter demorado tanto tempo a surgir (a meu ver pelo menos). Tal hiato deu para várias digressões (no meio das quais Days Go By surgiu), e ainda para uma compilação de sucessos - Happy Hour!.
Days Go By tal como o próprio título sugere é uma especulação sobre o impacto da passagem do tempo, à qual os Offspring não são diferentes. E com a passagem do tempo vem a decadência. E para quem pode pensar que os Offspring tiveram um declínio, muito por culpa da atitude sell-out, especialmente a partir de Smash..... bem essa atitude virou imagem de marca.
Desconheço o material posterior a Americana, e sinceramente nem me interessa, porque para mim os Offspring pouca coisa tiveram a acrescentar desde então. Simplesmente são daquelas bandas que se mantém na estrada porque têm de o fazer. E carregar esse fardo torna-se mais fácil, a partir do momento que o fazemos com os colegas de liceu, que conhecemos há quase 30 anos, e que as coisas marcham bem entre nés.
Porém a criatividade (ou falta dela) pode afectar, e o facto de se revisitar o clássico Dirty Magic de Ignition revisitado (num álbum original que é algo que me causa muita estranheza, mas não são os únicos) prova isso mesmo. Os Offspring foram daqueles que, e se calhar muitos dirão que fazer êxitos comerciais são grandes feitos, pegaram no pós-punk rock (sobretudo o ligado ao movimento skateboarding), e deram-lhe uma dinâmica mais pop. Ao passo que outras bandas como Pennywise ou Dead Kennedys nunca deram grandes vazas nessa matéria.
E assim chegamos ao desenvolvimento de uma atitude, que vem desde os gloriosos dias de Smash, e resultou em malhas mesmo «lames» como OC Guns, que realmente não têm nada que ver com nada (a não ser referências aos gangs hispano-americanos). Vá lá, podemos dizer que, pelo menos, eles tentaram agarrar-se ao seu bqackground. Mas para além disso, pouco mais há a haver, ta como Days Go By nada mais é do, que uma tentativa copiosa do que o êxito Times Like These dos Foo Fighters.
Como não podia deixar de ser, há sempre aqueles temas da adolescência, que lembram NO FX, mas que a maturidade já não deixa apreciar, ou até mesmo a mais speedada, tipicamente punk, Dividing By Zero.
Quanto mim, sinto-me mais confortável em rever Dirty magic, que até me espicaçou para voltar a ouvir Ignition, mas tirando isso, Days Go By é exactamente isso, tão passageiro quanto os dias......

quinta-feira, 21 de junho de 2012

JACK WHITE - BLUNDERBUSS (2012, THIRDMAN RECORDS/XL RECORDINGS)

Aos 36 anos Jack White (nascido John Anthony Gillis) é já um acontecimento musical, uma lenda do rock.
Membro de 3 grandes projectos musicais (um deles está findo, é certo); Dono da sua própria discográfica que encetou um ciclo de produção de discos contra-corrente (3rd Man Records só trabalha com vynis); está pronto a relançar a sua carreira musical a solo, e toda a gente quer trabalhar com ele, até os Radiohead estão radiantes com isso e anunciaram-no publicamente durante um concerto.
Já para não falar que White é um dos músicos mais talentosos, tecnicamente arrojado, e inovadores que existe actualmente.
White foi inclusivamente nomeado embaixador musical de Nashville.
O que acho mais interessante em White é a capacidade peculiar que ele tem de juntar o moderno e o clássico, e isso é notório em Blunderbuss.
Para começar pelo próprio nome retirado de um Western reinventado, esta espingarda de cano largo reflecte a energia explosiva do álbum, mas também o lugar especial que as armas de fogo representam na mitologia norte-americana. E Jack White agarra-se isso. Melhor, ele é parte disso.
Em Blunderbuss temos oportunidade de reescutar a concepção musical de white que, aliás não se distancia muito dos White Stripes. Está lá tudo. A guitarra frenética, o organito, talvez com um pouco de toque mais sulista, ao jeito de Nova Orleães [Trash Tongue Talker ou Hip (Eponymous) Poor Boy], e uma bateria não tão minimalista. Mas todos nos habituámos ao som característico de White, seja a nível instrumental, ou vocal.
E Blunderbuss está cheio de grandes malhas, algumas para rasgar audiências como a introdutória Missing Pieces (que me faz inevitavelmente lembrar Raconteurs), ou a já clássica Sixteen Saltines e Love Interruption.
Mas White demonstra que não só vive letras e atributos vocais. Muitos consideram um dos guitarristas mais criativos e emblemáticos modernos, e Freedom at 21 é prova disso mesmo.
Recentemente, e com o fim anunciado dos White Stripes, um dos grupos incontornáveis dos últimos anos, falava-se da substituição pelos Black Keys, um espécie de Doppleganger, sobretudo depois do afastamento dos White Stripes.
Mas o que a música prova todos os dias, é que há espaço e sucesso para todos aqueles que, de facto, têm uma veia artística. E tanto White como os Black Keys tem o seu espaço merecido no sucesso, bem como as sua criatividade dá-lhes muito mais reconhecimento de que a sombra que poderiam criar uns sobre os outros.
Blunderbuss permitiu a White cimentar o seu espaço e abrir o livro sobre os White Stripes, facto que deixou o mundo em choque em Fevereiro de 2011. Não foi uma jogada fácil revelou White, mas o facto é que Meg não conseguiu no final lidar com a pressão, e com a falta de confiança na sua performance como baterista. Essa situação levou a própria a um cenário depressivo que acabou por comprometer a presença da banda.
Julgo que os White Stripes era o projecto de vida de White em determinado sentido. E ele sabe também que não o podia prosseguir sem Meg, que é inevitavelmente parte da identidade da banda. Com este espaço, White é a presença de um homem que já fez o Grand Slam da música, e não dá sinais de afastamento, tal como os residentes de Nashvillhe continuam a fazer o seu El Camino.

quarta-feira, 20 de junho de 2012

SMASHING PUMPKINS - OCEANIA (2012, EMI/CAROLINE DISTRIBUTION/MARTHA'S MUSIC)

Aos 45 anos, Billy Corgan é um homem capaz de carregar consigo um projecto de uma vida inteira. Um Axel Rose de uma maneira muito própria (só que musicalmente mais bem sucedido... e podemos dizer íntegro), Billy Corgan poder-se-á dizer é os Smashing Pumpkins.
Já sem qualquer dos companheiros de fundação do quarteto de Chicago, Billy Corgan segue o seu caminho, um pouco como os Killing Joke ou os Cult que se recusam a ser riscados do mapa musical.
Em Abril de 2012. Corgan falava sobre lançar um álbum dentro de um álbum. Ao contrário do que aconteceu em 2009 com Teargarden by Kaleidyscope, cujas músicas foram sendo lançadas uma por uma através do site oficial da banda (reflexo da crise discográfica que o mundo da música hoje atravessa), Oceania foi lançado numa apresentação mais coesa, mas nem por isso menos dispersa. Aliás, este era para ser lançado exactamente no mesmo formato, mas Corgan acabou por hesitar no fim porque a estratégia de marketing que havia sido produtiva no passado, inclusivamente com outras bandas (caso dos Radiohead) se havia esgotado.
Este tipo de atitude reflecte não só as discográficas, mas também da parte dos próprios músicos, (e talvez no limite até os próprios ouvintes) em saírem do formato LP. Conceito a que toda a indústria se tem agarrado desde meados dos anos 50, quando a música começou a representar um fenómeno social significativo.
Mas olhando para o álbum, com efeito, não distinguimos um fio condutor, nem uma marca especial que se realce nestes álbuns tão-pouco. Na verdade, todos os álbuns produzidos e escritos pelos Smashing Pumpkins, desde o fim do hiato de 5 anos em 2007, têm dificuldade em ultrapassar o simbolismo de Mellon Collie ou The Siamese Dream, as referências por excelência dos Smashing.
Oceania é um álbum sobretudo introspectivo, sobretudo calmo, mas com diferentes tonalidades, algumas até, quer-me parecer, estranhas a atitude dos Smashing. Vemos algumas reminiscências do passado como Pale Horse, ou The Chimera (talvez aquela que mais lembre os clássicos) e claro a faixa de longa duração Oceania. Mas também um importante pendor electrónico desconcertante, com se os Smashing devessem alguma coisa à pop, ou a busca aí de um cunho qualquer. Exemplos severos disso serão, talvez, Pinwheels, Violet Rays, One Diamond, One Heart.
Tirando, talvez, a faixa de abertura - Quasar - que acaba por ser um falso mote, que irrompe pelo álbum como uma tempestade marítima. Ficamos surprenndidos como o álbum de repente, desacelera, e torna-se numa calma atmosfera marinha. O nome poderá mesmo sugestionar um calmo e tranquilo passeio vespertino (ou matinal conforme a preferência) pela costa oeste do norte (considerando que terá sido este o ambiente de inspiração para Corgan).
Por outro lado ao nível das letras, há aqui um trabalho desenvolvido por Corgan, ainda que no âmbito da narração de estórias, não se demonstre nada. Oceania é mais um relato de estados de espírito, passado num ambiente bucólico onde se expressa amor platónico (My Love is winter) e uma absorção do individuo pela natureza, numa paixão muito camoniana (Wildflower).
Oceania é um álbum mediano, que acaba por ser um resultado de demonstrar trabalho, e alguma falta de inspiração real, para dar cor aos grandes feitos do passado.

terça-feira, 19 de junho de 2012

SIGUR RÒS - FJÖGUR PÍANÓ

Shia LaBoeuf despe-se para os Sigur Rós. Este rapaz tem vei artística. 4 pianos é o nome da faixa do último álbum, concebido exclusivamente para constituir de música de inspiração a imagens cinematográficas.
CIRCUS MAXIMUS - NINE (2012, FRONTIERS RECORDS)

Os Circus Maximus são daquelas bandas que facilmente poderiam ser confundidas como uma banda de tributo. Bizarro é, que eles também não fazem muito por se descolar desse rótulo. Provavelmente nem o querem tão-pouco.
Quando me apercebi da sua existência, (ainda me lembro da primeira vez que ouvi o tema forte Imperial Destruction, que aparece como faixa bónus de 1st Chaopter) parecia que estava a ouvir um lado B, ou um tesouro perdidos dos Dream Theater, em todos os sentidos. O som límpido e cristalino, a guitarra tecnicamente rebuscada, os teclados virtuosos, o baixo melódico e bateria construída a compasso e contratempo.
Só quando a voz entre, percebemos que o LaBrie trabalhara demasiado as suas cordas vocais, para ser ele próprio.
Eu tento pensar que os Circus Maximus levam as suas influências muito a sério, só que para quem os escuta, parecem copiosamente,de uma forma criativa (no sentido de que não plagiam escandalosamente), os Doppleganger de uns Dream Theater. É impressionante.
Mais interessante ainda é que apesar de todas estas circunstâncias, os Circus Maximus conseguem ser apelativos. E isso é notório na faixa introdutória - Forging - e a épica que se lhe segue - Architect of Fortune.
Porém, toda esta atitude musical, tem um reverso que é, a procura de identidade, para além do facto de poderem ser colados à sombra de um gigante do género (musical). Esta atitude reflecte a dificuldade em encontrar um espaço próprio. Penso que esse facto explica em muito o período de tempo entre o último LP e o anterior, Isolate, ainda que não tenha surtido efeito. No fundo, os Circus Maximus ficam para quem quer mais do mesmo, ou do parecido.....
Depois de um hiato tão grande a banda anunciou num concerto privado de que iria lançar o seu terceiro disco (cujo nome seria radicado por 2).
O guitarrista Mats Haugen, força criativa por detrás do novo álbum, disse que a orientação seria mais virada para as 6 cordas. O que não admira, dadas as rivalidades tão grandes na composição e performance entre as guitarras e os teclados, o equilíbrio tombou a favor de quem conseguiu compor.
A mim quer-me parecer que o paradigma por detrás do novo álbum parece bem mais electrónico e claramente numa postura mais melódica.
Como seria de esperar, a proximidade com os rapazes de Long Island é inevitável. Não sei se se deve ao facto de a minha mente estar formata, mas as semelhanças com «A Dramatic Turn of Events» são visíveis, e não me admira que tenha rodado muito naquele estúdio de gravação. Architect of Fortune, por exemplo, parece-se perigosamente com Breaking All Illusions.
No entanto e apesar de comparação ser inevitável, a faixa é um tema poderosíssimo. Muito eclética, com um bom trabalho de arranjos por detrás.
Quem busca como eu a postura agressiva e trepidante, com um riff bem sacado, encontrá-lo-á em Nine. Um bom exemplo encontra-se em «Game of Nine» que tem uma arquitectura da excelência da guitarra, bem como postura harmónica bastante interessante dos teclados.
Directamente de Nine sai a balada directamente para as rádios do género - Reach Within. [Coisa que aliás fazia falta em Portugal, rádios especializadas ou orientadas para determinados tipos de música]
A faceta mais pop mantém-se em I am, Used, ou The One, e que constituem aquelas mais descartáveis. Mas a marca de Nine continua a ser a alusão aos irmãos Cohen em «Burn After Reading», com um bom trabalho vocal por parte de Mike Eriksen, suportado pelos momentos criativos do guitarrista Mats Haugen, que se apresenta como uma máquina de criar riffs. Suportado claro está pela secção rítmica de formação clássica Glen Cato Møllen no baixo e Truls Haugen na bateria.
Nota-se ainda algum desalinho na ordenação e construção das faixas e de um disco como um todo. Não se compreende como uma faixa forte como Namaste, ou Game of Life, que introduzem o tal «nervo psicológico» de riff, num afinação muito própria da distorção da guitarra (na melhor linha da tal música de referência Imperial Destruction), se siga à faixa épica, que ficaria melhor a rematar o final do álbum.
Todavia, quem fugiu aos Dream pela dificuldade em ouvir James LaBrie, encontra em nos Circus Maximus um vocalista com uma versatilidade não menos abrangente. Apesar da nitidez, e da limpidez vocal, Mike Eriksen sofre do mesmo problema de LaBrie, um timbre vocal pouco versátil, capaz de dar tonalidades diferentes à música. Ora com uma postura mais agressiva, ou mais melódica. O meu paradigma neste sector continua a ser, indelevelmente, o vocalista dos Symphony X, Russell Allen que consegue imprimir uma voz mais rouca, mais agressiva, característica do heavy ou trash metal, conciliando a uma visão mais clássica e harmónica.
Last Goodbye é aquela música que tem tudo para ser um clássico, tirando, claro alguma pobreza lírica, mas que instrumentalmente está muito bem conseguida, e um refrão, podemos dizer um bocado lame....
Olhando para todo este cenário, a comparação é inevitável.....
MEGADETH - A TOUT LE MONDE

Grande balada poderosa, com um toque frenchy....

segunda-feira, 18 de junho de 2012

IGGY POP - REFLEXÕES SOBRE O NOVO DISCO APRÈS
A propósito das novas aventuras musicais de Iggy Pop.... Iggy mostra-se mais romântico e no seu lado mais sensitivo. La vie en rose pour Iggy