quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

AVATAR DE JAMES CAMERON (2009, 20th CENTURY FOX)


Se pudesse resumir Avatarem poucas palavras diria apenas espectáculo visual. Mas como podemos falar de um filme que foi uma das maiores produções cinematográficas computurizadas que alguma vez existiram, e que já renderam o quintuplo ou o sextiplo do que custaram e dizer apenas isto. Pois mas é isto mesmo que o filme se resume na práticas só que uma mistura de Pocahontas versão ficção-científica ao toque de Cameron, isto é, Aliens. Todo o magnífico trabalho tradicional, de maquetes, vestuário, guião e acção conseguido por Cameron em Aliens está ultrapassado. Cameron é o realizador que se actualizou e ultrapassou. Tudo o que fez em 1986 ficou para revivalistas ao estilo do filho David Bowie. Agora ficam as imagens pré-renderizadas produzidas por gigantescas redes de computadores de animadores gráficos. Pode parecer estranho e até nefasto, os actores serem substituídos por personagens animadas por computador. Corta-se no elenco, e perde-se a densidade do actor. Era iso que Paul Newman sempre lutou. No entanto o que se asiste é um novo género de cinema. O Antigo não deixa de estar presente. Mas é a ficção cientifíca que mais disto carece. Criação de um abiente extramente realista, a que os olhos actuais não se deixam facilmente enganar, O computador e a inovação téncica soberba que ele trouxe deu uma nova extremamente realista a um universo ficcionado. O argumento coube a Cameron, que idealizou um mundo habitável, e este novo mundo, tal como o de Pocahontas está cheio de metias preciosos. Mais uma vez. Camron recorre aos ideais anti-corporativistas das grandes empresas tal como Weyland-Yutani do Aliens ou Cyberdine de Exterminador Implacável 2. Aquilo a que Ridley scott definiu de Corporate Paranoia, o que caba por ter um bom toque de conspiração.

De qualquqer maneira, como os Ingleses pretendiam o ouro, os humanos querem a platina de Pandora, o que umas pequenas grama svalem milhões. O pequeno problema é que estão lá os auctótenes, uns indiozinhos que amam a terra e o espírito que emana das coisas. (Onde é que já ouvi isto?) claro que, para completar a cena falta só o John Smith, que em Avatar tem precisamente o mesmo número de letras e palavras, um militar, soldado raso do exército terrestre, chamamdo Jake Sully, Com a diferença que Sam Worthington (o austeliano que já se estrear numa sequela do franchise cirado também por Cameron - Exterminador Implacável: A Salvação) veste a pele de um incapacitado, paraplégico.
O ponto forte do filme é, sem dúvida, a imagem e a concepção de todo o mundo de Pandora, que não é totalmente inconcebível. Oas animais têm aprência de grandes bestas pré-históricas, e os Na'vi de humanoides de 3.30 com ligeiras caras felinas, óptimos para um jogo dos Lakers-Bulls. A diferença fisiológica é o contacto que conseguem ter establelecendo elo físicos com os seres com os quais entram em contacto. Isto é a pequena vírgula introduzida no argumwento que sem isso não tem o cunho de originalidade intocável. E claro a tecnologia do transporte de consciências de corpo para corpo. Sem essa faculdade, Jake Sully, naõ conseguiria sobreviver no mundo de Pandora, uma atmosfera de composição gasosa que não o azoto e oxigénio.
O transporte para o filme não foi conseguido ainda sem a captura de imagens humanas, a que para isso contribuiram actores não de segunda linha, mas de nome irreconhecível. sem eles as expressões ultra-realistas de computador seriam infrutíferas e no f8undo irrealistas. Ao fim e ao cabo, o cinema ainda não se resume totalmente a um animador omnipotente com um rato. Ainda não, mas anda lá perto.


terça-feira, 5 de janeiro de 2010

ÁLBUM DE RECORDAÇÕES#8: ERIC CLAPTON - BACKLESS (1978, POLYDOR RECORDS)


Recomendado por um solicito colega de trabalho, Backless é assim se se pode dizer um disco sinistro. Como é hábito vem trazendo muitas músicas que não são da sua exclusiva autoria, mas que o «toque divino» de Clapton dá um arranjo especial.
Até este momento, em plena década do decadentismo futurista, muitas peripécias já haviam passado pela vida de Clapton. Já tinha sido apelidado de Deus nas estações de metro de Londres, ainda com John Mayall Blues Breakers, reinventando e lançando as bases do rock moderno com os Yardbirds, inventou o blues rock, misturou-o com o psicadelismo no primeiro power trio, com os Cream e teve ainda faceta do homem dos mil projectos com os fabulosos discos Layla and other Assorted Songs dos Derek & Dominoes e o hmónimo dos Blind Faith com o seu velho companheiro de armas dos Cream, Ginger Baker.
Que faltava a Eric Clapton. Ele já entrara no Rock N' Roll Hall of Fame ainda antes das suas bandas, e já grangeara, vários anos consecutivos, o prémio de melhor guitarrista do mundo. Neste momento Clapton queria satisfazer o seu ego de tocar música.
Britânico, mas não orgulhosamente, Clapton foi sempre apaixonado pelos sons do outro lado do Atlântico. Walk out in the rain é a primeira contribuição do «deus» para renovar o legado do Sr. Dylan e da sua amada Helena Springs. A acompanhar esta faceta junta-se If I Don't be There By Morning. Como é habitual em Clapton, a intervenção social ou política é deixada de lado. Backless é isso mesmo, um disco para passar um bom serão, especialmente adequado para as noites de Natal, ou jantar com amigo em casa. Que o diga a cheia de soul «Roll it» de Clapton com Marcy Levy, a alegre Watch out for Lucy, ou a provocadora «I'll make love to you anytime» do seu amigo J.J.Cale.
Bakcless é um álbum de influências de reflexo de personalidade daí que os arranjos de temas tradicionais de blues como Early in the Morning ou o clássico «Promises» de Richard Feldman tem aqui presença. Destaque para o primeiro que tem uma harmónica magistral. Aquilo que seria um álbum de rotina, torna-se uma supresa reveladora na discografia de Clapton.


quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

BALANÇO 2009:

Chegámos ao fim do ano, o penúltimo desta terível década no novo milénio. Aqui ficam os melhores e os piores.

Melhor Álbum: Crack the Skye, Mastodon

Melhor faixa: Count of Tuscany, Dream Theater


Pior Álbum: Scream de Chris Cornell

Melhor Álbum Nacional: Hemisférios dos Dazkarieh / Femina de Legendary Tiger Man

Melhor Concerto: Tributo a João Aguadela - Gaiteiros de Lisboa, Oquestrada, Dead Combo e A Naifa

Melhor Álbum ao Vivo: Ao vivo no hot Clube dos Dead Combo

Melhor DVD: The Roundhouse Tapes, Opeth

Melhor Banda Revelação: Them Crooked Vultures

Pior Banda Revelação: The Dead Weather

Melhor Revelação Pessoal: Opeth

Pior Revelação Pessoal: Chris Cornell

Melhor Regresso: Alice In Chains e Transatlantic

Pior Regresso: Kiss

Melhor Despedida: Delfins, bem agauardado o foi.

Melhor evento político: Tomada de posse de Barack Obama para Presidente dos Estados Unidos

Melhor Livro: As Andanças de Cândido de Miguel Nogueira de Brito

Melhor filme: CHE - Partes 1 e 2 de Steven Soderberg

Melhor Série de TV Dramática: Mad Men

Melhor Série de TV Cómica: Gato Fedorento: Esmiuça os Sufrágios

Melhor Série de Animação: Os Simpsons

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

THE BEATLES - MERRY CHRISTMAS

Um Feliz e Santo natal para todo com muitas prendas no sapatinho , sobretudo com saúde e paz, um Natal decente porquer infelizmente me tiraram o meu. São estes os votos de insignifacâncias reveladas.

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

STRATOVARIUS - POLARIS (2009, VICTOR/EARMUSIC)


Nas minhas andaças pela busca da melhor banda do mundo, e enquanto ficava siderado a ouvir as maravilhas dos Dream Theater, dei-me conta de uns finlandeses maravilha, que conseguiram a proeza de se manterem vivos e activos sem nenhum dos membros do seu alinhamento original, correram o risco de se tronar num fim funesto de uma novela mexicana, ou pior desfecho de um romance de Camilo Castelo Branco versão cigana - tudo morto à facada.
Com Stratovarius o quinteto que se elevou a épico do Power Metal, com o vocalista mais narcisista que já existiu - Timo Kotipelto (superando mesmo James LaBrie), demonstrou punho de ferro na hora de retomar as rédeas da banda. Mais de 15 anos não foram suficientes para impor a Timo Tolkki, o guitarrista fundador, a autoridade necessária sobre a banda. O Choque de Titãs, quase como a rivalidade Gillan/Blackmore dos Purple, chegou para lançar o clássico Vison, o clássico power-metal, ou o mesmo em versão pop com Destiny, até enveredar pelas malhas do porgressivismo Tolkiano em Elements Pt.1 e 2. Até que as coisas traspareceram cá para foram que não estavam bem, e Tolkki foi esfaqueado e Jens Johansson, o teclista chegou mesmo a chamar-lhe o fim.
Veio Stratovairus a vingança de Tolkki, mas mesmo assim tinha um sabor agri-doce e de que as coisas não resultariam muito tempo. Foi então que se despediram que era o líder que lhe chamava um projecto que lhe já não pertencia. Levou consigo o imperceptível Jari Kainulainen.
O melhor que tiveram a fazer foi mesmo a renovar a forta das cordas. O novo sangue trouxe uma dimensão eclética e cheia de ferocidade de encher de notas cada compasso de música.os amadores do classicismo, e conservatório ciraram um épico considerável, igualável, senão mesmo superior a Vision ou Intermission.
Deep Unknown é a demonstração imediatado sangue renovado, com um guitarra soberba e cheia de vitalidade de Matias Kuipianen e a estas se seguem Higher We Go ou Somehow Precious. E no baixista não se fala. Como um Cliff Burton escandinavo, traz-nos das melhores composições do álbum como Forver is Today ou Falling Star, e a virtuosa Suite EmacipationPt.1 e 2.
Mas nem os veteranos se deixam levar ou ser ultrapassados tão facilmente. O mentor Johansson supreendido mas não vencido dá ainda um excelente contributo King of Nothing, Blind e a balada brutal Winter Skies. Um hino à Estrela Polar, vindo dos lobos da Lapónia, das terras gélidas.


quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

ÁLBUM DE RECORDAÇÕES#7: THE BEATLES - LET IT BE (1970, EMI/PARLOPHONE)


À semelhança de Abbey Road, Let It Be está carregado de ironia e ao mesmo tempo filosofia de vida. Pelo menos interpreto-o eu assim. Como quem diz, e depois do Adeus, aceitem a passagem das coisas com serenidade.
Numa famosa entrevista a John Lennon, o hippie que seria hoje sir, numa das milhentas perguntas que lhe fizeram aquando e depois da separação dos Beatles, dizendo que não é motivo para lamúrias, porque o material está lá, as músicas estão lá e as discográficas, em especial a Apple (editora fundada pelos próprios Beatles), estará a troco de mais uns soldos satisfazer as saudades de velhos e novos fãs dos Beatles.
Let It be nasceu de um projecto de Paul McCartney que frustrado pela falta de concertos, acabou por criar um marco na história entre outros tantos que os Beatles já tinham provocado. Inúmeras bandas desde então têm dado concertos em telhados, caso dos U2, ou em ruelas de Nova Iorque como os Rage Against The Machine, ou os Doors que deram um em pleno asfalto, ou até em cima de toldos de cinemas como os Audioslave.

Há quem considere Let It Be um fracasso. Eu penso que foi, sem dúvida, um sucesso, e foi dos primeiros álbuns ao vivo, a gerar um disco de estúdio. E tantas músicas que sairam deste LP e inspiraram artistas que lhes sucederam. Ainda no seu épico Relase the Stars, Rufus Wainwright pegava na etérea Across the Universe, os Pearl Jam, numa ediçãoe especial do Ten lançavam a movimentada pré-punk I've Got a Feeling.
George Harrison dá o seu hab itual contributo, aqui com uma violenta sátira ao individualismo exacerbado
A balada com orquestração clássica inesquecível de Paul McCartney, The Long and Winding Road, igual à elevação espiritual de Hey Jude mas com o dramatismo de She's Leaving Home ou Eleanor Rigby. Mas nota-se uma influência bem folk/country, influência bem conhecida dos Beatles que tinham uma forte afinidade com Bob Dylan (claro como água em Dig It em que fazem um reedição psicadélica do clássico Rolling Stone) e os novos percusores do folk rock, como Neil Young e os seus Buffallo Springfield. E que maneira melhor de terminar senão com o melhor rock n' roll dos Beatles, Get Back, uma das melhores malhas da História, com Paul McCartney a sacar da sua voz esganiçada, a voz que se tornaria baluarte do rock, e Lennon e Harrison a aproveitrem o melhor da cadência de blues das suas guitarras.
E no final «Speaking words of Wisdom, Let It Be», Os Beatles já há muito que faziam história.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

ÁLBUM DE RECORDAÇÕES#6: THE BEATLES - ABBEY ROAD (1969, EMI/PARLOPHONE)


Este, como vários grandes discos da história, tem uma história carregada de ironia, é o anúncio confirmado de um fim. Muito embora, Let It Be haveria de ser lançado posteriormente, este foi de facto o álbum de despedida dos Garotos de Liverpool.
Eles preconizaram o princípio de uma revolução e o seu auge, mas quando a geração hippie comelou a degenerar num futuro profético dee A Laranja Mecânica, a década de 70 já não haveria de lhes pertencer, mas a uma ficção científica fascinante de uma evolução do rock em várias subespécies de rock, tanto mais progressivo, agressivo ou de fusão. Géneros que directa ou inderectamente se reconduzem ao Quarteto Fantástico Britânico.
Não é por acaso que o nome do estúdio ficou para sempre gravado como uma fabulosa colectânea de músicas contemporâneas. As salas de gravação eram uma 2ª casa e o ambiente familiar dava-lhes um certo conforto para a composição. E talvez, ainda que subtilmente, todo espaço lhes dava tranquilidade ao ponto de se tornar um dos desenlaces mais pacíficos da História da Música. Apesar de internacionais, os Beatles não deixavam de ter aquela postura britânica, que acompanha um «beef» para qualquer lado.
Se calhar por úm fim estar próximo, parece que isso ainda elevou mais o nível de composição. «Come Together», é uma das músicas com mais groove que já se fizeram. Se Paul McCartney não for por isto considerado um dos melhores baixistas que já existiram, não sei o que será. Apesar de suave, a música tem um poder, e como sempre uma conotação subjacente que John Lennon imprimia nas letras. As habituais contribuições isoladas de George Harrison com a sua eterna companheira «guitarra-musa», dá um simbolismo e uma magia às músicas dos Beatles, no meio da coalboração hegemónica Lennon-McCartney. «Something» e «Here Comes The Sun» mostra-nos um Harrison, mais afastado do experimentalismo oriental, mas mesmo assim marcante, junta-se às grandes While My Guitar Gently Weeps ou a posterior I Me Mine.
Maxwell Silver Hammer é o prenúncio da revolução dos Hammond Organs que haveriam de vir, de uma maneira profética, e sobretudo alegre. Onde tal como os Lords Ingleses, os Fab Four mostram-se triunfantes mesmo na derrota, ou melhor no fim. E se anterior, o legado instrumental dos Beatles mostra as suas penas de pavão, Oh Darling! mostra o futuro dos coros. Se calhar poucos reconduzem aos Beatles, mas para mim o início dos arranjos vocais começa com a voz esganiçada de Paul McCartney que à Senhor mostra aqui o sentimentalismo do Cromossoma Y, de uma maneiras extraordinária.
E se as supresas acabavam por aqui somos surpreendidos pela «estado de graça» de Ringo Starr em Octopus's Garden. Que não só se safa na secção rítmica, como faz uns fabulosos arranjos de guitarra e voz.
Mas o tema seguramente mais amado dos Beatles, pelos fãs pelo menos, é dedicado à deusa oriental Yoko Ono. Segundo se diz por aí. Lennon estava tão enamorado, que com o seu velho companheiro de armas McCartney, que acabou por emprestar a densidade vocal de que a música precisava. Da primeira vez que ouvi a música, estranhava a similitude impressionante que Finally Free dos Dream Theater tinha com esta faixa. De facto, esta música está revestida de um mito pouco vulgar, que faz dela uma das canções «de todos os tempos».
Até aqui já estaríamos satisfeitos com um excelente lado A para ourvirmos durante muitas e várias horas sem cansar. Só que a tempestade mental do quarteto ainda estava por acabar. «You Never Give Me Your Money», será mais uma das músicas de sempre com a psicadélica She Came in Through The Bathroom Window, que demarcou, como tantas outras, o contributo das drogas para a história da música moderna, tal como o absinto e o ópio determinaram a música romântica e sucessivamente a música do início do Século XX.
Com um toque de sarcasmo os Fab Four, despedem-se com Carry That Weight, música que junta todo o esforço colectivo vocal, óptima para preencher estádios, coisa que poderiam ter feito, mas o grupo nunca quis; e The End que bem a um jeito hippie é uma faixa bem alegre com um forte cunho instrumental, sobretudo das percussões e da guitarra Harrisoniana. Her Majesty marca o paradoxo internacionalista dos Beatles, que nunca deixaram de ser orgulhosos ingleses.