terça-feira, 13 de outubro de 2009

GRANDES MALHAS #2: KING CRIMSON - LARKS TONGUE IN ASPIC. PT2


Hoje voltamos a uma viagem por aquelas músicas que ficam coladas ao meu imaginário como lapas e que me fazem inadvertidamente balançar a cabeça no sentido vertical. Vejam e ouçam como a guitarra tem um riff simples, mas poderoso e cativante, com um baixo a rasgar ps limites da imaginação. Deixam-nos os berlindes celestes a voar indefenidamente.
Não admira que os Dream Theater tenham feito um cover deste original dos King Crimson. A sua natrueza instrumental precorre os alicerces daquilo que são os Dream Theater e dos quais os King figuram como reis no elenco de influências. O real Robert Fripp demonstra aqui na simplicidade, como Richi Blackmore, que nao é preciso sempre perder-se em escalas infinitas para ser-se considerado um grande guitarrista

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

THE DEAD WEATHER - HOREHOUND (2009, THIRD MAN RECORDS)


Jack White é como um pequeno diabo do rock, tem de estar sempre a inventar, a trabalhar em coisas novas. Um verdadeiro caso clínico de compulsi-vidade pelo trabalho. Sempre que trabalha com alguém novo, lembra-se de vir com novas propostas para novas sonoridades. Dead Weather sai exactamente de um acidente durante um afatídica digressão dos White Stripes que nunca viram a luz do dia na Europa. Problemas vocais levaram a que a donzela deprimente e sado-masoquista, com um «ligeiro» toque de estrela de rock auto-destrutiva Allison Mosshart dos Kills assumisse o papel de voz. Até que White pensou e se eu pegasse nas minhas baguetas e fosse rockar para a bateria. Foi isso mesmo que aconteceu para juntar Jack Lawrence (o sósia conhecido de Jack White) dos Greenhorne e também dos Raconteurs e Dean Fertita dos Queens fo The Stone Age para um disco tipicamente transistor. Jack nunca aparentou muito juízo naqueles c**nos.
Basta pensar no nome querido que pensaram para o álbum, (W)Horehound. sugestivo não parece.
Até porque Alison Mosshart não é flor que se cheire, e o mesmo se pode dizer do álbum. Se é para isto mais valia continuar com os Raconteurs. Aqui se vê em pleno a falácia da composição, o facto de termos bons elementos juntos num grupo, não se segue que o grupo seja bom, pelo menos tão bom quanto a soma das partes,
Este álbum fica um pouco aquém tirando obviamente aquilo que o toque de Midas de Jack White consegue salvar. Digamos que faz dele um álbum mediano. Temos o típico blues country que sempre persegue Jack nas suas raízes com a pergunta retórica «Will There Be Enough Water» ou até o cover do seu ídolo Bob Dylan «New Pony».
O álbum transpira Sadismo por todos os lados, «Cut You Like a Buffallo», ou a fetichista «Treat Me Like Your Mother» ou até «Hang You From The Heavens». Isto deve-se à presença feminina arrojada de Mosshart que nunca jogou com o baralho todo. Mas não fica atrás destas mentes perturbadas, aliás ele é a verdadeir rainha de copas para estes meninos. Não é uma musa, mas uma górgona demolidora, que não contribuiu apenas com sua voz, mas participa na escrita as músicas.
É uma boa experiência para dias cinzentos e dolorosos.



GONG -2032 (2009, WAVE)


Podemos pensar nos Gong como uma grande família de estranhos. Uma verdadeira Pedra Basilar da música moderna que se sediou nos arredores de Paris. Sem querer sou puxado para um universo alternativo, muito futurista. Tipicamente francês. Eles têm destas coisas, já se sabe. Lembro-me com frequência de Adolfo Luxúria Canibal e dos seus Meccanosphere.
Os Gong não seguem exactamente a sua parada, mas trazem à baila um França outrora muito vanguardista. Só fica a faltar os orgulhosamente francês. Parece que, hoje, todos se armam em Anglófonos e temos que nos render ao seu universalismo.
Como não podia deixar de ser há uma grande história por trás e  2032, vem no seguimento da Tirologia Radio Gnome. Se Acid Motherhood foi uma viagem corrosiva, em 2032 somos convidados a vestir os fatos de astronauta e entrar no Espaço Gong.
E é tudo menos linear, bem pelo contrário, do mais eclético que pode haver. Os primaços David Haellen, Steve Hillage, Gilli Smyth, Miquette Giraudy, Mike Howlett, e Didier Malherbe voltam à carga para continuar o legado de Radio Gnome. e soam a um Hard Rock estranho, com esquizofrenia bem típica da Geração de Orfeu.
Por detrás de toda esta mísitca e aventura espacial está uma crítica mordaz às sociedades modernas. è com aquela batida de tarola que entra de ronpante para dar lugar a um riff bem ao estilo de King Crimson. City of Self Fascinaton é o lado bizarro, de um mundo moderno, a patologia de Narciso, todos nós sofremos do orgulho contemporânoi de nos apaixonarmos pelo nosso nível civilizacional e nem parece haver banda mais eclética do que esta misturando gritos enlouquecedores de Miquette com o Rap de David Aellen.
Por detrás de toda esta maquilhagem vem o rosto desfiguarado da sobrevivência desenfreada, compoetição e selecção artificail. O toque intrumental dos Gong faz passar isso mesmo em «How To Stay Alive», a longa do disco, que mais parece um hip hop fanfarrão e brincalhão, que se assemelha ao lado B de HipHopapotamous vs. Rhymenocerous dos Flight of the Concords. Mas não se assustem que a Guitarra Mágica e cheia de alucinogénicos não anda muito longes. Foi só para deixar o Drum N' Bass de Mike Howlett e Chris Davis.
Nem a manipulação do corpo feminino e a exacerbação do mundo virtual ficou por caricaturar em Digital Gril. Ao que parece a adição do ser humano ao mundo digital pode ser um problema preocupante da humanidade daqui a uns anos. Mas entratanto os Gong tratam tudo com muito humor e mestria musical. Do princípio ao fim a música envolve-se num jazz obscuro com musica tribal, e uma guitarra que mais parece um Robert Fripp em Cirkus, com trompete e saxofone à mistura. Viagem de Ácidos mas com respeito.
Guitar Zero então só pode ser a mais pura das ironias para os «Querem-Ser» (Wannabes). E para os invejosos Steve Hillage até se mantém discreto, dando lugar a Didier Malherbe para um grande solo de saxofone e Miquette desperta a mente com o seu teclado ambientista que impressionaria o próprio mestre Rick Wright . E no entanto, aquela tenacidade, por vezes aborrecida, mesmo à Daft Punk, com frases repetitivas e electrónicas.
O verdadeiro épico, bem ao estilo o neo-prog rock dos Muse com apelo à grandiosidade clássica dos Rush em Wacky Baccy Banker. David Aellen não guarda nada, nem o estilo maluco dos Primus que tanto beberam destes. Loucura é a palavra de ordem, e quando menos esperamos, a música muda de ritmo e de compasso, como e passássemos de multiverso em multiverso. Fazem lmbrar os Primitive de Alternative Prison ou Tips & Shortcuts.
Um grande regresso do ano.


sexta-feira, 9 de outubro de 2009

ÁLBUNS MÍTICOS #3: THE BEATLES - REVOLVER (1965, EMI/PARLOPHONE/APPLE)

«Turn off your mind, and float down stream it is not dying, It is not Dying
Lay Down all Thought, surrender to the void Is it Shinning? Is it Shinning?»

Começou a grande viagem. Tudo graças a quê? Claro às drogas e uma grande dose de inpiraçõ e talento Tanto papel desperdiçado a studar os efeitos das dorgas nas mentes, quando ouvindo-se os discos dos Beatles se consegue perceber o fio escorreito de pensamento artístico que dali sai.
Começamos bem com un «quase punk rock» a puxar às influências anarquistas. Uma das maiores certezas de que podemos ter na vida é de que temos de pagar impostos, ou, no mínimo, declarar os nossos rendimentos. George Harrison não foi buscar este assunto por acaso, a Grã-Bretanha atravessava por esta altura um grave problema com o peso do estado na Socieda e toda a cultura hippie que os Beatles ajudaram a desenvolver ansiava por essa libertação do espírito, que acabou por ter reflexos no individualismo e redução da esfera de intervençãoi do poder público.
Este não é o único bom contributo de Harrison, esta mudança de corrente e de ideias já se despoletar para Oriente, quando Grã-Bretanha foi forçada a conceder a independência à Indía. O aperfeiçoamento interior e da cítara começa aqi com «Love You To».
A tradicional música dos Beatles com nome de orgulhosa detentora de dois Cromossomas X mantém-se. Eleanor Rigby uma extraorfinária mistura de coros vocais com elementos clássicos. Uma das primeiras bandas modernas a visitar esse passado musical. Marca que iria ficar para a posteridade tentar e retentar, misturar a Música Contemporânea com outras. Os Beatles aproveitaram e desenvolveram esta tipo de escrita das canções em todos os álbuns que se haviam de suceder.
A expressão dos sentimentos dos poetas não se ficava por aqui. A caricatura do quotidiano «Everybody Thinks I'm Lay / I don't mind I Think They're Crazy» está narrado em «I'm only sleeping». Quem m podera dizer iss quando tenho que madrugar todos os dias de manhã «When I'm in a middle of a Dream/please don't Shake me / Leave Me Where I am».
De Revolver sai a música que cria um dos primeiros álbun conceptuais modernos, que ir-se-ia tornar uma marca, um objecxtivo para todas as bandas dignas do seu nome: narrar uma história do princípio ao fim de um álbum. Foi com os Beatles que a importância do álbum se deveu e se deixou o tempo dos singles até ao dia de hoje, em que se está a recuperar essas influências dos malogrados anos 80.
Por enquanto Revolver é apenas um bom álbum-colectânea. as músicas não têm fio condutor. No entanto não deixa de ser um ícone, pela excelente composição de canções que o percorrem. «Here There and Everywhere» deixa-nos mais uma marca dos Beatles, o potencial vocal e os arranjos dos coros. Tanto que até os QOTSA os fazem com mestria com distorção destrutiva.
Mas um dos melhores temas do álbum fica para o fim - «Tomorrow Never Knows» escrita pela habitual Dupla Lennon/McCartne. Com uma batida fenomenal de bateria assinada por Ringo Starr e umas letras prontas a abrir a revolução psicadélica que aí vinha.


quinta-feira, 8 de outubro de 2009

ALBUNS MÍTICOS #2: THE BEATLES - RUBBER SOUL (1965, EMI/PARLOPHONE/APPLE)


Muito já se disse sobre os Beatles, e ainda mais se dirá e muito ficará por dizer. De maneiras que o meu pequeno e muito singelo contributo de um ouvinte que começa lentamente a explorar as malhas será apemas mais um dos pontos nesta grande história da música.
Eles acabam por ser o marco, a pedra basilar de toda a música moderna, a raíz da árvore do rock que faz parte dessa grande florresta chamada música. Se fizermos um percurso no tempo, vemos que eles são a maior influência que percorre toda a música popular e não popular até aos dias de hoje.
Até ao lançamento de Rubber Soul, eles já tinham ganho tudo o que havia para ganhar em termo de grupo. Venderam, venderam ainda mais, encheram salas de espectácculo, tocaram nos sítios mais inesperados e tal como, o Federer no Ténis, estavam prontos para ir mais além. Revolucionar tudo aquilo que criaram. O grande feito dos Beatles foi criar a música moderna e recriá-la. Se Please Please Me representa o 1º momento, Rubber Soul o 2º. Para além do extraordinário poder de compor canções.
Aliás ele representa a fase de transição. O encontro do belho e o novo mundo. Drive My Car parece «os velhos do restelo» do rock n' roll e com Norwegian Wood o perfeito exemplo de folk rock, a antecipar uns Fairport Convention ou Jethro Tull. Ecletismo parecia ser as novas, e os Beatles estavam determinados a mostrar que tudo era possível com instrumentos relativamente acessíveis a jovens desde que tivessem o devido talento para o criar.
«You Won't See Me» é mais um típico «swing» dos Beatles. Como experientes adolescentes maduros, muitas vezes a adolescência era o mote para mais uma canção. sobretudo, o problema em lidar com os sentimentos de afecto, como o amor ou a paixão do momento. Exemplo disso também é «Michelle», paixãpo com barreiras transfroenteiriças e mais um bom exemplo do melhor dueto compositor que já exisitiu, a colaboração Lennon/McCartney.
 Mas nem só de amor vive o rock. A densidade crítica e instrospectiva do homem estava patente para um homem com um forte pendor filosófico como John Lennon. O homem sem pátria - «Nowhere Man» ou o efeito das drogas - «Think For Yourself» - no intelecto humano em libertava a pasta maleável de que é feito o nosso interior.
O título é tudo menos despropositado e o vislumbre dos génios, ameaçava brilhar ainda mais....


quarta-feira, 7 de outubro de 2009

ALICE IN CHAINS - BLACK GIVES WAY TO BLUE (2009, VIRGIN/EMI)

Recomeço, renascença parece ser a palvra de ordem por aí. Como a Fénix, todos anseiam por uma segunda oportunidade e o revivalismo que parece tão brilhante e mágico quando os eventos já se esbateram no tempo é mais que evidente.
Tudo indicava que os Alice in Chains vieram em 2006 para matar saudade e tocvar aquelas grandes malhas que fizeram história e marcaram um género não estivessem para sempre condenadas a serem ouvidas em auscultadores. Seattle e o seu som vai estar novo em voga.
Dizendo em português, a depressão deu lugar à tristeza. O verdadeiro Grunge nunca foi grande som para sorrisos e o som sujo potente, decrépito e cheio de boaa disposição mas a mandar foerter para a veia nunca se desvaneceu.
Curioso que Jerry Cantrell fez questão de pegar o som e a históriia onde a deixu. Quem ouvir a Music Bank sabe que a última música é Died e a primeira Get Born Again. All Secrets Known pega exactamente por aqui. Depois de dar o verdadeiro tributo ao falecido Layne com o seu primeiro álbum a solo (não foi o único, os Metallica homenagearam-no como um dos muitos mortos em combate no rock com Death Magnetic), deixou o negativismo compulsivo para trás depois de encontrar a derradeira voz de Layne renascida com William Duvall que apesar de muito competente é bem disposto, bem demais para um som como Alice In Chains. Os restantes camaradas juntaram-se alegremente ao conjunto, o amigável Inez e o rebelde Sean Kinney (que fez aos precisamente no dia em que cá vieram pela 1ª vez  e que Maynard dos Tool não se fartou de repetir).
Depois do regresso, rápido para o rogulho da velha guarda. Velhos soldados do Grunge atacam a música de porcaria que se faz hoje em dia com as medalhas bem exibidas ao peito, «I'm the Last of My Kind Still Standing».
E para termos a certeza de que este não é um golpe da carteira ou uma tentativa para reaver o sucesso, o som parece profundamente similar a tudo o que já ouvimos deles. «Your Decision» assemelha-se a um lado B da sentida Heaven beside You ou a melhor Over Now. E digo-vos não lhes fica atrás. Todo o álbum soa a grande clássico. Jerry cantrell amadureceu bem com o tempo, mas a sua essência enquanto xompositor permaneceu, até porque ao fim e ao cabo ele era o Pete Townshend dos Alice In Chains e o regresso ao activo deu para libertar toda esta inspiração que vinha acumulando ao longo dos anos. A Loking In view vais buscar toda a ferocidade do riff grave e obscuro de Them Bones, Love Hate Love ou Angry Chair, um dos maiores trunfos de Layne. Um grande regresso, de um dos maiores marcos de uma geração.
Seattle pode permanecer orgulhosa como uma das várias Mecas da música.

terça-feira, 6 de outubro de 2009

ISIS - WAVERING RADIANT (2009, IPEPAC RECORDINGS)


Para muitos uma banda ainda desconhecida, mas os Isis têm vindo a crescer como um fenómeno ainda incerto, sobretudo como banda de culto no panorama da música pesada contemporânea. O som é dificíl de descrever mas assemelha-se bastante a uns Opeth, só que mais industriais. O seu som tem vindo a melhorar e a incorporar cada vez sons inconstantes e ecléticos. Não é para espantar, mas a banda de Aaron Turner anda cá neste mundo desde 1998, e os álbuns têm uma tendência progressiva para compor paisagens mais melódicas e os atributos vocais de Turner não são para menos porque a sua voz tem um forte potencial.
Hall of the Dead é o mote para a viagem pelo misticismo. Fortemente inspirados em bandas como Melvins ou Neurosis, o som parece uma crise esquizofrénica. E o que parecia ser muitas vezes um devaneio em álbuns anteriores, nota-se uma focagem na composição em muito devido à melhoria técnica tanto do baixista Jeff Caxide com um groove fortemente inspirado em Justin Chancellor dos Tool e a combinação das guitarras a nível de solos límpida e harmónica, com propensão para preenchimento do vazio, Ghost Key é um óptimo exemplo. Turner afirma que vai buscar as suas influências metafísicas a livros como Dom Quixote ou Labirintos, ou até mesmo Casa das Folhas, onde a presença de um universo indiscrítivel e carregado, com elementos estranhos é notável.
A maturidade da banda reflexa-se um pouco por todo o álbum. Bryant Clifford Meyer comporta-se como um descendente natural de Rick Wright (teclista de Pink Floyd) com um entrada fenomenal em Hand of The Host digna de uma Echoes ou Sheep. O mesmo se pode dizer Aaron Harris que evoluiu bastante desde Panopticon ou In The absence of Truth.
Wavering Radiant é um álbum bastante masi fácil de interiorizar do que Oceanic ou mesmo Celstial, que portaram-se como um Saucerful of Secrets ou Umagumma, quando a banda estava ainda a encontrar o seu caminho. Mas com Threshold of Transformation nota-se que finalmente sabem o que querem fazer. Não estão a quebrar fronteiras, mas nota-se exactamente o que querem fazer e já demarcaram o seu próprio processo criativo.