quinta-feira, 6 de setembro de 2012

DIABO NA CRUZ - ROQUE POPULAR (2012, MURMÚRIO)

Quando apareceram em 2009, os Diabo na Cruz (que sempre foi um projecto de vida do então já sólido cantor a solo Jorge Cruz), representaram uma autêntica lufada de ar fresco na cena musical portuguesa.
Quando questionado sobre o seu projecto, Jorge Cruz afirmou que os Diabo na Cruz representavam o roque (sim rock, mas mesmo lusitano) português. Tal como os Brasileiros haviam arranjado maneiras de reinventar a bossa nova com novas musicalidades, assim se propuseram também os Diabo na Cruz.
Para mim, soou como música estridente, e o brilhante Virou! explodiu, ainda que subrepticiamente, na cena musical portuguesa, e na minh'alma lusitana. Precisávamos de uma banda assim e talvez de muitas outras. Virou! em simultâneo com o combate EP, posteriormente reeditado em formato especial, sabia a tudo, até a pouco. As músicas muito bem, construídas, tinham um ar irreverente, roqueiro, e sobretudo, bem português.
Isso foi o que mais me apelou em Diabo na Cruz, o sentimento de pertença e de identidade que se demarca em toda a sua força e plenitude. As letras são belas, coerentes, e denotam que de facto, o português é uma língua bela e com aptidão musical, capaz de ter uma atitude bem roqueira, sem soar a foleirice. E apesar de apreciar o valor artístico de certos músicos portugueses, há que admitir que o contributo de bandas como os Diabo na Cruz é maior do que o dos rendidos à cultura externa.
E para quem poderia pensar que estava aqui sol de pouca dura, eis que os Diabo na Cruz voltam com Roque Popular, e com uma tarefa tudo menos fácil - igualar Virou!.
A vantagem surpresa, estava à partida ultrapassada, e já com B Fachada fora do barco (para se dedicar aos seus álbuns cada vez mais merdosos e que também já em nada contribuía para a viola braguesa), Roque Popular acabou por se revelar uma pérola, um clássico da nova música portuguesa. Porquê?
Bem, podemos dizer que de facto Jorge Cruz é um tipo que se interessa mesmo pela música portuguesa, e com a colaboração preciosa dos dois Feromona João Gil nas teclas (simplesmente fenomenal), e Bernardo Barata no baixo, as coisas tornam-se mais fáceis. Aliados à bateria omnipresente e plenamente adaptada ao folclore português de João Pinheiro, estão no caminho certo para continuar a cruzada.
A acompanhar a saída de Fachada, para a Viola Braguesa, e para a percussão, foram os recém-chegados Márcio Silva e Manuel Pinheiro, ambos com um currículo respeitável.
Sete Preces, primeiro single de estreia, mostra que os Diabo na Cruz não são bandas para fazer compromissos, nem precisam tão-pouco. A sua música reflecte a sua natureza. E se Sete Preces são uma reflexão sob a natureza portuguesa, já Luzia é uma manifestação da nossa melancolia natural... «Vim às Festas da Sra. da Agonia».
Bomba-Canção é, por sua vez, a abertura  em força do novo disco, o qual já deu lugar ao seu próprio teledisco. Intermitente e poderosa, mais parece a banda sonora de uma feira popular. Já Baile na Eira, associa-se a uma congregação bairrista, e Estrela da Serra uma revisita ao folclore.
Descortinar estas músicas pode ser difícil. Elas imbuem-se no nosso espírito como povo, narra a história de que nós somos, e o reflexo de que vivemos, de uma maneira lírica muito particular. Situação esta que, aliás já acontecia com Virou!. E no seguimento desse mesmo espírito Jorge Cruz e companhia sucedem bem no seu propósito. Agora resta aguardar de ver e ouvir em 3D.

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

ZZ TOP - LA FUTURA (2012, AMERICAN RECORDINGS)

De todas as bandas sulistas, os ZZ Top são para mim aqueles que têm maior significado pessoal. Com uma atitude muito simples e directa, eles fundem o blues com o rock da melhor maneira, e sempre com perspectiva muito fronteiriça, quase mexicana, que distanciam-nos um pouco dos red necks puros e duros.
Para além disso são uma banda sólida, com um estatuto lendário, e uma imagem confundível, os ZZ Top podiam encostar-se calmamente, e gozar o resto da reforma ao som La Grange ou Tush (para mim, claro, tem de lá estar Brown Sugar). Sobretudo depois dos depressivos anos 90, em que os grandes dinossauros do passado foram arrecadados, a vaga revivalista de meados dos ano 00 trouxe-os de volta à baila e para o palco principal do rock. No entanto, no que toca a lâminas, nem pensar.....
La Futura, (antecedido pelo EP de aquecimento Texicali) é um álbum muito ortodoxo, e muito clássico no sentido mais apurado do termo. Aliás para quem já vai no seu 15º álbum e com quase 40 anos de carreira, inovar não é pórpriamente o seu lema.
No seu próprio sentido, pode-se dizer que não fogem àquilo que os sempre caracterizou, e definiu, até mesmo na afinação dos instrumentos, particularmente da guitarra... a omnipresente guitarra 
Em primeiro lugar, a capa, mais parece saída de dois rabis e um franciú, que vão passar umas férias ao México, demonstra aquilo que estre trio representa, e o que os faz continuar.... um colectivo bastante coeso.
I Gotsa Get Paid podia ser um álbum directamente extraído The First Album, ou Tres Hombres. Com um riff muito bem construído por Gibbons, ao típico estilo blues rock sulista.
Quando convidado a falar sobre o álbum, Billy Gibbons falou da diferente aproximação imposta por Rick Rubin. Em vez de cada instrumento gravar a sua parte, e a voz por sua vez. Ao invés disso Rubin propôs que os ZZ Top se apresentassem como eles próprios, todos juntos a tocar numa sala, sob uma luz vermelha.
Rubin já tinha travado contacto com Billy Gibbons no passado, mas nunca houve a oportunidade de fazerem uma colaboração efectiva. Quando Rubin disse que queria os velhotes do Texas a trabalhar (como se fossem suas bitches), Gibbons ficou surpreendido com a ideia, e apresentou-os aos outros camaradas.
Volvidos 9 desde Mescalero, os Rangers pareciam estar a precisar de retomar a sua actividade.
Consumption, que já vinha sendo tocada ao vivo há algum tempo, parece disparada directamente do First Album. Tal como Brown Sugar, com um tom funky, mas mais leve, as músicas demonstram exactamente a força e o carisma de Billy Gibbons, com uma voz rouca e preenchida, tipicamente blues, aliada a uma guitarra de sonho. Heartache in Blue, por sua vez, revive o toque da harmonica,
Mas nem só de Blues vivem os ZZ Top, Fly High mostra a faceta mais roqueira dos texanos, que ironicamente fez a sua estreia ao mundo pela mão do astronauta da NASA Mike Fossum, apesar de It's too Easy Mañana se aproximar bem mais do space rock, com o solo fenomenal de Gibbons do que esta.
Em suma La Futura é mais um marco na carreira dos ZZ Top, o símbolo do que eles representam, e sobretudo um reflexo no espelho daquele trio que parece sobreviver ao teste do tempo.

terça-feira, 4 de setembro de 2012

MÚSICA DO DIA... TEM DIAS#6 WHITE STRIPES - DEATH LETTER
Tenho um respeito crescente e cada vez maior por este grande guitarrista dos nossos tempos. Este homem abusa nas 6 cordas e tem um voz do caraças....
MARK KNOPFLER - PRIVATEERING (2012,MERCURY RECORDS)

Mark Knopfler é daqueles artistas, agora com uma carreira a solo, que nunca se poderá desprender da banda que liderou e lançou para o estrelato, os Dire Stratis. Poder-se-á dizer agora com um sólida carreira a solo, mais vasta e, talvez, igualmente rica à da sua banda, não chega para ultrapassar o nome dos gigantes dos blues dos anos 80, mas coloca-o lado a lado numa digressão europeia conjunta com o colosso americano Bob Dylan, a propósito do seu mais recente lançamento Tempest.
E o título não poderia ser menos sugestivo. Privateering designa o acto de voluntariado ou de recrutamento para um navio particular de auxílio ao Estado em momentos de guerra. Apesar de privado, é um acto de serviço público, uma requisição civil voluntária se quisermos. Hoje poder-se-á ler como juntar-mo-nos a uma banda para demarcar uma posição no mundo à tua volta. Será um apelo às Pussy Riot??!?!!! Para mim, as semelhanças aproximam-se muito àquilo que os Black Keys representam hoje. A começar pela capa de El Camino, com a qual se parece terrivelmente.
Knopfler fez um movimento que poderíamos dizer tanto ousado, como arriscado. Lançar um duplo sobretudo quando a indústria discográfica está em profunda depressão. Mas já percebemos que não são as estratégias de marketing que fazem mover um artista como Knopfler. A sua criatividade frenética, e sobretudo a sua capacidade para lançar faixas icónicas que o puxa adiante, e leva o ouvinte a deambular por uma variedade imensa de estilos musicais.
Apesar de ser uma das lendas do Roque, Mark Knopfler faz aquilo que diríamos ser um passeio pela memória, e sobretudo pelas suas influências, e versatilidade do rock. Podemos assim visitar o folclore celta em Haul Away, um Jazz ambiente em Hot or What, ou Ambiente clássico de Radio City Serenade, ou um Blues do Delta «I Used to Could». Com uma voz cada vez mais amadurecida, há quem o compare a um Leonard Cohen, mas as letras estão longe de ser influenciadas pelo poeta canadiano. Hot or What, por exemplo, mantém viva a sexualidade masculina de Money For Nothing, enquanto Radio City Serenade assemelha-se, por sua vez, muito mais a um estilo Tony Bennett, ideal para uma paisagem nova-iorquina de inverno, com um toque folk.
E é nesta faixa que o tom crítico de Knopfler mais se faz transparecer. Em vez da exuberante vida citadina, Knopfler frisa as vicissitudes, e sobretudo os «senãos» desta vida galanteosa, "You've got to have no credit cards, to know how good it feels", ena mesma senda segue-se «Used to Could», que aborda temas como as adversidades e dificuldades da vida, e em particular o reverso da medalha das crises. E não podemos deixar de pensar em muitas das alegorias igualmente transmitidas pelas metáforas naturais de «Bluebird».
Num aspecto mais técnico, não deixa de ser curioso que, muito embora a guitarra seja a força instrumental, existe igualmente espaço para outros instrumentos brilharem. Seja o piano, ou as gaitas de fole, ou as harmónicas, Knopfler distancia-se da visão de outros congéneres que destaca puramente as 6 cordas.
Em vez disso Knopfler opta por uma visão de canta-autor, que lhe fica definitivamente melhor do que o virtuoso.

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

MÚSICA DO DIA.... TEM DIAS#5: RED FANG - MALVERDE As bandas promovem-se umas às outras, e esta não foi excepçõ. Advinhem lá a que é que isto soa e descobrirão, como a descobri.

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

THE GASLIGHT ANTHEM - HANDWRITTEN (2012, MERCURY RECORDS)

Encarados como promessas de um certo movimento revivalista, e amplamente patrocinados pela Uncut, os Gaslight Anthem apresentam-se como esperanças vazias de um regresso ao vynil e ao rock das massas do passado, com claras reminiscências country.
Herdeiros da música versão Tom Petty, os Gaslight Anthem dão um ar indie, e revivalista ao rock country. Apesar do seu reconhecimento, e a sua veia poética, a qual é subtilmente representada pelo tema «Handwritten». No entanto, bnão os consigo ver para além de uma banda sonora dos liceus americanos (em particular dos estados do interior), onde os jovens, não tão OC, vão deambulando pelos corredores, retirando objectos dos cacifos.
Sinceramente, talvez por que seja eu um estreante, não consigo encontrar tanto encanto na banda do tipo-que-é-capaz-de-ter-relações-familiares com um grande comediante americano. 45 entra-me pelo ouvido como se se tratasse da abertura dos novos filmes da Disney, e então a homónima Handwritten nem se fala, com os habituais coros «wo'oh» que cheiram e destilam a abuso por tantos artistas a longo dos anos.
Apesar de não ser um grande fã, respeito Tom Petty. E ao que parece também Brian Fallon, que até lhe dedicou uma versão da sua música, que surge no final do disco «You got Lucky». Mas se isto é influências, valha-nos Deus. Do criador de Free Fallin', vejo pouco ou nada.
Realmente o que se pode aproveitar de Handwritten é a voz, mas mesmo esta nada tem de original, a não ser restícios dos tempos das vozes esganiçadas e sujas do grunge, o qual reverteu num espírito de rua que os Gaslight Anthem se querem fazer representar. Homens do povo, quase se poderiam chamar. Aliás, apesar de quererem parecer horizontias, e um grupo coeso, sem espaço para individualidades, mas a voz e a guitarra rítmica de Fallon são tãpo omnipresentes, que nem dão espaço para os outros instrumentos respirarem.
A bateria de Benny Horowitz marca compasso, ao passo que o baixo de Alex Levine é completamente abafado pelo som das guitarras. Até mesmo a guitarra de Alex Rosamilia é incapaz de trazer algo de novo. Até porque Handwritten, pode mesmo vir do coração (talvez), mas é talhado para a pop, e isto que se fez já está muito batido.

sexta-feira, 13 de julho de 2012

CULT - CHOICE OF WEAPON (2012, COOKING VYNIL RECORDS)

No começo do concerto no Hellfest há alguns anos, e após o seu regresso, marcando o fim das desventuras de Ian Astbury nos reformados The Doors, este dizia perante a plateia de metaleiros de que os Cult poderiam estar um pouco des-situados  face ao conceito do festival, pelo facto de não serem uma banda heavy metal. No entanto, uma coisa se seguiu «One thing that's for sure, we like to rock n' roll».
Provavelmente a atitude mais disseminada hoje em dia, e que recebemo-la desde os finais dos anos 50, inícios de 60.
E não é estranho pensar que as bandas que mais continuam a rockar forte e feio, sejam as bandas britânicas. De facto foi do velho continente, particularmente de uma ilha posh que estava ainda a beber e encontrar a sua identidade nos blues amercanos, quando um nigga americano de seattle veio conquistar os antigos donos do mundo. O resultado foi estrondoso, particularmente nos guitarristas desta geração que lentamente começavam a demarcar-se e a encontrar o seu estilo.
As coisas evoluiram, e os Cult continuam a ser uma marca desse legado, e a demonstrar que os velhos continuam a ser bons e a mostrar a muitas bandas novas, para quem o dinheiro representa quase tudo, como é que se compõe o ramalhete. Apesar de serem de uma fase posterior (bem posterior da revolução cultural), directamente saídos dos anos 80 (mas sem sintetizadores, graças a Deus...), os Cult acompanharam a ascensão e declínio de Manchester, apesar de não serem de lá oriundos.
Choice of Weapon é isso mesmo, um regresso às origens. Com um nome a usar uma expressão caricata Weapon of Choice, os Cult invertem as tendências, com um pouco de Sir William Golding no seu pensamento.
Com uma formação renovada e consistente baseada na dupla que continua liderar a banda (Astbury e Duffy), os Cult continuam a demonstrar que são uma banda que não reduz na sua atitude, nem na sua veia artística. E os resultados dessa liberdade e irredutibilidade dão provas de um grande disco, com uma atitude plenamente rocker. Prova disso é a malha infalível de The Wolf, num estilo muito próprio de Billy Duffy, com os arranjos da guitarra a dar mostrar dos seu contínuo emblematismo, muito próximo aliás do seu contemporâneo The Edge, mas mais agressiva claro. Mas isto não se fica aqui, todo o disco é um grande exemplo de excelente trabalho de guitarra, seja no single já lançado - For The Animals - ou mesmo Amnesia ou em Honey From a Knife.
Mas falaramos só das 6 cordas seria redutor. Astbury não é à toa que é um vocalista singular. A sua voz grossa, mas sentida e presente terá, porventura, deixado uma marca para tantos outros vocalistas que se lhe seguiram, Layne Staley é um excelente exemplo disso.
Apesar de estar talhado para as faixas mais agressivas como Lucifer ou A Pale Horse, Astbury dá mostras de uma melancolia profunda e introspectiva, tantas vezes condizente com o grunge como Life >Death, ou Wilderness Now.
E a atitude dos Cult continua lá, muito virada para as raízes e para um certo saudosismo ameríndio, que talvez não seria tão visível no regresso durão de Born Into This. Ao contrário deste último em que os Cult pareciam demonstrar que tinham e sentiam que era seu dever regressar, Choice of Weapon é mais sereno e percorre a sua atmosfera e mitologia, com Astbury a recolher ensinamentos da narração de estórias do seu alma mater dos Doors, Jim Morrison.
Choice of Weapon é, sem dúvida, um dos discos a levar deste ano de crise....

quinta-feira, 12 de julho de 2012

MÚSICA DO DIA... TEM DIAS#4: BRUCE SPRINGSTEEN - AMERICAN LAND

Uma música linda e inspiradora, com uma melodia irlandesa da qual sou fã e umas letras inspiradoras. Não fosse ele o Boss

quarta-feira, 11 de julho de 2012

MÚSICA DO DIA... TEM DIAS #3: METALLICA - I DISAPPEAR

Provavelmente odiada pelos fãs dos Metallica, esta é uma música que recordo com agrado e nostalgia.... o puto que começou aouvir Metallica. Mas claro que isto não é trash. Hard Rock quanto muito!!!!

terça-feira, 10 de julho de 2012

MÚSICA DO DIA... TEM DIAS: #2 CULT - THE WOLF

Uma velha balhada feita em nova. O velho que regressa novo, é sempre um grande regresso e esta é uma malha. Substituia-a pela For The Animals. The Wolf acho que era um single com um potencial bem mais adequado para ser single....

segunda-feira, 9 de julho de 2012

SUPER BOCK SUPER ROCK - DIA 7 DE JULHO, HERDADE DO CABEÇO DA FLAUTA, PRAIA DO MECO



Peter Gabriel Setlist Super Bock Super Rock 2012 2012, New BloodParti para este SBSR um pouco de surpresa e sem grandes expectativas. Poucas foram as experiência de acampamento, se bem que recompensadoras algumas, ou as longas jornadas de festivais. Hoje, a palavra de ordem de contenção da bolsa ordenou que fosse um dia, e graças à contribuição de alguém muito especial pude ir ver a experiência única daquela que para mim é a derradeira voz dos Genesis - Peter Gabriel.
Mas haveria bons e mais momentos para partilhar neste dia na herdade da Casa Branca.
Enquanto fazíamos o percurso de carro, ironicamente (ou nem tanto) Bebe, a espanhola indomável dava a sua entrevista no irredutível castelhano. Sabe bem, até porque hoje em dia estamos assoberbados por tudo quanto é lado de inglês. E esta falta de diversidade linguística, claro está, irrita-me. Cansa-me mesmo.....
Para além disso houve a excelente surpresa que foi Aloe Blacc.
Curto mas intenso, mesmo sem ter visto tudo, fomos para uma paragem na rotina e no desgaste do trabalho para o qual é, crescentemente difícil encontrar motivação. Esta pequena interrupção ajudou-nos noutra perspectiva a retirar frustração do quotidiano. Bem foi um serão engraçado, apesar de não estar dentro do espírito do festival.
Bem, como referi há pouco, a recepção esteve a cargo da Bebe, uma espanhola muito, muito selvagem. Ou pelo menos a demonstrar o verdadeiro sangue latino.... quente e indomável. Ao passo que nas nossas paragens as mulheres primam por serem conhecidas por recatadas, e melancólicas... Bebe demonstra o verdadeiro sangue valenciano, veio mostrar aos seus vizinhos lusitanos o seu novo disco Un pokito de Rocanroll.
A maioria da gera ainda regressava da praia, mas esta mulher não se demoveu. Aliás, o toque feminino e a sua irreverência ficaram marcados nesse dia, mas já lá iremos.
Sempre com a sua calma, e a sua personalidade vincada, Bebe não arredou pé até que o pessoal começasse a descolar do chão. Ela própria o afirmou, estava aqui para aquecer o pessoal para o que viria. E o que viria seria bem menos sexual.
Com certeza o festival tinha diferentes dinâmicas, mas a organização em entrevista à TSF manifestou isso mesmo, que as diferentes dinâmicas e nomes era o que faziam o conceito deste festival reinventado. Para mim, Super Bock Super Rock nunca foi praia, sol e rock. Sempre foi distorção e rock triunfante e poderoso. Mas a filosofia do dinheiro e de render as bilheteiras rapidamente monopolizou os intuitos das organizadoras, e agora a Música no Coração só vê mesmo areia, cerveja e bandinhas (claramente Incubus foi apostar no cavalo errado). A seguir segue-se o Sudoeste que é o esterco que se conhece aka, festival de iniciação, e oportunidade para pôr termo à virgindade, física e mental.
Depois veio um momento muito esperado. Por esta altura já nos aperceberamos de que o palco estava bastante adiantado. E mais tarde perceberíamos porquê. Já com um buraco num estômago e após uma mudança do palco, foi altura de sermos recebidos pelo grande Aloe Blacc. Apenas com um disco no reportório, Aloe Blacc foi perfeito para antecipação do climax que encerraria com uma mélange de todo estranha nessa noite - Skrillex (um nome deveras profuso e perturbador).
A acompanhar este grande nigga (com imenso estilo diga-se) estavam uma banda tipo rock, com guitarra eléctrica, baixo, teclados e bateria, mas em tudo ajustado à versatilidade de Blacc. Bastante competentes, comum grau técnico respeitável, ainda que um pouco introspectivos pois a exibição era do mestre de cerimónias - Aloe Blacc.
Com um registo vocal impressionante, limpo e seguro, Blacc pôs a audiência a curtir o funky. Muitas malhas desconhecidas, mas com uma interactividade espectacular, pudémos revisitar o soul, o gospel, o Rn'B, blues, com um toque de Jazz, e claro está a faixa hip hop. Terminou muito bem com a Hey There Brother, com mensagens muito originais, e com uma empatia muito bem construída com o público. Obviamente faltava ainda a música da crise, e a malta esqueceu a crise, como disse Blacc, e entoou a desolação financeira em grande força.
Faltava o prato forte da noite. A bifana de Vendas Novas que está a ter um sucesso estrondoso, só que custa €3,50..... Não admira que o pessoal se retraísse, até mesmo a assistência foi menos que em anos anteriores. Simbólicos 25.000.
Mas a estratégia transversal passava por captar os gostos mais diversificados possíveis. Daí termos artistas tão diversos, mas minimamente compatíveis como Lana Del Rey e Incubus, ou M.I.A. (que tão nova e ainda verde, já est. Como se advinha, tudo isto centra-se na pop.
Pasava das 10 p.m., 10:22 (lá se foi a pontualidade britânica) quando a cortina de luzes, montada num placard muito pomposo, se levantou. A New Blood Orchestra encheu o palco para demonstrar o seu rock reinventado.
Gabriel não foi certamente o primeiro, já lá vão mais de 40 anos desde que Jon Lord, teclista dos Deep Purple propôs ao seu companheiro Ritchie Blackmore uma experiência do género. Mas Gabriel inovador como sempre no seu estilo e atitude não mistura uma orquestra sinfónica com uma banda de rock, mas faz antes de uma orquestra a sua banda de suporte. Esta colaboração que começou com uma ideia muito básica, e até, diríamos, muito pouco nobre de quid pro quo, You Scratch my Back,,, that I'll scratch yours, evoluiu para um colabroaçõ que começa a dar os passos definitivos da sua sedimentação.
Pois assim sucede que Gabriel começa nem com um dos seus temas originais. Heroes de David Bowie foi a música de recepção. Sempre no seu estilo irreverente, e ainda a querer dar surpresas para um espectáculo que podia ser previsível, Gabriel teve tempo para: rectificar erros; ler em português num estilo muito eddie-vedderiano, se bem que pouco compreensível; e ainda numa colaboração improvisada mas majestosa com Regina Spektor em palco com um original Après Moi a mesma. Com esta última Gabriel mostra que ainda se dedica às músicas do mundo, e embora já não descubra talentos como fez nos anos 80, faz por respeitar e prestar tributo aos grandes novos talentos que vão surgindo. Revisitou Solisbury Hill Diggind in the Dirt, e culminou no epítomo Don't Give Up, muito bem trabalhada. Fez falta no entanto Sledge Hammer, mas como disse Gabriel numa entrevista à BBC 6 e ao guitarrista dos Elbow «Não é fácil pôr uma Orquestra a ser Funky»....
A noite, porém, estava longe de estar terminada. Apesar de ser o ponto alto do dia, e até mesmo do Festival, não coube a Gabriel encerrar.... como seria expectável, e acabou por saber a pouco. Esta coube aos Skrillex no palco principal (trabalho funesto para um banda depois de um predecessor destes).
Partimos para o Palco secundário EDP onde St. Vincent já malhava nas 6 cordas. Sim, digo bem, malhava que nem um Jimi Hendrix. Pois é, St. Vincent parece (e é) um Guitar Heroe, com atitude punk, e cheio de novos electronicismos. Eu só conhecia o tema cruel, mas Anne Clark tem muito mais e sobretudo uma atitude para com a sua alma gémea, a guitarra eléctrica.
Cansado, deste dia... Regressei para casa com os Allstar com areia e com marcas de areia e muita poeira pelo nariz. Foram visíveis os esforços do Montez para melhorar o espaço, até porque têm um grande negócio com a Câmara de Sesimbra.

sexta-feira, 6 de julho de 2012

MÚSICA DO DIA.... TEM DIAS: #1 FIONA APPLE - SHADOWBOXER
Vinha a ouvir outro dia no rádio.... e passei-me!!! Linda e inspiradora!!!

quinta-feira, 5 de julho de 2012

FIONA APPLE - THE IDLER WHEEL (2012, CLEAN SLATE/EPIC RECORDS)

De facto o título é bem mais extenso do que está acima mencionado. O seu real nome de baptismo é The Idler Wheel Is Wiser Than the Driver of the Screw and Whipping Cords Will Serve You More Than Ropes Will Ever Do. Mas tratemo-lo (e certamente assim ficará para a História) como The Idler Wheel.
Certamente qualquer disco de uma pessoa que tem uma verdadeira faceta artística, para além dos seus olhos encantadores, Fiona Apple regressa com um álbum há muito esperado, e claro, difícil de ouvir. Idler Wheel, creio, pode ser ouvido e interpretado de diferentes maneiras.
Quase como se de um álbum para crianças se tratasse, pelo menos para mim, Idler Wheel reflecte uma visão de uma criança, enquanto adulta. Quase que o livro de James Joyce invertido. O artista que regressa à sua infância. Um exercício não fácil de compreender, e ainda menos de fazer.
Every Single Night por exemplo, para além da leitura subliminar que possamos sempre fazer, reflecte antes de tudo um conflito entre o eu e o seu subconsciente, e para os problemas que os pesadelos sempre levantam na tranquilidade dos mais pequenos, e que com certeza se arrastam de idades mais precoces até à maturidade.
E se há algo que conhecemos da visão artística de Fiona, é certamente o amadurecimento precoce. E isso passa por enfrentar os demónios em Daredevil ou Werewolf, ou a solidão em Left Alone. Tudo remete para um conceito de infância perturbadora. Ou pelo menos assim o vejo.
E instrumentalmente, tudo se constrói numa atmosfera onde a voz tem o particular, e atmosfera é densificada por uma instrumentalidade tudo menos linear. Contratempos bizarros e percussões aceleradas, como se tivéssemos numa cena assustadora de um filme de Karloff. Lef Alone demonstra esse mesmo drama.
Werewolf por sua vez, bem mais calmo do que se faria supor, realça a afinidade que Apple teve e tem pelo seu piano. E claro está a sua voz com um barítono grave, traça uma marca na sua criação que lhe dá a singularidade que lhe é apreciada, e uma narradora de estados de espírito.
A voz para além de ter uma expressão tão importante ao verbalizar as letras cresce com um verdadeiro insturmento (veja-se Periphery ou Every Single Night). E apesar de pouca versatilidade, a voz de Apple expande-se de uma maneira bem interessante ao longo de todo o disco, fazendo dela uma presença constante.
Apesar de tudo, não é um álbum que ultrapasse outras incursões pela alma anteriores de Apple, como a saudosa Shadowboxer. Mas não deixa de ser um convite à reflexão e um regresso à nossa infância num movimento introspectivo....

quarta-feira, 4 de julho de 2012

HEADSPACE - I AM ANONYMOUS (2012, INSIDEOUT MUSIC)

Headspace poderá para aqueles que se movimentam fora do movimento progressivo, como mais uma daquelas bandas de tótós, alunos de conservatório, e todos aqueles geeks que se dão ao trabalho de não ouvir música mainstream.
Pois bem, o movimento progressivo continua a senda capaz de entregar aquilo que sabe melhor fazer - narrar estórias. Os Headspace fazem-no bem, e aprenderam com os melhores. Aquilo que podia muito bem ser um argumento de um filme distópico, apresenta-se como a banda sonora do armagedão.
Portanto, estamos perante um disco muito ortodoxo, muito fiel ao estilo que se quer fazer representar. Os Headspace são, por isso, uma banda que não procura o seu estilo. Já o encontraram e fizeram uma obra-prima do género. Mas esta obra não nasce do nada. Traz consigo alguns dos genes dos melhores talentos do género. A bordo desta aventura, Adam Wakeman, 2º filho do célebre teclista dos Yes, Rick Wakeman, está responsável pelos teclados. E Stalled Armageddon,  demonstra o compromisso de Adam para o género. Temos um bom trabalho por partes das guitarras é certo. Mas os teclados é que pintam o quadro de um futuro aterrador em I am Anonymous. Mais adaptado ao metal progressivo, do que propriamente o rock sinfónico a que o pai estava habituado. Mas faz um trabalho bem feito, o que não é de espantar com o currículo que traz na bagagem, desde colaborações com Roger Daltrey até o guru Arjen Lucassen.
Outro talento a expandir-se é a do vocalista Damian Wilson, que demonstra os seus dotes de projecção vocal, e sobretudo um registo limpo e definido, de tenor mais clássico. A voz articula-se bem com os teclados, visível em  In Hell's Name, onde Adam tem o seu mote para se expandir.
Claro que um projecto destes que demorou bastante para se pôr de pé, o EP de lançamento I Am... foi registado em 2006, não se lançaria sem um guitarrista. E apesar de Peter Rinaldi não ultrapassar o brilhantismo de Wakeman, faz um trabalho competente ao sedimentar a paisagem sobre o qual se pinta a história.
I Am Anonymous é como tal um álbum conceptual, e o que se quer veicular é uma história, a já clássica do holocausto da humanidade que entra em guerra total entre si, e de como se tenta sobreviver após o holocausto.
Portanto o cenário é negro, e é aqui que o contributo de Rinaldi entra na sua máxima força. Ao entregar uma atmosfera carregada, e negra. Numa perspectiva mais rítmica, o estilo de Rinaldi assemelha-se  muito ao de John Petrucci dos Dream Theater, o que mais uma vez demonstra a presença, o respeito e iconocidade do quinteto de Long Island no movimento.
A originalidade não é mais uma vez o forte deste álbum. E talvez soar como outras bandas talvez seja o seu maior defeito. Mas também não é isso que os Headpsace pretendem, soar a algo de novo. I Am Anonymous é um produto de um estilo, e não se quer fazer passar por outra coisa diferente. Por isso quem procura algo de novo, de fresco não o encontrará aqui....

terça-feira, 3 de julho de 2012

BLUR - UNDER THE WESTWAY LIVE AT WAR CHILD 2012

Nova música dos Blur, num regresso aguardado.

segunda-feira, 2 de julho de 2012

MANOWAR - LORD OF STEEL (2012, MAGIC CIRCLE MUSIC RECORDS)

Provavelmente de todas as bandas de metal que há, os Manowar são aqueles que tratam o legado deste com maior respeito, religiosamente mesmo. Muitos falam de que o heavy metal nunca tem tido o tratamento que merece, nem tão-pouco recebido o crédito que lhe é devido. E se há banda que eleva o metal a estatuto de legião, e simboliza mesmo a congregação da nação «metálica», quase como que um movimento proletário - Metaleiros de todo o mundo uni-vos.... (E Gringo volta a demonstrá-lo) Se há banda que se esforça por isso, são sem dúvida os Manowar. E já lá vão 30 anos de batalha, e honradamente aqueles que carregam o estandarte diante das legiões de metaleiros,  a banda que toca com os maior volume de decibéis no mundo (embora não tenha oficialmente ultrapassado os The Who) lança o seu 11º disco de carreira.
E no fundo, poucas são as bandas que mantêm o registo irredutível, de não ceder a compromissos, e que mantêm aquela indentidade inabalável, o célebre «uncompromise».
Para quem está de fora, parece 11 missas, mas de facto, os Manowar são uma religião, os sacerdotes que comandam hordas metaleiras para os campos de batalhados concertos. E esse apelo começa bem cedo com Manowarriors. E quem vira costas a esse juramento, enfrenta uma punição severa pelo «Lord of Steel».
Neste álbum os Manowar continuam o seu registo, com muito speed e power, e cruiosamente sempre distanciado da sonoridade mais característica do metal americano, com mais incidência no trash.
E não é para admirar, pois a afinidade  dos Manowar com as bandas do New Wave of British Heavy Metal sempre foi visível. E essa natureza ortodoxa do metal sempre foi uma marca da sua carreira.
Já lá vão mais de 30 anos que o baixista Joey DeMaio aprendeu com os mestres, nada mais, nada menos que os Black Sabbath, ainda na sua digressão de Heaven & Hell, como é que se elevava uma plateia ao delírio,
Lord of Steel é assim mais um registo de faixas prontinhas para serem lançados aos leões do coliseu sedentos de sangue. E nisso há que reconhecer a força destruidora dos Manowar, uma banda talhada para os movimentos ao vivo. Eles vivem para isso, para puxar o exército e levar para onde ele pertence - o descampado de batalha dos concertos. E há um certo número de faixas construídas justamente para esse efeito. Não há tempo para lamechices (com excepção de talvez de Righteous Glory) , só riffs puros e duros, de Expendable (com uma filosofia muito semelhante a Disposable Heroes), ou Black List (que faz um certo apelo ao Doom Metal).
Mas, como se costuma dizer não ponto sem nó, e talvez este fundamentalismo dos Manowar seja um dos pontos mais criticáveis do Metal, e o certo apelo à violência que muitas vezes está conotado com o Heavy Metal. Faceta que faz muitas vezes todo este culto seja olhado com suspeição.

sexta-feira, 22 de junho de 2012

THE OFFSPRING - DAYS GO BY (2012, COLUMBIA RECORDS)

Foi com uma surpresa renascida que vi os re-chamados deste ano para o 2º dia do Rock In Rio 2012 (repetindo quase a papel químico o alinhamento de 2010, exceptuando Muse).
Os Offspring são provavelmente das bandas que trago comigo de um passado mais distante. Desde os tempos em que o punk virou pop, e Americana alcançava os tops das tabelas.
De uma certa maneira, esta crítica em um sabor nostálgico, muito embora hoje signifiquem muito pouco.
Os Offspring são daquelas bandas que se recusam a desaparecer, mas cujo estatuto de dinossauros não se equipara aos colossos (Metallica, Pearl Jam entre outros). Isto leva-me a concluir que cada vez mais a música é para os músicos encarada como uma profissão e de facto assim. Estas pessoas fazem isto como ganha-pão. Mas o senão é que quando se prossegue uma carreira artística estritamente como obrigação, a inspiração e a criatividade surgem com menos frequência. E a pressão para lançar para alimentar máquina é constante.
Tal facto, explica a razão de o sucessor Rise and Fall, Rage and Grace ter demorado tanto tempo a surgir (a meu ver pelo menos). Tal hiato deu para várias digressões (no meio das quais Days Go By surgiu), e ainda para uma compilação de sucessos - Happy Hour!.
Days Go By tal como o próprio título sugere é uma especulação sobre o impacto da passagem do tempo, à qual os Offspring não são diferentes. E com a passagem do tempo vem a decadência. E para quem pode pensar que os Offspring tiveram um declínio, muito por culpa da atitude sell-out, especialmente a partir de Smash..... bem essa atitude virou imagem de marca.
Desconheço o material posterior a Americana, e sinceramente nem me interessa, porque para mim os Offspring pouca coisa tiveram a acrescentar desde então. Simplesmente são daquelas bandas que se mantém na estrada porque têm de o fazer. E carregar esse fardo torna-se mais fácil, a partir do momento que o fazemos com os colegas de liceu, que conhecemos há quase 30 anos, e que as coisas marcham bem entre nés.
Porém a criatividade (ou falta dela) pode afectar, e o facto de se revisitar o clássico Dirty Magic de Ignition revisitado (num álbum original que é algo que me causa muita estranheza, mas não são os únicos) prova isso mesmo. Os Offspring foram daqueles que, e se calhar muitos dirão que fazer êxitos comerciais são grandes feitos, pegaram no pós-punk rock (sobretudo o ligado ao movimento skateboarding), e deram-lhe uma dinâmica mais pop. Ao passo que outras bandas como Pennywise ou Dead Kennedys nunca deram grandes vazas nessa matéria.
E assim chegamos ao desenvolvimento de uma atitude, que vem desde os gloriosos dias de Smash, e resultou em malhas mesmo «lames» como OC Guns, que realmente não têm nada que ver com nada (a não ser referências aos gangs hispano-americanos). Vá lá, podemos dizer que, pelo menos, eles tentaram agarrar-se ao seu bqackground. Mas para além disso, pouco mais há a haver, ta como Days Go By nada mais é do, que uma tentativa copiosa do que o êxito Times Like These dos Foo Fighters.
Como não podia deixar de ser, há sempre aqueles temas da adolescência, que lembram NO FX, mas que a maturidade já não deixa apreciar, ou até mesmo a mais speedada, tipicamente punk, Dividing By Zero.
Quanto mim, sinto-me mais confortável em rever Dirty magic, que até me espicaçou para voltar a ouvir Ignition, mas tirando isso, Days Go By é exactamente isso, tão passageiro quanto os dias......

quinta-feira, 21 de junho de 2012

JACK WHITE - BLUNDERBUSS (2012, THIRDMAN RECORDS/XL RECORDINGS)

Aos 36 anos Jack White (nascido John Anthony Gillis) é já um acontecimento musical, uma lenda do rock.
Membro de 3 grandes projectos musicais (um deles está findo, é certo); Dono da sua própria discográfica que encetou um ciclo de produção de discos contra-corrente (3rd Man Records só trabalha com vynis); está pronto a relançar a sua carreira musical a solo, e toda a gente quer trabalhar com ele, até os Radiohead estão radiantes com isso e anunciaram-no publicamente durante um concerto.
Já para não falar que White é um dos músicos mais talentosos, tecnicamente arrojado, e inovadores que existe actualmente.
White foi inclusivamente nomeado embaixador musical de Nashville.
O que acho mais interessante em White é a capacidade peculiar que ele tem de juntar o moderno e o clássico, e isso é notório em Blunderbuss.
Para começar pelo próprio nome retirado de um Western reinventado, esta espingarda de cano largo reflecte a energia explosiva do álbum, mas também o lugar especial que as armas de fogo representam na mitologia norte-americana. E Jack White agarra-se isso. Melhor, ele é parte disso.
Em Blunderbuss temos oportunidade de reescutar a concepção musical de white que, aliás não se distancia muito dos White Stripes. Está lá tudo. A guitarra frenética, o organito, talvez com um pouco de toque mais sulista, ao jeito de Nova Orleães [Trash Tongue Talker ou Hip (Eponymous) Poor Boy], e uma bateria não tão minimalista. Mas todos nos habituámos ao som característico de White, seja a nível instrumental, ou vocal.
E Blunderbuss está cheio de grandes malhas, algumas para rasgar audiências como a introdutória Missing Pieces (que me faz inevitavelmente lembrar Raconteurs), ou a já clássica Sixteen Saltines e Love Interruption.
Mas White demonstra que não só vive letras e atributos vocais. Muitos consideram um dos guitarristas mais criativos e emblemáticos modernos, e Freedom at 21 é prova disso mesmo.
Recentemente, e com o fim anunciado dos White Stripes, um dos grupos incontornáveis dos últimos anos, falava-se da substituição pelos Black Keys, um espécie de Doppleganger, sobretudo depois do afastamento dos White Stripes.
Mas o que a música prova todos os dias, é que há espaço e sucesso para todos aqueles que, de facto, têm uma veia artística. E tanto White como os Black Keys tem o seu espaço merecido no sucesso, bem como as sua criatividade dá-lhes muito mais reconhecimento de que a sombra que poderiam criar uns sobre os outros.
Blunderbuss permitiu a White cimentar o seu espaço e abrir o livro sobre os White Stripes, facto que deixou o mundo em choque em Fevereiro de 2011. Não foi uma jogada fácil revelou White, mas o facto é que Meg não conseguiu no final lidar com a pressão, e com a falta de confiança na sua performance como baterista. Essa situação levou a própria a um cenário depressivo que acabou por comprometer a presença da banda.
Julgo que os White Stripes era o projecto de vida de White em determinado sentido. E ele sabe também que não o podia prosseguir sem Meg, que é inevitavelmente parte da identidade da banda. Com este espaço, White é a presença de um homem que já fez o Grand Slam da música, e não dá sinais de afastamento, tal como os residentes de Nashvillhe continuam a fazer o seu El Camino.

quarta-feira, 20 de junho de 2012

SMASHING PUMPKINS - OCEANIA (2012, EMI/CAROLINE DISTRIBUTION/MARTHA'S MUSIC)

Aos 45 anos, Billy Corgan é um homem capaz de carregar consigo um projecto de uma vida inteira. Um Axel Rose de uma maneira muito própria (só que musicalmente mais bem sucedido... e podemos dizer íntegro), Billy Corgan poder-se-á dizer é os Smashing Pumpkins.
Já sem qualquer dos companheiros de fundação do quarteto de Chicago, Billy Corgan segue o seu caminho, um pouco como os Killing Joke ou os Cult que se recusam a ser riscados do mapa musical.
Em Abril de 2012. Corgan falava sobre lançar um álbum dentro de um álbum. Ao contrário do que aconteceu em 2009 com Teargarden by Kaleidyscope, cujas músicas foram sendo lançadas uma por uma através do site oficial da banda (reflexo da crise discográfica que o mundo da música hoje atravessa), Oceania foi lançado numa apresentação mais coesa, mas nem por isso menos dispersa. Aliás, este era para ser lançado exactamente no mesmo formato, mas Corgan acabou por hesitar no fim porque a estratégia de marketing que havia sido produtiva no passado, inclusivamente com outras bandas (caso dos Radiohead) se havia esgotado.
Este tipo de atitude reflecte não só as discográficas, mas também da parte dos próprios músicos, (e talvez no limite até os próprios ouvintes) em saírem do formato LP. Conceito a que toda a indústria se tem agarrado desde meados dos anos 50, quando a música começou a representar um fenómeno social significativo.
Mas olhando para o álbum, com efeito, não distinguimos um fio condutor, nem uma marca especial que se realce nestes álbuns tão-pouco. Na verdade, todos os álbuns produzidos e escritos pelos Smashing Pumpkins, desde o fim do hiato de 5 anos em 2007, têm dificuldade em ultrapassar o simbolismo de Mellon Collie ou The Siamese Dream, as referências por excelência dos Smashing.
Oceania é um álbum sobretudo introspectivo, sobretudo calmo, mas com diferentes tonalidades, algumas até, quer-me parecer, estranhas a atitude dos Smashing. Vemos algumas reminiscências do passado como Pale Horse, ou The Chimera (talvez aquela que mais lembre os clássicos) e claro a faixa de longa duração Oceania. Mas também um importante pendor electrónico desconcertante, com se os Smashing devessem alguma coisa à pop, ou a busca aí de um cunho qualquer. Exemplos severos disso serão, talvez, Pinwheels, Violet Rays, One Diamond, One Heart.
Tirando, talvez, a faixa de abertura - Quasar - que acaba por ser um falso mote, que irrompe pelo álbum como uma tempestade marítima. Ficamos surprenndidos como o álbum de repente, desacelera, e torna-se numa calma atmosfera marinha. O nome poderá mesmo sugestionar um calmo e tranquilo passeio vespertino (ou matinal conforme a preferência) pela costa oeste do norte (considerando que terá sido este o ambiente de inspiração para Corgan).
Por outro lado ao nível das letras, há aqui um trabalho desenvolvido por Corgan, ainda que no âmbito da narração de estórias, não se demonstre nada. Oceania é mais um relato de estados de espírito, passado num ambiente bucólico onde se expressa amor platónico (My Love is winter) e uma absorção do individuo pela natureza, numa paixão muito camoniana (Wildflower).
Oceania é um álbum mediano, que acaba por ser um resultado de demonstrar trabalho, e alguma falta de inspiração real, para dar cor aos grandes feitos do passado.

terça-feira, 19 de junho de 2012

SIGUR RÒS - FJÖGUR PÍANÓ

Shia LaBoeuf despe-se para os Sigur Rós. Este rapaz tem vei artística. 4 pianos é o nome da faixa do último álbum, concebido exclusivamente para constituir de música de inspiração a imagens cinematográficas.