quarta-feira, 4 de julho de 2012

HEADSPACE - I AM ANONYMOUS (2012, INSIDEOUT MUSIC)

Headspace poderá para aqueles que se movimentam fora do movimento progressivo, como mais uma daquelas bandas de tótós, alunos de conservatório, e todos aqueles geeks que se dão ao trabalho de não ouvir música mainstream.
Pois bem, o movimento progressivo continua a senda capaz de entregar aquilo que sabe melhor fazer - narrar estórias. Os Headspace fazem-no bem, e aprenderam com os melhores. Aquilo que podia muito bem ser um argumento de um filme distópico, apresenta-se como a banda sonora do armagedão.
Portanto, estamos perante um disco muito ortodoxo, muito fiel ao estilo que se quer fazer representar. Os Headspace são, por isso, uma banda que não procura o seu estilo. Já o encontraram e fizeram uma obra-prima do género. Mas esta obra não nasce do nada. Traz consigo alguns dos genes dos melhores talentos do género. A bordo desta aventura, Adam Wakeman, 2º filho do célebre teclista dos Yes, Rick Wakeman, está responsável pelos teclados. E Stalled Armageddon,  demonstra o compromisso de Adam para o género. Temos um bom trabalho por partes das guitarras é certo. Mas os teclados é que pintam o quadro de um futuro aterrador em I am Anonymous. Mais adaptado ao metal progressivo, do que propriamente o rock sinfónico a que o pai estava habituado. Mas faz um trabalho bem feito, o que não é de espantar com o currículo que traz na bagagem, desde colaborações com Roger Daltrey até o guru Arjen Lucassen.
Outro talento a expandir-se é a do vocalista Damian Wilson, que demonstra os seus dotes de projecção vocal, e sobretudo um registo limpo e definido, de tenor mais clássico. A voz articula-se bem com os teclados, visível em  In Hell's Name, onde Adam tem o seu mote para se expandir.
Claro que um projecto destes que demorou bastante para se pôr de pé, o EP de lançamento I Am... foi registado em 2006, não se lançaria sem um guitarrista. E apesar de Peter Rinaldi não ultrapassar o brilhantismo de Wakeman, faz um trabalho competente ao sedimentar a paisagem sobre o qual se pinta a história.
I Am Anonymous é como tal um álbum conceptual, e o que se quer veicular é uma história, a já clássica do holocausto da humanidade que entra em guerra total entre si, e de como se tenta sobreviver após o holocausto.
Portanto o cenário é negro, e é aqui que o contributo de Rinaldi entra na sua máxima força. Ao entregar uma atmosfera carregada, e negra. Numa perspectiva mais rítmica, o estilo de Rinaldi assemelha-se  muito ao de John Petrucci dos Dream Theater, o que mais uma vez demonstra a presença, o respeito e iconocidade do quinteto de Long Island no movimento.
A originalidade não é mais uma vez o forte deste álbum. E talvez soar como outras bandas talvez seja o seu maior defeito. Mas também não é isso que os Headpsace pretendem, soar a algo de novo. I Am Anonymous é um produto de um estilo, e não se quer fazer passar por outra coisa diferente. Por isso quem procura algo de novo, de fresco não o encontrará aqui....

terça-feira, 3 de julho de 2012

BLUR - UNDER THE WESTWAY LIVE AT WAR CHILD 2012

Nova música dos Blur, num regresso aguardado.

segunda-feira, 2 de julho de 2012

MANOWAR - LORD OF STEEL (2012, MAGIC CIRCLE MUSIC RECORDS)

Provavelmente de todas as bandas de metal que há, os Manowar são aqueles que tratam o legado deste com maior respeito, religiosamente mesmo. Muitos falam de que o heavy metal nunca tem tido o tratamento que merece, nem tão-pouco recebido o crédito que lhe é devido. E se há banda que eleva o metal a estatuto de legião, e simboliza mesmo a congregação da nação «metálica», quase como que um movimento proletário - Metaleiros de todo o mundo uni-vos.... (E Gringo volta a demonstrá-lo) Se há banda que se esforça por isso, são sem dúvida os Manowar. E já lá vão 30 anos de batalha, e honradamente aqueles que carregam o estandarte diante das legiões de metaleiros,  a banda que toca com os maior volume de decibéis no mundo (embora não tenha oficialmente ultrapassado os The Who) lança o seu 11º disco de carreira.
E no fundo, poucas são as bandas que mantêm o registo irredutível, de não ceder a compromissos, e que mantêm aquela indentidade inabalável, o célebre «uncompromise».
Para quem está de fora, parece 11 missas, mas de facto, os Manowar são uma religião, os sacerdotes que comandam hordas metaleiras para os campos de batalhados concertos. E esse apelo começa bem cedo com Manowarriors. E quem vira costas a esse juramento, enfrenta uma punição severa pelo «Lord of Steel».
Neste álbum os Manowar continuam o seu registo, com muito speed e power, e cruiosamente sempre distanciado da sonoridade mais característica do metal americano, com mais incidência no trash.
E não é para admirar, pois a afinidade  dos Manowar com as bandas do New Wave of British Heavy Metal sempre foi visível. E essa natureza ortodoxa do metal sempre foi uma marca da sua carreira.
Já lá vão mais de 30 anos que o baixista Joey DeMaio aprendeu com os mestres, nada mais, nada menos que os Black Sabbath, ainda na sua digressão de Heaven & Hell, como é que se elevava uma plateia ao delírio,
Lord of Steel é assim mais um registo de faixas prontinhas para serem lançados aos leões do coliseu sedentos de sangue. E nisso há que reconhecer a força destruidora dos Manowar, uma banda talhada para os movimentos ao vivo. Eles vivem para isso, para puxar o exército e levar para onde ele pertence - o descampado de batalha dos concertos. E há um certo número de faixas construídas justamente para esse efeito. Não há tempo para lamechices (com excepção de talvez de Righteous Glory) , só riffs puros e duros, de Expendable (com uma filosofia muito semelhante a Disposable Heroes), ou Black List (que faz um certo apelo ao Doom Metal).
Mas, como se costuma dizer não ponto sem nó, e talvez este fundamentalismo dos Manowar seja um dos pontos mais criticáveis do Metal, e o certo apelo à violência que muitas vezes está conotado com o Heavy Metal. Faceta que faz muitas vezes todo este culto seja olhado com suspeição.

sexta-feira, 22 de junho de 2012

THE OFFSPRING - DAYS GO BY (2012, COLUMBIA RECORDS)

Foi com uma surpresa renascida que vi os re-chamados deste ano para o 2º dia do Rock In Rio 2012 (repetindo quase a papel químico o alinhamento de 2010, exceptuando Muse).
Os Offspring são provavelmente das bandas que trago comigo de um passado mais distante. Desde os tempos em que o punk virou pop, e Americana alcançava os tops das tabelas.
De uma certa maneira, esta crítica em um sabor nostálgico, muito embora hoje signifiquem muito pouco.
Os Offspring são daquelas bandas que se recusam a desaparecer, mas cujo estatuto de dinossauros não se equipara aos colossos (Metallica, Pearl Jam entre outros). Isto leva-me a concluir que cada vez mais a música é para os músicos encarada como uma profissão e de facto assim. Estas pessoas fazem isto como ganha-pão. Mas o senão é que quando se prossegue uma carreira artística estritamente como obrigação, a inspiração e a criatividade surgem com menos frequência. E a pressão para lançar para alimentar máquina é constante.
Tal facto, explica a razão de o sucessor Rise and Fall, Rage and Grace ter demorado tanto tempo a surgir (a meu ver pelo menos). Tal hiato deu para várias digressões (no meio das quais Days Go By surgiu), e ainda para uma compilação de sucessos - Happy Hour!.
Days Go By tal como o próprio título sugere é uma especulação sobre o impacto da passagem do tempo, à qual os Offspring não são diferentes. E com a passagem do tempo vem a decadência. E para quem pode pensar que os Offspring tiveram um declínio, muito por culpa da atitude sell-out, especialmente a partir de Smash..... bem essa atitude virou imagem de marca.
Desconheço o material posterior a Americana, e sinceramente nem me interessa, porque para mim os Offspring pouca coisa tiveram a acrescentar desde então. Simplesmente são daquelas bandas que se mantém na estrada porque têm de o fazer. E carregar esse fardo torna-se mais fácil, a partir do momento que o fazemos com os colegas de liceu, que conhecemos há quase 30 anos, e que as coisas marcham bem entre nés.
Porém a criatividade (ou falta dela) pode afectar, e o facto de se revisitar o clássico Dirty Magic de Ignition revisitado (num álbum original que é algo que me causa muita estranheza, mas não são os únicos) prova isso mesmo. Os Offspring foram daqueles que, e se calhar muitos dirão que fazer êxitos comerciais são grandes feitos, pegaram no pós-punk rock (sobretudo o ligado ao movimento skateboarding), e deram-lhe uma dinâmica mais pop. Ao passo que outras bandas como Pennywise ou Dead Kennedys nunca deram grandes vazas nessa matéria.
E assim chegamos ao desenvolvimento de uma atitude, que vem desde os gloriosos dias de Smash, e resultou em malhas mesmo «lames» como OC Guns, que realmente não têm nada que ver com nada (a não ser referências aos gangs hispano-americanos). Vá lá, podemos dizer que, pelo menos, eles tentaram agarrar-se ao seu bqackground. Mas para além disso, pouco mais há a haver, ta como Days Go By nada mais é do, que uma tentativa copiosa do que o êxito Times Like These dos Foo Fighters.
Como não podia deixar de ser, há sempre aqueles temas da adolescência, que lembram NO FX, mas que a maturidade já não deixa apreciar, ou até mesmo a mais speedada, tipicamente punk, Dividing By Zero.
Quanto mim, sinto-me mais confortável em rever Dirty magic, que até me espicaçou para voltar a ouvir Ignition, mas tirando isso, Days Go By é exactamente isso, tão passageiro quanto os dias......

quinta-feira, 21 de junho de 2012

JACK WHITE - BLUNDERBUSS (2012, THIRDMAN RECORDS/XL RECORDINGS)

Aos 36 anos Jack White (nascido John Anthony Gillis) é já um acontecimento musical, uma lenda do rock.
Membro de 3 grandes projectos musicais (um deles está findo, é certo); Dono da sua própria discográfica que encetou um ciclo de produção de discos contra-corrente (3rd Man Records só trabalha com vynis); está pronto a relançar a sua carreira musical a solo, e toda a gente quer trabalhar com ele, até os Radiohead estão radiantes com isso e anunciaram-no publicamente durante um concerto.
Já para não falar que White é um dos músicos mais talentosos, tecnicamente arrojado, e inovadores que existe actualmente.
White foi inclusivamente nomeado embaixador musical de Nashville.
O que acho mais interessante em White é a capacidade peculiar que ele tem de juntar o moderno e o clássico, e isso é notório em Blunderbuss.
Para começar pelo próprio nome retirado de um Western reinventado, esta espingarda de cano largo reflecte a energia explosiva do álbum, mas também o lugar especial que as armas de fogo representam na mitologia norte-americana. E Jack White agarra-se isso. Melhor, ele é parte disso.
Em Blunderbuss temos oportunidade de reescutar a concepção musical de white que, aliás não se distancia muito dos White Stripes. Está lá tudo. A guitarra frenética, o organito, talvez com um pouco de toque mais sulista, ao jeito de Nova Orleães [Trash Tongue Talker ou Hip (Eponymous) Poor Boy], e uma bateria não tão minimalista. Mas todos nos habituámos ao som característico de White, seja a nível instrumental, ou vocal.
E Blunderbuss está cheio de grandes malhas, algumas para rasgar audiências como a introdutória Missing Pieces (que me faz inevitavelmente lembrar Raconteurs), ou a já clássica Sixteen Saltines e Love Interruption.
Mas White demonstra que não só vive letras e atributos vocais. Muitos consideram um dos guitarristas mais criativos e emblemáticos modernos, e Freedom at 21 é prova disso mesmo.
Recentemente, e com o fim anunciado dos White Stripes, um dos grupos incontornáveis dos últimos anos, falava-se da substituição pelos Black Keys, um espécie de Doppleganger, sobretudo depois do afastamento dos White Stripes.
Mas o que a música prova todos os dias, é que há espaço e sucesso para todos aqueles que, de facto, têm uma veia artística. E tanto White como os Black Keys tem o seu espaço merecido no sucesso, bem como as sua criatividade dá-lhes muito mais reconhecimento de que a sombra que poderiam criar uns sobre os outros.
Blunderbuss permitiu a White cimentar o seu espaço e abrir o livro sobre os White Stripes, facto que deixou o mundo em choque em Fevereiro de 2011. Não foi uma jogada fácil revelou White, mas o facto é que Meg não conseguiu no final lidar com a pressão, e com a falta de confiança na sua performance como baterista. Essa situação levou a própria a um cenário depressivo que acabou por comprometer a presença da banda.
Julgo que os White Stripes era o projecto de vida de White em determinado sentido. E ele sabe também que não o podia prosseguir sem Meg, que é inevitavelmente parte da identidade da banda. Com este espaço, White é a presença de um homem que já fez o Grand Slam da música, e não dá sinais de afastamento, tal como os residentes de Nashvillhe continuam a fazer o seu El Camino.

quarta-feira, 20 de junho de 2012

SMASHING PUMPKINS - OCEANIA (2012, EMI/CAROLINE DISTRIBUTION/MARTHA'S MUSIC)

Aos 45 anos, Billy Corgan é um homem capaz de carregar consigo um projecto de uma vida inteira. Um Axel Rose de uma maneira muito própria (só que musicalmente mais bem sucedido... e podemos dizer íntegro), Billy Corgan poder-se-á dizer é os Smashing Pumpkins.
Já sem qualquer dos companheiros de fundação do quarteto de Chicago, Billy Corgan segue o seu caminho, um pouco como os Killing Joke ou os Cult que se recusam a ser riscados do mapa musical.
Em Abril de 2012. Corgan falava sobre lançar um álbum dentro de um álbum. Ao contrário do que aconteceu em 2009 com Teargarden by Kaleidyscope, cujas músicas foram sendo lançadas uma por uma através do site oficial da banda (reflexo da crise discográfica que o mundo da música hoje atravessa), Oceania foi lançado numa apresentação mais coesa, mas nem por isso menos dispersa. Aliás, este era para ser lançado exactamente no mesmo formato, mas Corgan acabou por hesitar no fim porque a estratégia de marketing que havia sido produtiva no passado, inclusivamente com outras bandas (caso dos Radiohead) se havia esgotado.
Este tipo de atitude reflecte não só as discográficas, mas também da parte dos próprios músicos, (e talvez no limite até os próprios ouvintes) em saírem do formato LP. Conceito a que toda a indústria se tem agarrado desde meados dos anos 50, quando a música começou a representar um fenómeno social significativo.
Mas olhando para o álbum, com efeito, não distinguimos um fio condutor, nem uma marca especial que se realce nestes álbuns tão-pouco. Na verdade, todos os álbuns produzidos e escritos pelos Smashing Pumpkins, desde o fim do hiato de 5 anos em 2007, têm dificuldade em ultrapassar o simbolismo de Mellon Collie ou The Siamese Dream, as referências por excelência dos Smashing.
Oceania é um álbum sobretudo introspectivo, sobretudo calmo, mas com diferentes tonalidades, algumas até, quer-me parecer, estranhas a atitude dos Smashing. Vemos algumas reminiscências do passado como Pale Horse, ou The Chimera (talvez aquela que mais lembre os clássicos) e claro a faixa de longa duração Oceania. Mas também um importante pendor electrónico desconcertante, com se os Smashing devessem alguma coisa à pop, ou a busca aí de um cunho qualquer. Exemplos severos disso serão, talvez, Pinwheels, Violet Rays, One Diamond, One Heart.
Tirando, talvez, a faixa de abertura - Quasar - que acaba por ser um falso mote, que irrompe pelo álbum como uma tempestade marítima. Ficamos surprenndidos como o álbum de repente, desacelera, e torna-se numa calma atmosfera marinha. O nome poderá mesmo sugestionar um calmo e tranquilo passeio vespertino (ou matinal conforme a preferência) pela costa oeste do norte (considerando que terá sido este o ambiente de inspiração para Corgan).
Por outro lado ao nível das letras, há aqui um trabalho desenvolvido por Corgan, ainda que no âmbito da narração de estórias, não se demonstre nada. Oceania é mais um relato de estados de espírito, passado num ambiente bucólico onde se expressa amor platónico (My Love is winter) e uma absorção do individuo pela natureza, numa paixão muito camoniana (Wildflower).
Oceania é um álbum mediano, que acaba por ser um resultado de demonstrar trabalho, e alguma falta de inspiração real, para dar cor aos grandes feitos do passado.

terça-feira, 19 de junho de 2012

SIGUR RÒS - FJÖGUR PÍANÓ

Shia LaBoeuf despe-se para os Sigur Rós. Este rapaz tem vei artística. 4 pianos é o nome da faixa do último álbum, concebido exclusivamente para constituir de música de inspiração a imagens cinematográficas.