segunda-feira, 28 de maio de 2012

ROCK IN RIO LISBOA - PARQUE DA BELA VISTA (25.05.2012)

Começou mais uma época festivaleira 2012, desta vez com Europeu e Jogos Olímpicos à acompanhar. Ahhh era mesmo isto que precisávamos para levantar o espírito e a moral. Marchar para os concertos, apanhar grandes broas. Remédio santo para a crise.
Realmente, muitas cabeças pensantes não descuraram, com certeza, de que este é um bom negócio nos tempos que correm. Abstrai-nos do que realmente interessa, leva-nos para o que realmente gostamos (headbanging claro) e ainda traz guito (muitos turistas).
E tal como a nossa selecção que actue nos grandes campeonatos de dois em dois anos, também o Rock in Rio é um acontecimento bianual. Confesso que, desta vez, não estava muito convencido. Já tinha visto Metallica mais de cinco vezes nos últimos 6 anos, e estes tornaram-se, sem dúvida, uma banda de romaria. Em breve começaram a actuar na queima, ou nos Santos. Mastodon vi-os em nome próprio em Janeiro (um concerto inteiramente dedicado aos fãs). Em resumo, poucos argumentos havia que me levassem a ver o Rock in Rio deste ano. Bem, e foi mesmo a vaza/borla (uma espécie de argumento financeiro invertido) que me encetou o caminho directo para a Bela Vista.
quando chegámos, já não era cedo. O palco mudava, o sol punha-se para lá o palco sunset, e o pessoa aguardava esperançoso a próxima banda.
Por est altura via-se que muita gente nem sequer conhecia o próximo nome. Era mais o quem. E por outro lado, como o pessoal cedo se apercebeu no dia seguinte, a malta do pessado anda mesmo leve nas algibeiras, pois, infelizmente para nós, fomos ultrapassados pela legião dos «Lindos no Parque». Talvez os Metallica tenham esticado um bocadinho a corda por estas paragens. Mas, como se sabe, ninguém é tão grande quanto eles. A meu ver ganhava-se bem mais se houvesse uma repetição dos The Big 4 em Lisboa. Seria interessante. Como diria alguém «Roberta, pensa nisso!!!»
Bem, voltando ao que interessa. As primeiras filas por volta das 20:15 começavam a levantar os ânimos. Alguns olhares atóniots fixavam-se no palco mundo. Uns gajos altos, tatuados, parecendo-se com Vikings meio arties enchiam o palco. Black Sparrow abriu as hostes, e depois como é habitual nos Mastodon seguiram-se os temas todos de rajada, como se tratasse de uma carga de infantaria moderna. Sempre a despachar. E eu a pensar, isto é o melhor acto da noite. Mas para minha surpresa, os Mastodon estavam com o tempo contado, e a malta não estava lá para os ver. Isto é pesado e instrumental demais para a populaça. Isto é ROCK in Rio, mas um Rock mais para o pop. Portanto, tem de render. Por isso seguiu-se Dry Bone Valley (grande malha por sinal) e assim The Hunter continua a ser promovido. Curl of the Burl, Stargasm, Octopus Has No Friends, Spectrelight, All The Heavy Lifting e aquela que mais queríamos ouvir - The Creature Lives ficou de fora. Fora deste disco, só houve espaço para Crystall Skull e Blood and Thunder para fechar. Pensava comigo (Aliive 2009, isso é que foi....). No meio disto tudo, reparou-se que o Brent estava a fraquejar na voz. De estúdio para ao vivo ainda vai um bocadinho. Se calhar é melhor ficares pela voz de bagaço. E quem fala nisto, fala na permanente do Troy (qué isto, desde quando é que estes gajos são fashion).
Bem, e para quem gosta de Headbanging e nada de mariquices, chegou a hora de ir jantar. Ouvia-se uma voz ao fundo, enquanto se deambulava por este centro comercial ao ar livre. E se puxavam pela carteira. Lembro-me de ter comigo salsicha do minipreço, em pão do minipreço (já um pouco pó seco) e largar €3. E como ainda havia espaço no bucho, tive mesmo de ratar uma pizza. Entretanto, a voz que se ouvia fez-se sentir, apesar de não ter carinho espcial pelos Evanescénce (epá lê-se comme en français hã, ouais), tenho de dar os parabéns à vocalista que manteve os seus atributos vocais.
Bem e depois tivémos tempo de sobra para deambular pois os Metallica não gostam de vir cedo. Eles são os reis da noite. E para os puxar para o palco é preciso tempo. E muita gente aguardava «Rush to the Gold» the Ennio Morriconne e a cena épica do Bom, Mau e o Vilão.
Volvidas tantas vezes que nos visitaram, o propósito revisitar o Black Album. Black with Venom chamaram-lhe, à digressão claro. Com a vaga dos albuns emblemáticos e míticos, as bandas prestam tributo a si próprios tocando um album na sua integralidade. Para isso mais valia tocarem o Death Magnetic. Epá o Black Album é bom, é interessante, mas é um álbum de sucesso. É para a massa, para a xavalada. Mesmo assim, duvido que muitos o tenham ouvido de fio a pavio muitas vezes. Pelas melhores e piores razões.
Mas os Metallica não partiram de imediato para o prato principal. Deram tempo. começaram de imediato com uma música que tocou na minha cabeça - Hit the Lights. Lixo e pesado. Kill'em All avisava logo os incautos o pessoal que conhecia um bocado de Metallica. E depois o clássico de toda a gente - Master of Puppets. Pergunto-me quantas vezes terão tocado esta música na sua inteira carreira. E há já algum tempo que não tocam nada de novo, nem sequer fazem solos de improvisação. Seguiu-se Fuel, e não percebo a perseguição ao Load, porque apesar de tudo, até tem umas boas malhas. Ainda me lembro do King Nothing em 2004 e a curtir aquela malha do baixo bem sacada, e a malta que povoava a colina. Ahhh!!! que saudades!!!!
Ao fim de um tempo, chegou a altura do Black Album, e tinham de ter uma surpresa preparada para nós, sim porque entretanto muitas vozes já se tinham calado numa canção supresa do Beyond Magnetic EP que ninguém esperava, seu nome Hell and Back. O Black Album foi tocado ao contrário, mas a adesão das pessoas à música foi intensa e coerente. Nem o próprio James esperou um coro uníssono em My Friend of Misery (pessoalmente a faixa não me dizia nada). Apenas depois de «Of Wolf and Men», nem »God that Failed» fiaxa especial para Lars puxou por mim. Estava demasiado preso ao Ride The Lightning e ao Master of Puppets. Ainda ssim For Whom the Bell Tolls não me soou tão bem ao vivo. Talvez por falta da sonoridade do sino.
E como é claro veio Unforgiven, Holier Than Thou, a parte-pescoços Sad But True, Wherever I May Roam, e para fechar o clássico Enter Sandman, com o riff mais conhecido da história do metal.
Mas quem já anda nestas andanças, sabe que só há um final para um concerto de Metallica. Aprendi isso logo em 2004, e chama-se Seek and Destroy, acompanhadas da Fight Fire With Fire do grandioso Ride the Lightning e, claro, a balada poderosade One, já sem o seu emblemático vídeo, e com muitas luzes à mistura. Mais um para a contagem

quinta-feira, 24 de maio de 2012

STORM CORROSION - DRAG ROPES



Para ouvir pedrado, mas acompanhado....
STORM CORROSION - STORM CORROSION (2012, ROADRUNNER)

A primeira vez que tive conhecimento deste projecto foi um anúncio recorrente  na site da Amazon (do qual às vezes sou um consumidor perdido), ao qual reagi com bastante estranheza. Pensava eu que se tratava de mais uma banda do progressivo underground, mais uns Kaipa ou Arena para encher a planilha das minhas preferências.
Mas como insistiam muito de que ia de encontro às minhas preferências, decidi investigar. Foi com imensa surpresa de que a maior colaboração de bastidores da acutalidade, com dois dos maiores génios cirativos do género, chegaram-se á frente, sairam das mesas de mistura, e do seio dos seus grupos principais (Opeth e Porcupine Tree), e decidiram dar um passo em frente na sua relação já profunda de respeito, amizade e admiração mútua.
Interpelado sobre o projecto, Aekerfeldt mencionou de que esta colaboração já fora passada e preparada desde alguns anos a esta parte. Inclusive, Mike Portnoy foi pensado como 3º membro, mas depois de sucessivos compromissos por parte de Portnoy (que nesta altura estava mais interessado nos wannbe's Avenged Sevenfold) e a complexa e íntima relação artísitca entre Aekerfeldt e Wilson, deixou de parte essa possibilidade e decidiram os dois investigar sozinhos.
Wilson quando perguntado sobre a natureza deste projecto, prontamente o descreveu como se tratando do culminar de uma trilogia entre Heritage dos Opeth e Grace for Drowning de Wilson.
E aqui é certo vemos uma melodia e uma paisagem constante, fiél á visão de ambos os artistas, que apesar de próximas são distintas e ao mesmo tempo simbióticas.
À medida que escutamos vemos os traços comuns e psicóticos tão característicos nos King Crimson e Pink Floyd, e os ambientes pastorais de uns Genesis, Jethro Tull. A atitude revivalista e o regresso experimentalismo vive na mente destas forças criativas, sobretudo num sinal de respeito, e de um tributo em forma original. Aliás Heritage desempenhou bem essa função, e foi bem recebido.
Recorrendo a muito pouca percussão, e ausência de sons muito graves, o som de Storm Corrosion leva-nos numa viagem ao desconhecido humano. Esta face oculta psiocológica tão vívida nos Porcupine Tree, e dramatizada nos Opeth é aqui revisitada.
Storm Corrosion é um álbum introspectivo, e desengane-se quem busca riffs de Fear of a Blank Planet ou Blackwater Park. Drag Ropes e Storm Corrosion «les morceaux qui font debut, transmitem uma paisagem estranha, e muitas vez visitam os mais recônditos cantos da nossa mente.
Recorrendo-se apenas aos teclados e ás guitarras, e à forte conjugação vocal, tão típica dos Yes ou Gentle Giant, este duo maravilha vai montando um cenário de meditação e tantas vezes inquietação interior que se faz sentir.
Apenas em Hag, faixa muito característica de Wilson que em muito relembra faixas do seu Grace for Drowning, deixa entrar uma bateria distante e surda, ainda que num contratempo interessante, e num caos ordenado, como tantas vez se faz parecer numa métrica desordenada da corrente progressiva.
Para os mais cuidados fãs do género (eu...) é mais uma pérola para acrescentar à sua colecção, de preferência indiciaria Aekerfeldt, para se ouvir em Vynil e com uma ervazinha de lado. Sobretudo, em momentos de maior felicidade, como em Happy.
A CHINESE FIREDRILL - CIRCLES

Uma grande malha. Sem dúvida que já não ouvia um pedal wah wah desde que o Cliff Burton nos deixou.

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

MASTODON - THE HUNTER (2011, RELAPSE/ROADRUNNER RECORDS)

Depois de uma ruptura voluptuosa na cena musical de 2009, com o álbum conceptual Crack The Skye, vivamente aclamado pela crítica, metal e não só, os Mastodon hoje têm uma imensa multidão de gente que lhe tem os olhos vivamente postos em tudo aquilo que fazem. The Hunter comprova que os Mastodon não são uma banda desconhecida, ainda a esgravatar para sair do seu espaço. Já com um leque de excelentes discos, desde o seu pesado Remission de estreia, os Mastodon saíram definitivamente da onda Sludge.
Hunter corrompe com os laços antigos de Leviathan ou Blood Mountain, deixando os álbuns temáticos e conceptuais que os caracterizaram durante um tempo. Huinter é um aglomerado de músicas, sem um fio condutor aparente. Embora haja aqui algo de «infantil» no álbum, como faz lembrar o baterista Brann Dailor (que neste álbum tem um crescente participação activa).
Mas não é só no desenho, aproximação incial que eles diferem. As influências de bandas como Melvins ou Neurosis, que tanto os ajudaram a caracteirzar em conjunto com Baronness ou Burst, como um dos melhores exemplos do sludge/stoner metal. Alguns restícios ainda são visíveis nas afinações das guitarras, ou em rasgos quase que punks de Blasteroid, ou o riff heavy de Black Tongue.
Mas os arranjos vocais de Curl of the Burl marcam uma aproximação ao companheiro de Colony of Birchmen, Josh Homme e so seus QOTSA. Quem fala nestes, bem pode referir a (quase beattleana) The Octopus Has no Friends (companheiro de Brent nas suas mocas profundas).
E não é só na titude e vozes que se vê a corrente da mudança, ao nível dos instrumentos os teclados, ainda que nenhum membro se dedique a eles defintivamente, são presença constante. E a revisitação de paisagens, equílibrio melódico da própria distorção, dão uma ideia de caos ordenado. Mesmo as vozes profundas de Troy, são transparentes em estúdio para dar um ar cristalino e audível, e sobretudo, bem mais perceptível, do que aquilo que ouvíamos em Remission.
E não é só com QOTSA que Josh Homme contribui para estes Mastodon. Nota-se uma vívida influência dos seus lendários Kyuss, com uma grande malha em Dry Bone Valley, ou um apelo à inocência barrettiana em The Creature Valley. The Hunter é o acompanhamento evolutivo deste brilhante quarteto, em que se esperava um regresso às origens, mas acabou por se revelar um excelente equilíbrio artístico, e uma bastante boa colecção de canções. Como diz Brann Dailor »nós não gostamos de ser rotulados a um etilo». Aqui estão os Mastodon, definitivamente progressivos.

domingo, 9 de outubro de 2011

OPETH - HERITAGE (2011, ROADRUNNER RECORDS)

Numa entrevista a uma célebre revista de Heavy Metal, Mikael Aekerfeldt, inconstestável líder da banda mais proeminente e promissora do movimento progressivo actual, dizia que finalmente se tinha libertado das «correntes do metal». E não é para mais, com um ar sereno e translúcido, com uma camisola dos Jethro Tull, não podíamos negar que, de facto, para Mikael Aekerfeldt e para os restantes Opeth, muita coisa mudara. Não que tenha voltado as costas ao Death Metal, que tanto faz parte da sua personalidade. Mas para quem ouviu Opeth desde sempre, a paizão pelas longas composições, as variações de tempo (e vocais), os arranjos jazzistíscos, não pode negar que a corrente, a veia progressiva, sempre esteve lá. Quem não ouve Heritage, não compreende Damnation ou qualquer outro álbum dos Opeth
Com Heritage, Aekerfeldt não só assume o papel de líder como volta a trabalhar com Steven Wilson, orgulhosamente. O guru do movimento pós-progressivo, que já desempenhara um papel importante na história dos Opeth, teve uma participação principal na remistura de Heritage. Nome este que não é casual.
Apesar de parecer quase que uma inspiração natural, Heritage demorou a ser transcrito para as linhas de pauta,e aquilo que poderia ser apenas mais um álbum dos Opeth, tornou-se um excelente tributo àquilo que o legado do rock dos anos 70 deixou no jovem Aekerfeldt.
Heritage começa com um piano suave, o único contributo do novo teclista Joakim Svalberg para este álbum, já que Per Wiberg foi responsável por revitalizar os hammond organ, os minimog, e os mellotron bem ao estilo de Jon Lord e Rick Wakeman, que tanto ecoaram na mente de Aekerfeldt.
Devil's Ochard foi o tema do álbum, e a sua atitude é difrente, e reflecte uma tendência moderna para o revivalismo e a redescoberta do experimentalismo que tanto rechearam e recheiam os concertos de bandas reunidas e de tributo por esse mundo fora.
Mas, para mim I Feel The Dark é o tema de eleição. Com uma  malha muito prog, muito folk, a lembrar Jethro Tull e Fairport Convention, traz também as memórias de temas como Benighted ou Face of Melinda, do já ido Still Life.
Quando questionado sobre os seus célebres «Goar», Aekerfeldt não esconde esse elemento como sendo característico da sua performance, mas ele não quis esse acto para Heritage. Algo que a banda aceitou profundamente. Apesar de mudanças substanciais, certas coisas não mudaram, como a sua persistência em compor isoladamente, e apresentar posteriormente os temas para a banda em arranjo. Essa valeu-lhe um tributo de Slither, balada muito «Rainbow» em homenagem a Ronnie James Dio que faleceu em Junho de 2010.
Mas as semelhanças com o passado não acabam por aqui. Em Famine, a entrada caótica não é desconhecida para todos aqueles que sofrem de progressivite. A famosa faixa  Silent Sorrow on Empty Boats, do lendário The Lamb Lies Down on Broadway é representativa disso mesmo. Até o próprio recurso à flauta transversal. Heritage não chega a compor a totalidade do espaço do álbum, mas os seus arranjos especiais, a escolha dos níveis de gravação, tudo é pensado ao pormenor, até beber da árvore da vida - uma capa que foge ao tradicional simbolismo gótico - é inovador e mercedor da nossa melhor atenção. Um disco que ficará para a história, um tributo sobre forma de originais. E, de facto, influências, quem as não tem?

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

SYMPHONY X - ICONOCLAST (2011, NUCLEARBLAST)

Durante décadas o género progressivo viveu submergido nas mentes dos meninos copos de leite, dos tótós dos computadores que se atreviam a ouvir música para além dos pixels e dos chips, e alguns metaleiros mais maduros e eruditos da vertente Maiden.
Hoje, o metal progressivo é uma autêntica fénix renascida, fazendo parte de um grupo, um movimento bem mais diverso e completo, em que o experimentalismo, as viagens e todo o substrato da abertura e liberdade de espírito do progressivo dos anos 70, mas com uma roupagem bem diferente.
Os Symphony X, apagados um pouco pelo nome e o domínio dos Dream Theater nesta matéria, surgem em segundo plano, mas completamente injustiçados. Sobretudo, pela superioridade vocal de Russell Allen que é bem capaz de ser uma voz respeitada apenas pelos mais conhecedores e eruditos. Desde o tempo de V: the New Mythology que os Symphony X são um colectivo digno de referência. O seu core Michael Romeo (também poderia ser conhecido por Yngwie Malmsteen II) e Michael Pinnello que andam nestas andanças há bastante tempo.
E se Petrucci, é bastante reverenciado pela maneira como funde David Gilmour, Steve Howe e Kirk Hammett numa performance à Pagannini das 6 ou 7 cordas, Romeo é um Ritchie Blackmore a um Eddie Van Allen + Nuno Bettencourt dos tempos modernos, mas uma granda pujança para o Power Metal, o que significa mais guitarras, e grandes riffs.
A inspiração de Romeo é fenomenal e a intensidade da guitarra é feroz. E apesar da corrente mais gressiva e metaleira, os Symphony X não se esqueceram de onde vêm e que presença querem fazer no panorama do progressivo. Iconoclast mostra bem a compnente instrumental, mas também o poder do power metal. Jutando-se a uns Manowar e umas letras bem Heavy Metal, Russell Allen demonstra porque é um vocalista digno de respeito e admiração.
E isto é só a ponta do Iceberg. Se, o classicismo está presente em The End of Innocence, a atitude trash vem em Dehumanized ou Bastards of the Machine. Mesmo assim o lirismo vocal à metaleiro, digno de um Ronnie James Dio não deixa de estar presente Children of a Faceless God. Com uma abragência vocal, não admira que o instrumentalismo não seja tão evidente como noutros actos, leia-se Dream Theater. Facilmente se percebe porque Portnoy tinha ansias de juntar Allen ao seu pelotão.
E apesar de muito presentes no power metal, os X arriscaram um duplo álbum, se bem que pecam na falta de conceptualismo muito característico das bandas progressivas e que o X já atingiram em The Odissey. Mas a corrente mitológica, digna de uma banda sonora de um God of War volta em Prometheus (I am Alive). Mas apesar de esmagadora prestação de Romeo, este não rouba lugar ao seu companheiro de armas Pinella, que bem demonstra a sua vertente escolástica em When All Is Lost, ou concorre com Ruddess em solos de teclados.
No meio disto aparecem rullo e Lepond, uma secção rítmica com pouca presença, mas apenas porque o fumo que vem dos instrumentos melódicos não nos permitem escutá-los com melhor atenção.
Lepond dispara um grande groove em Dehumanized e a pedaleira dobrada de Rullo não pode ser negligenciada. é claro que para uma bateria progressiva está pouco eclética, mas isto é porwer metal progressivo baby, é sempre a rasgar. E prometem estoirar com o Almadens já em Outubro próximo.

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

DREAM THEATER - A DRAMATIC TURN OF EVENTS (2009 ROADRUNNER RECORDS)

Deus escreve direito por linhas toras, ou então somos todos resultado de uma pura ironia, ou vítmimas de uma grande brincadeira de mau gosto.
Talvez sejamos nós como os palhaço equilibrista a atrvaessar o céu, e quando estamos a passar pelo teste de Abraão um avião rompe as nuvens em nosso salvamento. Um milagre?
O ser humano vive desesperado para ligar pontos de uma constelação e por isso temos de estabalecer relações entre marcas equidistantes ou não.
Mike Portnoy, o frontman que se senta num lugar mais improvável no palco, detrás do set de bateria, deixou a equipa galática do género progressivo ao seu destino, rumando para outros destinos deixando LaBrie, Petrucci, Ruddess e Myung para carregar a cruz.
Batidos, mas não vencidos, os génios minhocas decidiram continuar a cruzada e exteriorizar  aquela vontade incontrolável de escrever, escrever, e escrever mais músicas. O que esperar destas máquinas? Bem aparentemente, o nome sobrevive  e marca continua apesar de ícone abandonar o navio.
A filosfia continua bem própria, apesar de Portnoy ser um elmento fundamental, ele era mais um manager, do que um grande contribuinte da parte de composição. Todavia, a secção rítimica passava por ele. A seguir à percussão, o maior contributo de criação de Portnoy vinha nas letras, juntamente com Petrucci.
E nas reflexões, e no espírito crítico e atento de Petrucci que começa esta aventura. Mergulhados na crise financeira, as letras de petrucci expõem-nos e continuam a marca de tantas letras profundas a que os Drema Theater já nos habituaram - Voices, Great Debate, a Rite of Passage, entre outras. On the Backs of Angels não é excepção.
Mas a diferença de aproximação não passa indiferente. Logo de imediato notamos o contraste tanto na passividade da acção, o tom melancólico e a atitude mais lírica. Parece que a vertente mais metaleira deu lugar a uns Dream revezados nos sesu ídolos Yes, Pink Floyd ou Genesis. Bastane mais paisagísitocs, com arranjos jazzísticos, seja em Lost not Forgotten, ou na balada introspectiva de This is The Life.
esperava-se, e confirma-se um ascendente de Ruddess sobre a banda, e mais uma estreita colaboração com Petrucci. Apesar de apelativo e interessentate, temo que A Dramatic Turn of Events, se transforme na Dramatic Change of Guidance, podendo comprometer o reconhecimento que a banda tem tido recentemente, e se torne nos Dixie Dregs pós-modernos. Isto porquê? Porque apesar de ter a sua qualidade, músicas como Outcry, ou Breaking All Illusions (escrita pelo regressado poeta das cinzas Myung), e muito menos a «queda comercial» de Beneath the Surface, não demonstram a coerência e a estrutura de uma Honor Thy Father ou até mesmo uma In the Presence of Enemies, que são já clássicos do metal progressivo. Apesar de Bridges in The Sky darem o seu cunho positivo, nota-se que a bateria está muito apagada, quase como os álbuns de Opeth do princípio de década. E muito menos LaBrie tem o seu potencial vocal de outras eras.
Apesar de estranhar, e depois entranhar aos fãs, muitas legiões que vinham acompanhando Dream poderam perder o «momentum». E afastar-se.....

sexta-feira, 1 de abril de 2011

BLACKFIELD - WELCOME TO MY DNA (2011, SNAP MUSIC RECORDS)

Parece que os projectos paralelos, não são mais projectos paralelos. Pelo menos é essa a conclusão a que chego. Quem investiga as bandas principias, rapidamente vai buscar trablhos associados, e estuda o trabalho dos membros a finco, dando importância para o que se faz além destes colectivos emblemáticos.
Bem, dois discos seria o prazo limite do duo Blackfield ou, pelo menos, assim se esperava. Mas tal como surgiu Blackfield, o álbum homónimo, Aviv Geffen não esqueceu as encruzilhadas do carismático líder dos Porcupine Tree, habituado a escrever e a comandar as rédeas da criação artística, cedeu em continuar a colaborar com Geffen. No meio disto, o grandioso Fear of a Blank Planet e The Incident ocorreram, bem como Steven Wilson, sob o nome de Steven Wilson, com Insurgentes.
Apesar de estas mentes diferentes mas mutuamente interessadas se distanciarem na criação musical, a versatilidade e o gosto pela música de ambos faz de Blackfield uma banda progressiva na composição, mas não na expressão, dando-lhe um ar bem mais derock introspectivo, e acessível, na linha (esta palavra nos dias que correm já ganhou cá uma conotação) dos Marillion, que indirectamente acabaram por contribuir com a capa. Como tinha dito, Steven Wilson faz questão de demonstrart que é uma mente proactiva, mas The Incident, e o crescente fenómeno que os Porcupine Tree começam a representar pôs de lado uma contribuição significativa deste último, tendo Geffen apenas pedido contributo na performance. Daí que o álbum possa soar a progressivistas como eu, algo bastante estranho. Não tanto pelo soar a mil e uma noites com distorção ao barulho de Blood, ou mesmo a Go To Hell, que demonstra ímpetos bem menos comedidos, sobretudo no uso da linguagem, por parte de Geffen.
Este é um álbum pessoal para Geffen, e no fundo passa-se logo a imagem de identidade no título, bem como depois nas reacçoes misantorpas, e nas tensões familiares de On The Plane ou até mesmo de DNA. E em certa medida vemos o compromisso de Wilson em fazer uma coisa diferente, pela amizade, e sobretudo pela busca incessante da diversidade e ecletismo musical. Aqui não espaço para solos, alternâncias de ritmo, secções complexas como Wilson nos mostra nos Tree. É músicas, a canção livre e simples, escutável, melódica e sentida, sem grandes viagens ao asubconsicente, que tanto apreciamos nos Tree. Oxygen é a música trauteável, tão boa de se ouvir a caminho do trabalho, ou para facilmente aprender os acordes e cantar com os amigos uma música alternativa, para tantos tão desconhecida. Welcome To my Dna é assim a nossa pop privada, reservada aos fão do progressivsimo que tiveram a sorte, de um seu embaixador se ter junto a um importante músico de suporte dos U2 fazebdo deste disco uma agradável colecção de canções, que se esgotam nuns 49 minutos.

terça-feira, 22 de março de 2011

ROGER WATER - THE WALL LIVE, 21.03.2011 - PAVILHÃO ATLÂNTICO

Quem conhece a História dos Pink Floyd e dos seus vários membros, sabe como The Wall é dos discos, se não o disco mais importante da carreira dos Floyd, e por consequência do próprio Waters. The Wall assume uma importânica tal, e é uma ideia tão forte, que acabou por despoletar uma guerra, ou agravar as tensões já existentes no seio da banda.
De facto estas tensões ainda existem, se bem que já muito cicatrizadas, e já pagadas pelo tempo que teima em levar as vidas destes génios musicais que se uniram num dos melhores colectivos que a música contemporânea já produziu. No entanto, Waters continua a apelidarThe Wall como seu filho, esquecendo-se de todo o contributo musicalfeito por Gilmour e de arranjos musicais e de produção, para o qual todo o colectivo dos Floyd colaborou. Mas diria , que tudo isso são águas passadas, cheiram mal é certo. Mas há que olhar para The Wall como o derradeiro espectáculo do rock.
Tão cinematográfico, tão psicológicamente denso, abordado temas tão fulcrais como educação, guerra, loucura, e a influência anestética e alienante de um concerto de rock que Pink vem à rua em In The Flesh? tomar as rédeas de um estado totatlitário. No fundo the Wall é uma revolta interior entre o indivíduo e tudo o que constitui um rótulo, ou uma «brand» (será essa a ideia na mente anglofona de Waters) de uma qualquer estrutura colectiva. Qase diríamos que The Wall é um rebeldia anárquica, sem estampas de esquerda ou de direita. Waters pegou nessa ideia e desenvolveu-a hoje para uma qualquer forma de revolta política, económica e social. De facto, The Wall é tudo e é nada, e o seu misticismo ultrapassa todas as outras encenações operáticas de uma banda de rock. E acreditem, que as outras, Tommy, Quadrophenia e The Lamb Lies Down on Broadway tem o seu valor e sgnificado bem profundos.
Entre os 30 anos que já distanciam a digressão original e os 20 da recriação berlinense, Waters viu numa legião de velhos e novos fãs, obcecados tanto pelo saudosismo como o vazio do impacto do universo vasto, mas coeso do art rock, representado numa pouca série de bandas reduzidas ao anonimato ou ao exacerbado empenho técnico, incapaz de cativar as grandes massas, voltaram-se para os clássicos, que por esta altura, já tinham a sua carga mística intensa e imaculada. As novas gerações, como eu, olhavam para o passado com fascínio e curiosidade, longe dos palcos fantásticos e lendários, que preencheram a mente de gerações de jovens em plenas revoluções sociais, e faltaram por mero acidente temporal, a esses momentos históricos.
E como não há bandas de tributo que possam jamais substituir o original (ainda que em formto parcial), cliché, mas para quem adora música, bem verdade, lá fui encantado assistir à repetição da história. A lição gravada na minha mente como uma tatuagem - já que Is There Anybody Out There? The Wall Live 80-81 é um dos meus discos preferidos de sempre e para mim o verdadeiro formato do The Wall- . E o alinhamento não enganou, só há 30 anos. The Wall foi tocado quase, tal e qual, arriscaria a dizer como foi tocado no formato acima referido. E ainda bem, não queria que me faltasse o inédito What Shall We do Now? que tanta intensidade e enfâse dá à interlocução Empty Spaces. Nem mesmo a faixa Last Few Brick que é uma variante instrumental de várias músicas, nomeadamente as já referidas Empsty Spaces ou Young Lust, como Another Brick in The Wall.
E Waters é um homem de palavra e fiél ao seu trabalho. Registos que olhando para trás e, mesmo não sendo apenas dele (volto a frisar esta ideia), foram recriados. Digam-no, o Prof. a Mãe, a namorada, o porco, o spitfire, e aproveitando e aprofundando há já sua orientação poltica Orwelliana. Valeu o dinheiro, e quem assite entende o seu valor. Aspecto aliás que já não é novo. A digressão do The Wall de 80-81foi uma das mais caras de sempre, tendo os produtores desse espectáculo os Floyd, excluindo Rick Wright que estava a soldo, tiveram um prejuízo do caraças. Mas hoje com toda esta tecnologia, bem mais fácil de recriar.
Mas venha o mais pintado dizer que The Wall 09-11, ultrapassa 80-81 quando podiam ver Gilmours a solar no topo do muro. De facto esse momento, tal como o ser humano, é irrepetível, e mais do que este, é inantingível.

domingo, 13 de fevereiro de 2011

UNITOPIA - ARTIFICIAL (2010, INSIDEOUT)

Bem, para muitos leitores, este nome poderá parecer um parafrasear de uma obra de ficção científica ou alguns conceitos dispersos sobre uma nova investida surrealista. Bem, não é bem disto que estes novos australianos na estrada vêm tratar.
Com uma corrente bem jazzística, e com um percepção muito beatlesca do rock progressivo, estes marsupiais seguram com artificial a sua presença nas novas correntes progressivas. E desde cedo percebi, que estão aqui para ser adorados ou odiados.
Tesla foi o nosso primeiro encontro, e após umas setlists compridas, a voz narrativa de Mark Trueack, com um toque carismático próprio, e um traço fisiológico que dá para tudo, menos para frontman, parti para a história futurista dos Unitopia.
Bem, esta versão mais soft da história de Exterminador, explora aquilo que é tema de sobremesa para muitos filósofos: a existência de intelegência artificial. Para nós reucpera em termos líricos aquilo que as melhores bandas progressivas já fizeram, a capacidade de narrar contos. Os exemplos são inúmeros - 2112 dos Rush, The Lamb Lies Down on Broadway dos Genesis - vocês digam-no. As músicas seguindo um fio condutor, desenvolvem-se, como vários capítulos da mesma história, conseguindo dar essa percepção ao ouvinte.
Outro carisma recuperado, é a dissecção dos vários temas. Compreende-se que os Unitopia não são compositores tradicionalmente progressivos. Basta ver que uma das referências do guitarrista é o gigante do blues rock - Mark Knopfler. E quando escutamos Tesla e outros temas mais extensos, é como dissecar um corpo. Partes de música bastante diferentes interagem muito bem entre si, mas o carácter evolutivo, de uma só grande canção não se pode dizer que exista, como por exemplo, seria uma Count of Tuscany, ou um Deliverance.
No entanto os fenómenos de transição entre as várias parte da música funcionam até bastante bem, com baixo pujante, e bem presente, com um groove funk rock, e um execlente trabalho dos saxofonistas.
Já a dicotomia entre as variações de tempo rápidas e mais brandas, designando estados de urgência ou de medo, enquanto se assiste à extinção da raça humana.
Os Unitopia parecem um desabrochar tardio, mas benvindo.

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

CASINO JACK DE GEORGE HICKENLOOPER (2010, ART TAKES OVER)

Viva companheiros. Há já algum tempo que não vos escrevia e espero que esta hiatus tenha contribuído para novas e mais inspiradas ideias da minha parte.
Em parte, devido ao delírio da febre, fiquei preso às 4 da manhã a ver este «doc-drama».
Muitos não gostam do Kevin Spacey, mas desde que vi Recount, e claro Se7enm Spacey tem estado nos trabalhos mais controversos e no campo do cinema de «intervenção» por assim dizer, demonstrando-se como um dos actores mais prolíficos e com uma queda inata para escolher argumentos. Aliás, isso diz muito dele como produtor.
Passando ao que interessa. O filme faz questão, de frisar, de imediato, que a história se baseia em factos verídicos. E mesmo que nos tenha passado um pouco despercebido (duvido com a influência que o Conan já tem por terras lusitanas). Como é natural, a trama tem que ser bem delineada e orientada para que se perceba um argumento que normalmente envolva crimes de colarinho branco. Especialmente, os de escala federal.
A frase mais controversa, e aquela que mais choca os nossos brandos costumes, é que um lobista, como o nosso amigo Jack Abramoff, judeu republicano convicto, jurista graduado pela Brandeis University, é a profissão e actividade de um lobista está protegida pelo direito de petição (right to petition and adress the government for grievances), isto é, é um modo de exercício de um direito, e portanto tem tutela constitucional. Por consequência é legal. Dúvido que os Pais Fundadores do E.U.A. tenham previsto as implicações da 1ª Emenda, ou que ela pudesse ser vista, como destrutiva do próprio sistema. Comprar alguém, significa peticionar por um determinada peça legislativa?
Bem, o filme começa pelo fim. Jack Abramoff cai no fim de uma ascensão megalómana, finalmente se vê preso na sua própria armadilha, julgado pelos mesmos que fez chegar ao poder. Desvirtuado da razão.
Quem viu Capitalismo - Uma História de Amor, ou mesmo Wall Street - The Money Never Sleeps, sabe que a personagem principal não é em si, uma pessoa real ou fictícia, mas a moral ou o perfil moral do ser humano, aqui em foco a ambição, nem sempre boa, e desmedida, nunca boa.
O foco desta longa metragem cabe no talento de Kevin Spacey, um actor afastado do enfoque das luzes das grandes produções megalómanas, e bem, sempre dedicado ao cinema independente, não só financeiro, como em termos de argumento. Jack é assim caricaturado, como um homem de grande poder nos bastidores em como não podia deixar de ser, um homem cheio de paradoxos, e brilhante nas falsas verdades, e nas frases-chaves da política americana que, inesperadamente, lideram sempre os mesmos à vitória. «E o Povo paga isso?».
E o poder, significa influência, que sempre há-de chegar ao dinheiro que, por sua vez, compra mais poder. Até o ciclo ser interrompido, e aquelas peças de xadrez que foram cuidadosamente colocadas no tabuleiro, se viram contra o jogador. E, mesmo assim, tinha o jogador costas bem quentes, e grandes amiguinhos. Mas, e nisso temos de ser abonatórios dos americanso, uma vez expostos ao público e á justiça, ter amigos não chega.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

GRANDES MALHAS#5: BIGELF - MADHATTER



Se o universo de repente entrasse num único tunel de inversão espaço-temporal, teríamos uma box de especial de reedições dos Bigelf em Setembro passado. Felizmente o nosso mundo é o melhor dos mundos de Leibniz, e por isso podemos conjugar epítomes de dois opostos, os Beatles e os Black Sabbath.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

AVATAR DE JAMES CAMERON (2009, 20th CENTURY FOX)


Se pudesse resumir Avatarem poucas palavras diria apenas espectáculo visual. Mas como podemos falar de um filme que foi uma das maiores produções cinematográficas computurizadas que alguma vez existiram, e que já renderam o quintuplo ou o sextiplo do que custaram e dizer apenas isto. Pois mas é isto mesmo que o filme se resume na práticas só que uma mistura de Pocahontas versão ficção-científica ao toque de Cameron, isto é, Aliens. Todo o magnífico trabalho tradicional, de maquetes, vestuário, guião e acção conseguido por Cameron em Aliens está ultrapassado. Cameron é o realizador que se actualizou e ultrapassou. Tudo o que fez em 1986 ficou para revivalistas ao estilo do filho David Bowie. Agora ficam as imagens pré-renderizadas produzidas por gigantescas redes de computadores de animadores gráficos. Pode parecer estranho e até nefasto, os actores serem substituídos por personagens animadas por computador. Corta-se no elenco, e perde-se a densidade do actor. Era iso que Paul Newman sempre lutou. No entanto o que se asiste é um novo género de cinema. O Antigo não deixa de estar presente. Mas é a ficção cientifíca que mais disto carece. Criação de um abiente extramente realista, a que os olhos actuais não se deixam facilmente enganar, O computador e a inovação téncica soberba que ele trouxe deu uma nova extremamente realista a um universo ficcionado. O argumento coube a Cameron, que idealizou um mundo habitável, e este novo mundo, tal como o de Pocahontas está cheio de metias preciosos. Mais uma vez. Camron recorre aos ideais anti-corporativistas das grandes empresas tal como Weyland-Yutani do Aliens ou Cyberdine de Exterminador Implacável 2. Aquilo a que Ridley scott definiu de Corporate Paranoia, o que caba por ter um bom toque de conspiração.

De qualquqer maneira, como os Ingleses pretendiam o ouro, os humanos querem a platina de Pandora, o que umas pequenas grama svalem milhões. O pequeno problema é que estão lá os auctótenes, uns indiozinhos que amam a terra e o espírito que emana das coisas. (Onde é que já ouvi isto?) claro que, para completar a cena falta só o John Smith, que em Avatar tem precisamente o mesmo número de letras e palavras, um militar, soldado raso do exército terrestre, chamamdo Jake Sully, Com a diferença que Sam Worthington (o austeliano que já se estrear numa sequela do franchise cirado também por Cameron - Exterminador Implacável: A Salvação) veste a pele de um incapacitado, paraplégico.
O ponto forte do filme é, sem dúvida, a imagem e a concepção de todo o mundo de Pandora, que não é totalmente inconcebível. Oas animais têm aprência de grandes bestas pré-históricas, e os Na'vi de humanoides de 3.30 com ligeiras caras felinas, óptimos para um jogo dos Lakers-Bulls. A diferença fisiológica é o contacto que conseguem ter establelecendo elo físicos com os seres com os quais entram em contacto. Isto é a pequena vírgula introduzida no argumwento que sem isso não tem o cunho de originalidade intocável. E claro a tecnologia do transporte de consciências de corpo para corpo. Sem essa faculdade, Jake Sully, naõ conseguiria sobreviver no mundo de Pandora, uma atmosfera de composição gasosa que não o azoto e oxigénio.
O transporte para o filme não foi conseguido ainda sem a captura de imagens humanas, a que para isso contribuiram actores não de segunda linha, mas de nome irreconhecível. sem eles as expressões ultra-realistas de computador seriam infrutíferas e no f8undo irrealistas. Ao fim e ao cabo, o cinema ainda não se resume totalmente a um animador omnipotente com um rato. Ainda não, mas anda lá perto.


terça-feira, 5 de janeiro de 2010

ÁLBUM DE RECORDAÇÕES#8: ERIC CLAPTON - BACKLESS (1978, POLYDOR RECORDS)


Recomendado por um solicito colega de trabalho, Backless é assim se se pode dizer um disco sinistro. Como é hábito vem trazendo muitas músicas que não são da sua exclusiva autoria, mas que o «toque divino» de Clapton dá um arranjo especial.
Até este momento, em plena década do decadentismo futurista, muitas peripécias já haviam passado pela vida de Clapton. Já tinha sido apelidado de Deus nas estações de metro de Londres, ainda com John Mayall Blues Breakers, reinventando e lançando as bases do rock moderno com os Yardbirds, inventou o blues rock, misturou-o com o psicadelismo no primeiro power trio, com os Cream e teve ainda faceta do homem dos mil projectos com os fabulosos discos Layla and other Assorted Songs dos Derek & Dominoes e o hmónimo dos Blind Faith com o seu velho companheiro de armas dos Cream, Ginger Baker.
Que faltava a Eric Clapton. Ele já entrara no Rock N' Roll Hall of Fame ainda antes das suas bandas, e já grangeara, vários anos consecutivos, o prémio de melhor guitarrista do mundo. Neste momento Clapton queria satisfazer o seu ego de tocar música.
Britânico, mas não orgulhosamente, Clapton foi sempre apaixonado pelos sons do outro lado do Atlântico. Walk out in the rain é a primeira contribuição do «deus» para renovar o legado do Sr. Dylan e da sua amada Helena Springs. A acompanhar esta faceta junta-se If I Don't be There By Morning. Como é habitual em Clapton, a intervenção social ou política é deixada de lado. Backless é isso mesmo, um disco para passar um bom serão, especialmente adequado para as noites de Natal, ou jantar com amigo em casa. Que o diga a cheia de soul «Roll it» de Clapton com Marcy Levy, a alegre Watch out for Lucy, ou a provocadora «I'll make love to you anytime» do seu amigo J.J.Cale.
Bakcless é um álbum de influências de reflexo de personalidade daí que os arranjos de temas tradicionais de blues como Early in the Morning ou o clássico «Promises» de Richard Feldman tem aqui presença. Destaque para o primeiro que tem uma harmónica magistral. Aquilo que seria um álbum de rotina, torna-se uma supresa reveladora na discografia de Clapton.


quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

BALANÇO 2009:

Chegámos ao fim do ano, o penúltimo desta terível década no novo milénio. Aqui ficam os melhores e os piores.

Melhor Álbum: Crack the Skye, Mastodon

Melhor faixa: Count of Tuscany, Dream Theater


Pior Álbum: Scream de Chris Cornell

Melhor Álbum Nacional: Hemisférios dos Dazkarieh / Femina de Legendary Tiger Man

Melhor Concerto: Tributo a João Aguadela - Gaiteiros de Lisboa, Oquestrada, Dead Combo e A Naifa

Melhor Álbum ao Vivo: Ao vivo no hot Clube dos Dead Combo

Melhor DVD: The Roundhouse Tapes, Opeth

Melhor Banda Revelação: Them Crooked Vultures

Pior Banda Revelação: The Dead Weather

Melhor Revelação Pessoal: Opeth

Pior Revelação Pessoal: Chris Cornell

Melhor Regresso: Alice In Chains e Transatlantic

Pior Regresso: Kiss

Melhor Despedida: Delfins, bem agauardado o foi.

Melhor evento político: Tomada de posse de Barack Obama para Presidente dos Estados Unidos

Melhor Livro: As Andanças de Cândido de Miguel Nogueira de Brito

Melhor filme: CHE - Partes 1 e 2 de Steven Soderberg

Melhor Série de TV Dramática: Mad Men

Melhor Série de TV Cómica: Gato Fedorento: Esmiuça os Sufrágios

Melhor Série de Animação: Os Simpsons

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

THE BEATLES - MERRY CHRISTMAS

Um Feliz e Santo natal para todo com muitas prendas no sapatinho , sobretudo com saúde e paz, um Natal decente porquer infelizmente me tiraram o meu. São estes os votos de insignifacâncias reveladas.

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

STRATOVARIUS - POLARIS (2009, VICTOR/EARMUSIC)


Nas minhas andaças pela busca da melhor banda do mundo, e enquanto ficava siderado a ouvir as maravilhas dos Dream Theater, dei-me conta de uns finlandeses maravilha, que conseguiram a proeza de se manterem vivos e activos sem nenhum dos membros do seu alinhamento original, correram o risco de se tronar num fim funesto de uma novela mexicana, ou pior desfecho de um romance de Camilo Castelo Branco versão cigana - tudo morto à facada.
Com Stratovarius o quinteto que se elevou a épico do Power Metal, com o vocalista mais narcisista que já existiu - Timo Kotipelto (superando mesmo James LaBrie), demonstrou punho de ferro na hora de retomar as rédeas da banda. Mais de 15 anos não foram suficientes para impor a Timo Tolkki, o guitarrista fundador, a autoridade necessária sobre a banda. O Choque de Titãs, quase como a rivalidade Gillan/Blackmore dos Purple, chegou para lançar o clássico Vison, o clássico power-metal, ou o mesmo em versão pop com Destiny, até enveredar pelas malhas do porgressivismo Tolkiano em Elements Pt.1 e 2. Até que as coisas traspareceram cá para foram que não estavam bem, e Tolkki foi esfaqueado e Jens Johansson, o teclista chegou mesmo a chamar-lhe o fim.
Veio Stratovairus a vingança de Tolkki, mas mesmo assim tinha um sabor agri-doce e de que as coisas não resultariam muito tempo. Foi então que se despediram que era o líder que lhe chamava um projecto que lhe já não pertencia. Levou consigo o imperceptível Jari Kainulainen.
O melhor que tiveram a fazer foi mesmo a renovar a forta das cordas. O novo sangue trouxe uma dimensão eclética e cheia de ferocidade de encher de notas cada compasso de música.os amadores do classicismo, e conservatório ciraram um épico considerável, igualável, senão mesmo superior a Vision ou Intermission.
Deep Unknown é a demonstração imediatado sangue renovado, com um guitarra soberba e cheia de vitalidade de Matias Kuipianen e a estas se seguem Higher We Go ou Somehow Precious. E no baixista não se fala. Como um Cliff Burton escandinavo, traz-nos das melhores composições do álbum como Forver is Today ou Falling Star, e a virtuosa Suite EmacipationPt.1 e 2.
Mas nem os veteranos se deixam levar ou ser ultrapassados tão facilmente. O mentor Johansson supreendido mas não vencido dá ainda um excelente contributo King of Nothing, Blind e a balada brutal Winter Skies. Um hino à Estrela Polar, vindo dos lobos da Lapónia, das terras gélidas.


quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

ÁLBUM DE RECORDAÇÕES#7: THE BEATLES - LET IT BE (1970, EMI/PARLOPHONE)


À semelhança de Abbey Road, Let It Be está carregado de ironia e ao mesmo tempo filosofia de vida. Pelo menos interpreto-o eu assim. Como quem diz, e depois do Adeus, aceitem a passagem das coisas com serenidade.
Numa famosa entrevista a John Lennon, o hippie que seria hoje sir, numa das milhentas perguntas que lhe fizeram aquando e depois da separação dos Beatles, dizendo que não é motivo para lamúrias, porque o material está lá, as músicas estão lá e as discográficas, em especial a Apple (editora fundada pelos próprios Beatles), estará a troco de mais uns soldos satisfazer as saudades de velhos e novos fãs dos Beatles.
Let It be nasceu de um projecto de Paul McCartney que frustrado pela falta de concertos, acabou por criar um marco na história entre outros tantos que os Beatles já tinham provocado. Inúmeras bandas desde então têm dado concertos em telhados, caso dos U2, ou em ruelas de Nova Iorque como os Rage Against The Machine, ou os Doors que deram um em pleno asfalto, ou até em cima de toldos de cinemas como os Audioslave.

Há quem considere Let It Be um fracasso. Eu penso que foi, sem dúvida, um sucesso, e foi dos primeiros álbuns ao vivo, a gerar um disco de estúdio. E tantas músicas que sairam deste LP e inspiraram artistas que lhes sucederam. Ainda no seu épico Relase the Stars, Rufus Wainwright pegava na etérea Across the Universe, os Pearl Jam, numa ediçãoe especial do Ten lançavam a movimentada pré-punk I've Got a Feeling.
George Harrison dá o seu hab itual contributo, aqui com uma violenta sátira ao individualismo exacerbado
A balada com orquestração clássica inesquecível de Paul McCartney, The Long and Winding Road, igual à elevação espiritual de Hey Jude mas com o dramatismo de She's Leaving Home ou Eleanor Rigby. Mas nota-se uma influência bem folk/country, influência bem conhecida dos Beatles que tinham uma forte afinidade com Bob Dylan (claro como água em Dig It em que fazem um reedição psicadélica do clássico Rolling Stone) e os novos percusores do folk rock, como Neil Young e os seus Buffallo Springfield. E que maneira melhor de terminar senão com o melhor rock n' roll dos Beatles, Get Back, uma das melhores malhas da História, com Paul McCartney a sacar da sua voz esganiçada, a voz que se tornaria baluarte do rock, e Lennon e Harrison a aproveitrem o melhor da cadência de blues das suas guitarras.
E no final «Speaking words of Wisdom, Let It Be», Os Beatles já há muito que faziam história.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

ÁLBUM DE RECORDAÇÕES#6: THE BEATLES - ABBEY ROAD (1969, EMI/PARLOPHONE)


Este, como vários grandes discos da história, tem uma história carregada de ironia, é o anúncio confirmado de um fim. Muito embora, Let It Be haveria de ser lançado posteriormente, este foi de facto o álbum de despedida dos Garotos de Liverpool.
Eles preconizaram o princípio de uma revolução e o seu auge, mas quando a geração hippie comelou a degenerar num futuro profético dee A Laranja Mecânica, a década de 70 já não haveria de lhes pertencer, mas a uma ficção científica fascinante de uma evolução do rock em várias subespécies de rock, tanto mais progressivo, agressivo ou de fusão. Géneros que directa ou inderectamente se reconduzem ao Quarteto Fantástico Britânico.
Não é por acaso que o nome do estúdio ficou para sempre gravado como uma fabulosa colectânea de músicas contemporâneas. As salas de gravação eram uma 2ª casa e o ambiente familiar dava-lhes um certo conforto para a composição. E talvez, ainda que subtilmente, todo espaço lhes dava tranquilidade ao ponto de se tornar um dos desenlaces mais pacíficos da História da Música. Apesar de internacionais, os Beatles não deixavam de ter aquela postura britânica, que acompanha um «beef» para qualquer lado.
Se calhar por úm fim estar próximo, parece que isso ainda elevou mais o nível de composição. «Come Together», é uma das músicas com mais groove que já se fizeram. Se Paul McCartney não for por isto considerado um dos melhores baixistas que já existiram, não sei o que será. Apesar de suave, a música tem um poder, e como sempre uma conotação subjacente que John Lennon imprimia nas letras. As habituais contribuições isoladas de George Harrison com a sua eterna companheira «guitarra-musa», dá um simbolismo e uma magia às músicas dos Beatles, no meio da coalboração hegemónica Lennon-McCartney. «Something» e «Here Comes The Sun» mostra-nos um Harrison, mais afastado do experimentalismo oriental, mas mesmo assim marcante, junta-se às grandes While My Guitar Gently Weeps ou a posterior I Me Mine.
Maxwell Silver Hammer é o prenúncio da revolução dos Hammond Organs que haveriam de vir, de uma maneira profética, e sobretudo alegre. Onde tal como os Lords Ingleses, os Fab Four mostram-se triunfantes mesmo na derrota, ou melhor no fim. E se anterior, o legado instrumental dos Beatles mostra as suas penas de pavão, Oh Darling! mostra o futuro dos coros. Se calhar poucos reconduzem aos Beatles, mas para mim o início dos arranjos vocais começa com a voz esganiçada de Paul McCartney que à Senhor mostra aqui o sentimentalismo do Cromossoma Y, de uma maneiras extraordinária.
E se as supresas acabavam por aqui somos surpreendidos pela «estado de graça» de Ringo Starr em Octopus's Garden. Que não só se safa na secção rítmica, como faz uns fabulosos arranjos de guitarra e voz.
Mas o tema seguramente mais amado dos Beatles, pelos fãs pelo menos, é dedicado à deusa oriental Yoko Ono. Segundo se diz por aí. Lennon estava tão enamorado, que com o seu velho companheiro de armas McCartney, que acabou por emprestar a densidade vocal de que a música precisava. Da primeira vez que ouvi a música, estranhava a similitude impressionante que Finally Free dos Dream Theater tinha com esta faixa. De facto, esta música está revestida de um mito pouco vulgar, que faz dela uma das canções «de todos os tempos».
Até aqui já estaríamos satisfeitos com um excelente lado A para ourvirmos durante muitas e várias horas sem cansar. Só que a tempestade mental do quarteto ainda estava por acabar. «You Never Give Me Your Money», será mais uma das músicas de sempre com a psicadélica She Came in Through The Bathroom Window, que demarcou, como tantas outras, o contributo das drogas para a história da música moderna, tal como o absinto e o ópio determinaram a música romântica e sucessivamente a música do início do Século XX.
Com um toque de sarcasmo os Fab Four, despedem-se com Carry That Weight, música que junta todo o esforço colectivo vocal, óptima para preencher estádios, coisa que poderiam ter feito, mas o grupo nunca quis; e The End que bem a um jeito hippie é uma faixa bem alegre com um forte cunho instrumental, sobretudo das percussões e da guitarra Harrisoniana. Her Majesty marca o paradoxo internacionalista dos Beatles, que nunca deixaram de ser orgulhosos ingleses.