terça-feira, 12 de junho de 2012

FRAMEPICTURES - SPIRAL LADDER
A mais progressivas das nossas bandas regressa com um ar muito portuense no peito.

segunda-feira, 11 de junho de 2012

sexta-feira, 8 de junho de 2012

PROMETHEUS, DE RIDLEY SCOTT (2012, 20th CENTURY FOX)

Todos aqueles que se lembram do clássico de ficção-científica de 1979, e se perguntaram quem seria aquele alienígena, pilotando aquela nave bizarra, que Kane, Dallas e Lambert se confrontaram. Toda a história seguiu o caminho daquela criatura que punha um ovo dentro de um hóspede, rompendo do peito, matando-o, e tornando-se uma máquina de matar.
Interpelado numa entrevista Ridley Scott que revisita o género que desenvolveu e impulsionou - terror/ficção-científica -a prequela, ou o spin-off como gostam de o chamar, veio de uma pergunta simples, quem era aquela estranha criatura, e porque razão levava ovos consigo. E na verdade a interpretação final que subsistiu é de que se tratava de um cargueiro, e tal como os space truckers da Nostromo, levava aqueles ovos para um destino.
Assim está feito o mote para explorar mais um franchise, desta vez por quem está mais do que creditado para isso. Por falar nisso, já que estamos numa de explorar clássicos de ficção científica, a sequela de Blade Runner.
Ridley Scott queria um blockbuster, tal como os clássicos Alien e Aliens, digno da série, mas o problema central estava no argumento/guião, e Sir Ridley foi buscar um baluarte na cena Damon Lindlelof, que trabalhara na série Perdidos.
A ideia era, com efeito, explorar a personagem do Space Jockey. Quem era aquele ser, que fazia ele ali, e porque pilotava aquela nave. e num tom muito Lindlelof, tinha de haver revelação e reviralho à mistura. E podemos afirmar que o fizeram muito bem. De facto, se repararmos ao longo da série Alien, porque é que os tipos da Companhia Weyland-Yutani e, posteriormente o governo inter-galático pretendiam aquela espécie, para a divisão de armas biológicas. Lindlelof consegue criar assim o elo entre a espécie humana, o space jockey e o alien, em que no fundo este último tem origem numa arma de destruição maciça criada pelos «Engenheiros»  aka Space Jockey. E claro lança as tais questões metafísicas e inquietantes que qualquer clássico de ficção científica lança. Só que desta vez o confronto entre a humanidade e os seus criadores lança o grande enigma, porque é que criador e criado se querem destruir. No fundo, acaba por se tornar uma espécie de Exterminador revisitado. Se atentarmos que David coloca exactamente a mesma questão ao Dr. Holloway. E é curioso durante um diálogo entre Elizabeth Shaw e Dr. Holloway como a busca científica da humanidade pode ser uma busca incessável, porque uma vez chegados à questão de quem nos fez, perguntamo-nos quem criou o nosso criador?
Penso que Prometheus se trata de uma verdadeira prequela, e no fundo como qualquer clássico de ficção-científica, que não tenho dúvidas que se torne, mistura uma boa dose de mistério, filosofia, imaginação científica, e perguntas por resolver? No fundo resume-se a uma boa visão artística do realizador, um bom argumento, e dinheiro claro está.
Não é de estranhar que Scott ao revisitar o seu clássico de 1979 tenha entendido uma aproximação diferente. Desta vez inteligentemente decidiu filmar nos exteriores, fora do estúdio aproveitando as belas paisagens da Islândia, e Escócia para recriar uma terra primitiva, com condições propícias para albergar vida. Apenas se lamenta o facto de a participação de Giger ser reduzida. Apesar de se recolher ainda migalhas do seu brilhante trabalho inicial, Gïger fez um excelente trabalho criativo, criando algo nunca antes visto. E provavelmente mais teria para dar. Os artistas gráficos tentaram manter-se fiéis à sua filosofia é certo, mas muitas divergências foram tomadas, e algo de pouco Gïgeriano se revela.
Tirando isso, é um excelente filme, e espectacularmente bem produzido. Pode ser um prenúncio dos bons filmes de sci-fi, e aqueles que nos deixam realmente a pensar. E quem deseja terror, terá a sua dose, como é óbvio.

quinta-feira, 7 de junho de 2012

BRUCE SPRINGSTEEN - WRECKING BALL (2012, COLUMBIA RECORDS)

SAUDADES DE MEMÓRIAS NÃO VIVIDAS

Bem sei que este é mais uma das minhas opiniões que vem tardiamente, e acaba por ser tanto poético, como fatídico. O Bossera o verdadeiro artista que queria ter visto no Rock In Rio, mas que, infelizmente, não se proporcionou, e mais angustiado fiquei quando soube que foi um concerto memorável. Quem o viu fez parte da história. E a história não concede segundas oportunidades.
No fundo, Bruce Springsteen foi mais um dos legados que o meu pai deixou. Desde pequeno recordo-me de ouvir em alta rotação The Streets of Philadelphia, longe de imaginar o significado e o poder lírico daquelas palavras.
Springsteen nunca foi um homem de deixar palavras ao acaso, de se alhear do que o rodeia, de fazer música fácil, muito embora o seu sucesso seja estrondoso.
Ouvi-lo recordo-me da sátira, da mensagem subliminar, mas de uma maneira bem mais cuidada, bem mais poética, num estilo tão caacterístico a si próprio, e seguido pela sua companheira d'armas Patti Smith, que veio a ser seguida pelos Rage Against The Machine, se bem que com uma abordagem bem diferente.
Mas o espírito é o mesmo. Um olhar patriótico, mas crítico e atento, de um cidadão maduro, na melhor tradição de intervenção de Dylan e Baez, até Woody Guthrie.
Wrecking Ball não foge a este registo. Símbolo da destruição, da machination capitaliste por excelência, e começa com o tom irónico «We take care of our own» em que Springsteen revisita o fantasma recente do Katrina e o facto de o Estado não ter estado lá quando as pessoas mais dele precisavam, ironizando «Wherever this flag's flown/We take care of our own».
Mas o ataque crítico de Springsteen mantém-se e desfere-se sobretudo ao culminar da depressão sobre todos os aspectos. Os agiotas, os abutres que procruam dinheiro fácil bem latente em «Easy Money» e «Jack of All Trades». Esta última assume um radicalismo maior, quase poderíamos dizer ao estilo do Zé Povinho vingativo, em que Springsteen apela à 2ª Emenda e ao recurso às armas: «If I had me a gun, I'd find the bastards and shoot 'em on sight,». A qual tem um solo de guitarra épico e evocativo, no auge da música.
Mas o que acho mais interessante é a maneira com Springsteen busca as várias influências da cultura musical americana, articulando-as, desde as descendências do folclore irlandês em «Death to My Hometown» e «American Land», brilhantemente bem orquestrado, até ao Gospel e Soul de Shackled and Drawn. Já para falar do country de «Wrecking Ball». E no topo do bolo, de músicas genialmente construídas, vêm as letras sublimes. Dá para invejar um poeta destes dos tempos modernos. Quem ouve Wrecking Ball consegue sumarizar o espírito americanao na sua virtude, na sua tristeza, na sua profundidade e seu pesar. A traição do sonho americano em «Land of Hopes and Dreams», e o flagelo das crises do capitalismo na magnânime «Death to My Hometown».
 Ouvir Springsteen e a sua brutal E-Street Band é como passear nos campos da glória, atravessando as adversidades, os temores e os medos, e terminar como heróis e Wrecking Ball não é excepção. Uma lenda viva sem dúvida.
«Hard Times Come and Hard Times Go», a crise está aqui, mas havemos de a ultrapassar, olhando-a nos olhos, «givin' our best shot, puttin' out our wrecking ball». Como um profeta, o Boss encanta sempre com uma postura imaculável gerações e gerações de ouvintes.

quarta-feira, 6 de junho de 2012

OFFSPRING - DAYS GO BY Admira-me como é que os Foo Fighters ainda não reagiram......
RUSH - CLOCKWORK ANGELS (2012, ROADRUNNER RECORDS)

Quase 40 anos de carreira, um dos primeiros trios poderosos da história da música, aliaram o hard rock ao prog rock, e já contam com 19 álbuns na sua discografia.... Quem diria.
Muito incógnitos nestas paragens, mas mereciam final de noite num dos alinhamentos no Rock in Rio. E tinham uma boa desculpa para isto. Fizeram um concerto memorável no Rock in Rio, inclusivamente lançado em DVD, e com um título bastante sugestionável - Rush in Rio.
Mas quem conhece a organização do RIR, sabe que é o potencial comercial do alinhamento que fala mais alto. Assim se conheceu o cartaz de 2010. Mas não denigramos muito, pois 2012, foi um ano estrondoso no RIR. E ficará certamente a mágoa no meu pensamento de ter perdido uma hipótese memorável de ver o «Boss». E por aí estamos conversados.
Bem... voltando ao que interessa. Os Rush estão 40 anos mais velhos. 38 anos desde que lançaram o poderoso homónimo Rush, e decidiram voltar-se para as raízes.... isto é hard rock do bom, poderoso, e extremamente bem executado. Snakes & Arrows não foi diferente, e estes cavalheiros não dão sinais de abrandar. Quem ouvir Caravan ou a faixa homónima Clockwork Angels perceberá o que quero dizer.
Outra faceta deste álbum é o impacto que o regresso às digressões teve na força criativa do trio. Ao contrário do passado em que os Rush criavam álbuns de originais como quem lança novas colecções, agora naturalmente mais pausados, os álbuns saem mais planeados e com as interrupções de uma idade que parece querer acusar. E sim, parecer é o predicado adequado. A vitalidade dos Rush mantém-se, e não lhes falta o ecletismo e a pujança. Geddy Lee mantém o seu forte cunho vocal, e o seu baixo não lhe fica atrás. Aliás, Lee é o alicerce que explica a capacidade de um trio poder ser uma banda progressiva, compor aquelas músicas épicas. Este baixo não é uma 2ª guitarra (ouçam Headlong Flight), é um instrumento que preenche e tem o seu próprio protagonismo. E essa característica é visível desde sempre. Mas se prestamos tributo a Lee, não nos podemos esquecer da importância dos outros elementos, um génio em cada área. Lifeson mantém o virtuosismo de outras áreas, e destas 6 cordas saíram alguns dos riffs mais memoráveis de sempre. E quem ouve a introdução de Carnies ou até de Seven Cities of Gold, parece quase Lado B de Working Man. Ao vivo esta faixa é um estrondo, e a bateria de Neil Peart é seguramente uma das melhores que já foram tocadas. Sinceramente quem os ouve percebe a presença e a importância que os Rush têm na música.
Como estava a dizer, este álbum surgiu como uma enorme surpresa, e temos de nos ir habituando. Pois revela-se uma estratégia com alguma eficácia para a disseminação na internet que arruína as vendas das discográficas. Lee que em 2010 reconhecia uma crise de falta de inspiração, conseguiu compor umas 6 faixas em poucas semanas. Mesmo assim, e apesar de porem à disposição as faixas de Bu2b2 e Caravan às audiências, o resto do álbum levou o seu tempo a produzir. Tal se deveu ao tempo que os Rush têm vindo dedicando à estrada, situação que implicou o adiamento do álbum. Não admira que Lifeson recusasse um álbum conceptual. Clockwork Angels, ao contrário do que o título pode sugerir, é uma boa colecção de músicas, Rush style. E podem crer que o estilo dos Rush está bem presente. E há uma marca que acompanha desde Snakes & Arrows. Portanto como vos disse, é Rush eléctrico no verdadeiro sentido. Se quiserem revisitar Rush era sintetizadores, podem contentar-se com Halo Effect.
Dito isto pergunto, quando é que a magia dos Rush toca em Portugal?

terça-feira, 5 de junho de 2012

ANATHEMA - WEATHER SYSTEMS (2012, KSCOPE RECORDS)

E tal como uma mudança d'estações, os Anathema encontram-se a explorar uma mudança de paradigma. Ainda mais profundo que outras bandas. E pelo contrário não foi uma viragem comercial, tendenciosa, com um propósito discográfico qualquer. Os Anathema estão a colher os frutos do seu próprio retiro espiritual, algo que faz lembrar a quase súbita viragem dos Beatles a leste, e de repente, vieram Revolver, Sgt. Pepper & White Album.
Os Anathema são uma experiência quase oposta e ambivalente, mas ao mesmo tempo simbiótica. O próprio reverso do seu Yin & Yang. Poucas bandas são aquelas que se mantêm fiéis ao estilo, duros, quase fundamentalistas, e até mesmo dogmáticos. Para alguns, essas bandas são fortes, autênticas fortalezas. Mas para muitos, são incapazes de se recriar, de se revolucionar de trazer algo novo. E aqui surge a virtude do movimento progressivo - transpor barreiras.
Os Anathema encontraram outras musas, e em boa hora o fizeram. Nos últimos dois anos lançaram 3 álbuns de originais, um feito igulável ao experimentalismo dos anos 60 e 70, quando a música viajava a mil à hora.
E não é de estranhar, porque a música que têm feito é de uma beleza e uma inspiração imensurável, e um ponto de viragem abismal na sua carreira. Como se tivessem gasto anos e anos da sua carreira no doom metal. Revisitando os Pink Floyd de Meddle e Atom Heart Mother, e a corrente espiritualista dos Sigur Rós, só que compreensíveis.
A dualidade que falava há pouco reverte-se em tantos aspectos, mormente a polaridade voz masculina e feminina. E a parte vocal é algo de sentido muito forte e presente, que não pode ser descurado, num estilo que se pode apresentar tantas vezes com queda instrumentalista. E algo com que nos podemos esquecer é a importância das 6 cordas. Muitas vezes em forma de harpejo, podem esquecer os solos extensos, porque o importante é criar o ambiente certo. A atmosfera começa pausada, crescendo paulatinamente..... subitamente, aquela voz. Weather Systems tem vários exemplos desta construção, a começar por Untouchable Pt.1 ou Lightning Song.
A maneira como as letras e a música se conjugam é estrondosa, capazes de impor um ritmo da batida de um coração (The Strom Before The Calm), culminando num final épico. Em toda a parte vemos a importãncia que assumem as teclas na construção destes espaços imensos, compensados pelas guitarras crescentes, e a bateria rufante. A construção base é a mesma, mas a susceptibilidade de nos levarmos, de viajarmos por estas faixas ao centro de nós mesmo é avassaladora. Somos induzidos à introspecção.
Apenas The Storm Before The Calm, apresenta Os Anathema no seu cenário mais electrónico possível, uma viragem tão significativa quanto a dos Radiohead em Kid A ou OK Computer.
Tivesse surgido mais cedo, a nova corrente do anathema de We're Here Because We're Here, Falling Deeper, e Weather Systems teria presença obrigatória ao lado dos hi-fi's nas lojas de electrónica.