quarta-feira, 16 de setembro de 2009

CASOS INSÓLITOS#1: LEI Nº 85/2009 DE 27 DE AGOSTO



Hoje aproveito para fundar uma nova rubrica de casos insólitos,neste caso jurídicos. Que ao menos o meu (dis)curso sirva para alguma coisa, nem que seja denunciar uns podres da da nossa actividade legisaltiva e também jurídica que vão ocorrendo aqui pela nossa bela pátria lusitana. É uma das vantagens de trabalhar num local onde se tem que consultar diáriamente o Diário da República.
Hoje trago-vos um mimo, quase imperdível. Todos os Partidos levam para as eleições como seu Bastião de Campanha a Educação. Curioso que tantos tenham feito pela Educação apenas em termos formais, que é alterar a lei. O Partido Socialista, em particular, o nosso amigo José Sócrates aprovou um mês antes de ir a votos a nova lei da Escolaridade Obrigatória. Entre muitas coisas alarga no seu art.º 2º a escolaridade obrigatória até ao 12º ano ou aos 18 anos de idade. Até aqui tudo bem.
O mais irónico vem a seguir no art 3º sob epígrafe Universalidade e Gratuitidade, onde diz que no âmbito da escolaridade obrigatória o ensino é Universal e gratuito, mas e há aqui um pequeno senão, a gratuitidade do número anterior compreende propinas, taxas e emolumentos relacionados com as matrículas. Para além do poder de fazer nomas vinculativas, o legislador assume aqui outro dos seus poderes, poder para o qual George Orwell nos alertou do seu devido perigo - o poder de definição de conceitos e do conteúdo das palavras.
Ao que parece, estamos todos a passar-nos por estúpidos, porque obviamente, a gratuitidade não se paga, mas se se paga e é gratuito então não é ensino. Nestas circunstâncias é sempre bom ter uma regra na Constituição que permita tanto redefinir o conceito de gratuitidade, ou poder no ínicio de cada legislatura eleger 10 juízes para o Tribunal Constitucional para que a seu devido tempo, quando o Presidente da Repúlbica, o Provedor de Justiça ou 1/5 dos Deputados da Assembleia se lembrem de suscitar a fiscalização da Constitucionalidade, a lei se faça passar com uma interpretação manhosa.
Tudo isto começou em 76 quando o socialismo andava aí em força, e a educação puramente gratuita era levada a sério. Hoje ficámos com um limite imanente da Constituição dificíl de alterar. Que fazer? Jogar com a lógica.

terça-feira, 15 de setembro de 2009

PORCUPINE TREE - THE INCIDENT (2009, ROADRUNNER RECORDS)

Em várias entrevistas, sucessivas por acaso, Steven Wilson eterno líder dos Porcupine Tree foi confrontado com a questão de estes serem os herdeiros dos Pink Floyd para o século XXI. As comparações são extremas e várias. Wilson respondeu que não gosta de ser comparado e afimrado no mundo da música como herdeiro de alguém ou estando na sombra de alguém. Apesar de ser um bom argumento para a afirmação de um artista, não podemos dizer que as comparações sejam descabidas. Mais até é uma comparação honrosa, tendo em conta que os Pink Floyd são consideradas entre uma das melhores bandas de todos-os-tempos. De certeza que Wilson levará isso em linha de conta.
A sua personalidade musical é tão forte que ele consegue ser um David Gilmour em voz e guitarras, um Roger Waters na composição (em especial a paixão por álbuns conceptuais), e ainda um Fernando Pessoa, com uma multiplicidade de facetas musicais extraordinária. Que eu saiba não é esquizofrénico, mas o seu poder criador não pode ser menosprezado.
Também não podemos ser redutores. Há mais pessoas que compôem os Porcupine Tree, tanto que Wilson fez questão de separar os seus projectos a solo da sua banda principal. Tanto que todos eles são marcas da corrente progressiva. Richard Barbieri foi teclista dos Japan ao lado de David Sylvian e Gavin Harrison integrou recentemente ao lado de Tony Levin e o mestre fundador Robert Fripp nos King Crimson.
As sessões de gravação começaram logo após a última digressão europeia que os trouxe cá em duas datas, nas quais Wilson desenvolveu o seu trbalho a solo e aproveitou para produzir mais alguns álbuns, inclusive Opeth. Barbieri produziu também o seu trbalho a solo, Harrison colaboru com os OSI e Colin Edwin foi pai. Foi logo em Fevereiro que a banda declarou que já estava a trabalhar no novo álbum. Como é natural nos Tree, todos os álbuns obedecem a um conceito base, a uma estrutura comum. Neste caso, Wilson continua a preferir abordar a vidfa humana através de uma lente crítica de uma psicologia comportamentalista (ou behaviorista). Com um começo um bocado caótico em Occam's Razor, não deixa de ser um bocado irónico que ao contrário do princípio da parcimónia (ou Navalha de Occam) a vida é sempre vista de uma prespectiva mais complexa ou complicada. O que se confirma em The Blind House «Free Love to all my sisters [....] You don't need to Know the secrets/Believe me».
Mais à frente Wilson assume uma postura bem mais introspectiva e reveladora do que seria de esperar noutros álbuns, por exemplo a solo. Normalmente Wilson tende a assumir a posição do hipnoterapeuta, mas em Time Flies fala-se da falta de tempo, da dele e de todos e da incapacidade de completar todos os nossos desejos, e das referências musicais. Não deixa de ser estranho como a referência a Sgt. Pepper dos Beatles pareça despropositada, apesar de ser uma referência fulcral a qualquer músico contemporâneo.
No épico, que não podia faltar, há espaço para a guitarra se soltar, como já acontecia em Anesthetize de Fear of a Blank Planet. As similitudes com a guitarra ecoante de Gilmour são nítidas, ou não se chamassem solos à Gilmour.
A falha parece ser a dificuldade de as melodias encarrilarem. A métrica parece estar desajustada, e por isso talvez possa demorar a encontrar a afinidade musical no meio do caos. Talvez essa seja mesma a impressão que queriam deixar ficar. Mas a faceta mais agressiva dos Tree não ficoud e fora, aliás remistura-se com as facetas mais calmas, num movimento contínuo. Octane Twisted é a oportunidade para rasgar e a distorção se soltar. Não deixa de ser curioso que Wilson faz questão que a sua voz seja melodiosa e contraste com o instrumental.
O disco parece um pouco disperso e coeso. Esperemos que seja daqueles que se vá entranhando com o tempo.
Ainda contém quatro músicas que foram escritas entre o período de digressão e gravação, Flicker, Black Dahlia, Bonnie The Cat e a excelente Remember me Lover.

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

MUSE - THE RESISTANCE (2009, WARNER BROS., HELIUM 3)

Se há alguma música, na carreira deste «trio poderoso» que os melhor pode descrever é Megalo-mania, do Origins of Symmetry. Naquela altura ainda estavam na rampa de lançamento, hoje andam em volta da esfera celeste com quasares cósmicos e cometas alucinantes. Os Muse querem estar um passo à frente na arrojidade do álbum seguinte, sempre tentando superar as melhores expectativas possíveis. Os dias da guitarra com riffs estrondosos e bem elaborados, o baixo com efeitos mas humilde, a bateria cheia de adrenalina e um estilo psicótico suburbano de Showbiz já passou. Mas por incrível que possa parecer, ainda se nota que é os Muse, muito embora a marca deles se tenha esbatido um pouco. Este vontade contínua de experimentalismo contínuo acabou por comprometer a própria criatividade dos mesmos. Hoje os Muse batem-se por estádios e salas espampanantes cheias de jovens prematuros, que se julgam maduros prontos para ouvir as teorias pro-conpiracionistas de Matthew Bellamy que se batem por substituir os Rage Against The Machine, mas com um estilo mais clássico.
Sempre que se falava do novo álbum Matthew Bellamy e o baterista Dominic Howard falavam de incorporar componentes de outros géneros como a música clássica ou estilos manhosos como o hip-hop que se disitinguem bem em Resistance e a comprometedora Undisclosed Desires.
E de repente, perguntamo-nos, já depois de ouvir Uprising, com a sua batida techno quase foleira, onde estão aqueles riffs manhosos, bem para esses posso dizer que ainda houve tábua de salvação em Mk Ultra e Unnatural Selection, mas preparem-se de seguida para regressarem ao Moulin Rouge da europa oitocentista com Bellamy a explorar os seus dotes no piano com I Belong To You / Mon coeur s'oeuvre à ta Voix, talvez como uma Ode ao país que sempre os acolheu bem nos primeiros anos de lançamento. Mas se as mudanças ficassem por aí estávamos todos bem, até porque é um reflexo de bons músicos um determinado ecletismo.
O que não se compreende é aquelas monumentalidades próprias para arautos magnânim os em United States of Eurasia que mais parecem os Queen renascidos como a Fénix. E o classicismo é mesmo a palavra de ordem quando chegamos aquela que seria a marca de algum progressivismo que os Muse vinham a desenvolver em Exogenesis. Pergunto-me como irão tocar tudo isto ao vivo.
Mas há pontos forte, e apesar de a guitarra ter isod negligenciada nalgumas partes, noutras supera-se. Exogenesis Pt. 1: Overuture é um desses bons exemplos, assim como Guiding Light. As capcidades técncicas de Bellamy não se ficam por ái, estendem-se até aos bons dotes no piano. Em Exogenesis Pt. 2 Cross-Pollination.
Um álbum que acba por não ser tão mau quanto isso, compensando alguns maus momentos.

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

EAGLES - LONG ROAD OUT OF EDEN ( 2007, LOST HIGHWAY RECORDS)


Os Eagles não foram, nem provavelmente serão uma banda do meu afecto. Mas temos que lhes reconhecer algum valor, sobretudo o seu profissiona-lismo. Obviamente o seu rock não pop, mas equiparável ao designado «soft rock» dos Chicago com aquelas baladas melosas, chegam quase a ser enfadonhas, fazem discos que parecem ser baladas mundanas de momentos quotidianos. O facto de Hotel California ser o seu único reflecte-se na incapacidade de produzirem algo mais do que aquilo. Long road Out of Eden, tem uma enorme panóplia de canções que nos consegue passar ao lado. Porquê? Porque não é nada que já não se tenha ouvido. Parece que os saloios californianos, andaram anos a compilar cançoes para depois nos encherem os ouvidos com um álbum duplo e 90 minutos de música. A música é agradável e tudo mais, mas é dos mais passageiro que existe. Não admira que sejam muitas vezes conotados como pirosos.
Depois são daquelas bandas que gostam de trocar as vozes como quem troca de camisas, o que nos leva a pensar onde está a voz de Hotal California e a trocar a autoria por uns Boston ou coisa que o valha. I don't want to hear any more então é ideal para clímax de novela, e Waiting in the Weeds idem, e What do why do with My Heart ou Do something, ibidem. Temas que fazem jus a boys bands, só que tocam bem os instrumentos. De certa maneira os Eagles são os quotas pirosos que criaram toda esta moda ranhosa e destrutiva. Talvez, esteja a exagerar na última para, mas a pecar po defeito na 1ª parte. Está bom que eles são músicos competentes, só que isso não justifica tudo.
Depois vem o fatalismo e a antecipação do futuro negro, juntamente com a tendência ambientalista. Isso sim é um ideal nobre, constatável logo na música de abertura com No More Walks in the Woods, e Waiting in The Weeds. A 1ª num aproximado dos Jethro Tull só que longe da potencialidade dos britânicos e o seu folk rock progressivo.
Apesar de algumas letras de assunto diferente, o quarteto falha por sempre se aproximar das paixonetas e dos corações partidos. Eu, pessoalmente prefiro Corações felpudos.
Alguma coisa muda, mas é mais para os lados de Prince, com Fast Company, com um funk sedutor e um falsete tudo menos original. Tudo música estereotipada. é incrível como alguns artistas conseguem fazer tanto daquilo que já se fez. Não admira que no Pavilhão Atlântico o pessoal começasse a adormecer ao fim de 10 minutos de concerto.
Tentam também criar o seu épico, résteas do experimentalismo dos anos 70 em que as músicas eram tanto melhores, quanto maior o seu comprimentos. Com este mote chega-nos Long Road Out Of Eden. Como não podia deixar de ser segue o compasso habitual. Não há um música que seja verdadeiramente rápida ou em ritmo acelarado tirnado a princeana.
Se quiserdes relaxar, este é o melhor, directamente para banda sonora de aula de yoga, tão relaxanta que até tira a moca a qualquer um.

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

FESTA DO AVANTE - DIAS 3, 4 E 5 DE SETEMBRO, QTA. DA ATALAIA, AMORA, SEIXAL

Festa do avante significa mais do que um evento social. Como alguém disse, ela não pode ser alguma vez encarada como um Festival. Se o fizermos, a sua essência perder-se-á. Não é por acaso que se chama Festa. Obviamente que tem um grande palco, com vários outros distribuídos pelo recinto, um grande cartaz com muitos artistas, mas a Festa é bem mais do que isso. Começa desde logo pela diversidade de gente que se cruza pelos caminhos e ruas da Festa, pelas organizações distritais do Partido que fazem questão de trazer à Festa a gastronomia e os costumes de cada recanto do nosso país. O facto de haver Feira do Livro e do Disco, Partidos Comunistas estrangeiros convidados, artesanato, Teatro, Debates e muitas outras coisas. A Festa do Avante é um dos maiores eventos culturais do nosso país, senão mesmo o maior ao ar livre.
Desde há uns anos para cá, que em termos de cartaz, a Organização da Festa tem insistido na num cartaz acessível, mas mais abrangente. Este foi ano foi diferente.
Aproveitando sempre para potenciar artistas nacionais, assistimos a um afastamento dos gajos hip hop (Ufa que alívio!!!) e o Xutos, que não vieram com a cenas dos 30 anos para o Encerramento da Festa. Por outro lado, também temos sempre grandes surpresas com o cartaz. Nomes que nem sequer constam do nosso conhecimento vêm para dar grandes espectáculos. A começar logo pela Gala de Ópera, que este ano foi abençoada por São Pedro. Verdi, Mozart e outros grandes compositores foram homenageados por peças suas célebres numa Gala de Ópera soberba.
Mas a Música clássica foi um acto pouco usual, pelo menos, para o Palco Principal. Já em anos anteriores Tchaikovsky, Rakmaninov foram revisitados em Galas de Tributo.
A música que move multidões, em particular as mais jovens é, sem dúvida, o rock e todas as suas ramificações. Willie Nile foi uma das grandes supresas com o seu Blues Rock americano. Mas mais Blues provaram ser o remédio da melancolia com o sol de sábado a bater forte nos nossos rostos. Guy Davis deu o mote. Hazmat Modine também deram um excelente concerto no Auditório 1º de Maio com o seu Blues erudito, e com a especialidade de ter uma enorme tuba a fazer o som da viola baixo que ainda deixaram uma cover dos Rollign Stones.
Voltando ao palco principal, quem enchia os corações de alegria cada vez mais pop era «a banda do homem que vaia a todas» - os Blind Zero, com a sua anglofonia irritante e das suas aspirações a banda de covers originais dos Pearl Jam. Ainda ontem falava de futebol como ninguém na RTPN.

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

ALMAS LUSITANAS #3 - MÃO MORTA, CLUBE DOS POETAS MORTOS BRACARENSES - Pt.1



É tão difícil escrever sobre os Mão Morta, quanto mais tentar dissertar sobre eles. De facto, poucas bandas nacionais conseguiram elevar tanto as letras, misturadas com um som eclético, urbano e industrial, num contexto romântico oitocentista, transposto para o fim de século XX e para lá dele.
Muito do culto que existe em volta dos Mão Morta deve-se ao estrondoso poder de Adolfo Luxúria Canibal transmitir os pensamentos. Para podermos ter uma ideia, ele junta a transmissão de pensamentos filosóficos de Maynard James Keenan, com o negrume de Nick Cave e ainda um poder de dramatização como Peter Gabriel.
Mas não é só nas palavras que reside a força dos Mão Morta, é na música. Um sexteto composto por três guitarras e uma baixista bem conceituada, e um baterista dotado.
As raízes dos Mão Morta estendem-se até ao fim do Estado Novo e da Guerra Colonial, com o regresso dos retornados do Ultramar. A família de Adolfo era uma delas, de facto, ele nasceu em Angola. cedo veio para Portugal, onde se sediou em Braga, que eram as origens da sua família. Em 79 veio estudar para Lisboa, cidade onde se formou em Direito pela Universidade do Descontentamento, altura Faculdade de Direito de Lisboa. Cidade esta que demarcaria e bem a personalidade de Adolfo, como um cenário sujo, com o casal ventoso ou lado. Cernários urbanos que Adolfo nas suas viagens haveria de narrar tão bem no brilhante álbum dos Mutantes S. 21.
Reza a lenda que foi no baixo que já nem faz parte da banda que tudo começou. Joaquim Pinto surgiu com Harry Crosby juntamente com o baixista dos Swans, durante um concerto da banda em Berlim, que se virou para ele e disse-lhe «Tens cara de baixista». Esta motivação inseperada levou-o, juntamente com Mugel Pedro e o nosso amigo Adolfo a fundar os Mão Morta.
Adolfo recrutou ainda o seu amigo Zé dos Eclipses, colega dos Bang-Bang e AuAuFeioMau. foi em 12 de Janeiro de 1985 que os Mão morta se estrearam a tocar no Porto. Na altura Miguel Pedro passou para a bateria com a entrada de Zé dos Eclipses. Desde logo se notava a diferença dos Mão Morta. Não pela força vocal de Adolfo, mas pelo poder da sua narrativa, e da maneira como os sons levavam e criavam o ambiente sonoro das história.
Já por altura do concerto no Rock rendez-Vous se dera a entrada de Carlos fortes, 2º guitarrista e recebiam prémio de originalidade da extinta casa de espectáculos. O culto crescia já nesta altura, até porque nunca foram banda para grandes projecções.
O primeiro álbum só sairia em 1987 pela editora de João Peste dos Pop dell'Arte, Ama Romanta. Nesse mesmo ano actuariam com Nick Cave & the Bad Seeds, que os deixaria aos últimos bastante impressionados com o potencial do rock romântico negro dos bracarenses. O primeiro álbum verdeiramente emblemático seria, contudo, Corações Felpudos. Dava logo para ver a miscelânea que eram os Mão Morta. Tanto um hard rock agressivo, como Fado emborrachado de caixão à Cova, tão combalido quanto hilariante. Mas os Mão Morta eram malta para criatividade virtualmente sem limites. O.D. Rainha do Rock & Crawl (OD de overdose) foi álbum que pelas circusntâncias em que nasceu deixar-se-ia esbater na discograifa da banda, até à vinda do emblemático Mutantes S.21. Este disco é um dos mais apreciados pela audiência. Mostrou também a tendência dos bracarenses por álbuns conceptuais. em cada música, o narrador visitava uma cidade, e Adolfo conseguia, quase que como um Eça de Queiroz contemporâneo descrever espaços e pessoas com detalhe e vividez. Lisboa era o tema de abertura. E a decandência de um império era visível, as falhas de uma cidade corrompida, até à vida boémia (se bem que todo o álbum é vida boémia e auto-destrutiva) em Amsterdão (Have Big fun) e nas famosas noites de Budapeste, até Paris e Berlim. Esta é sem dúvida um álbum incontornável na carreira dos Mão Morta.

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

ARTIC MONKEYS - HUMBUG (2009, WARNER RECORDS)



Que raio é humbug. No dicionário aparece como palavra calão para alguém que entretém, que apresenta, que dá espectáculo. Ao que parece, os Artic Monekys assumem-se como um banda pronta para esse tipo de devaneios. Uns rapazes que andam no negócio pelo interesse disso mesmo.
Pensávamos que o rapaz-maravilha Alex turner que gosta de caricaturar de tudo um pouco poderia deixar os seus velhos companheiros de Sheffield para trás. Mas não. Os Last Shadow Puppets foram apenas mais uma das suas vertentes criativas. E não são raras. Tanto talento se espera dele, e tantas promessas estão para cumprir que o guru do rock alternativo pesado, Sr. Josh Homme recusou-se determinantemente da produzir álbuns até a proposta dos macaquinhos surgir em cima da mesa. Foi aí que ele viu uma proposta a sério, bom para jogar uma cartada.
Homme chamou-os a todos para o seu retiro em pelno deserto californiano, onde sediou o seu Rancho de la Luna. Mas não foi apenas isolados que Turner e comapnheiros compuseram a sua música. A música foi fragmentada e produzida em entre Califórnia e Inglaterra, passando por Nova Iorque. Apesar de tudo, o som é estranhamente britânico, tanto quanto os the Who. E a maior mudança passa pelas vozes, e alguma elboração e detalhe na composição. O novo rock cru deixou, e vestiu carapaças, revestimentos. Mas a concisão, sem grandes espaços continua a ser a palavra de ordem. Tanto que é tudo rápido, tão rápido que o álbum se some em 39 minutos. Também não podemos dizer que muita coisa fique por dizer. Os temas e os assuntos profundos também não são da natureza dos símios (não quero usar isto como elemento de troça). O disco até supera pela positiva. Os coros vocais, e alguns riffs bem à natureza dos QOTSA estão bem presentes, não fizesse Homme parte da composição. E não é só isso, os elementos estranhos e sinistro de um esapaço pós-urbano aparece tão claro em Fire and The Tud ou Secret Door, como um filme de David Lynch num bar na Route 66 fora-de-horas. aquela guitarra, distorcida e característica é tudo menos casual.
Um bom álbum, mas passageiro.