
1992 é provavelmente o ano mais emblemático a nível do rock na década de 90, para mim pelo menos, e com certeza para a carreira de Joe Satriani, descontando 1970, especificamente 18 de Setembro, ano em que Jimi Hendrix deixou o mundo dos mortais.
Poucos anos mais tarde Satriani, ainda antes de se tornar um mórmon do rock lançaria aquele que seria o álbum instrumental, e com maior contributo para a guitarra desde os anos dourados da guitarra na década de 70. Satriani já tinha dado passos importantes até aqui. ~Parte dos seus maiores temas, e um dos seus álbuns mais carinhados tinham sido lançados durante a época de 80. Satch Boogie foi um êxito de rock instrumental focado na guitarra eléctrica como não havia há muito tempo, carregado com um blues quase esquizofrénico. Surfing with Alien ainda lançaria o título hmónimo e uma estranha Not of This Earth. Passados uns anos seria Flying in a Blue Dream com Flying in a Blue Dream, Big Bad Moon ou Mystical Potatoe Head Thing a demonstarem a genialidade do mestre.
Mas nenhum álbum de guitarra é comparável a The Extremist, ele é o derradeiro dedicado à guitarra eléctrica, nem mesmo Jimi Hendrix produziu um álbum assim, muito embora ele seja comume consensualmente considerado o maior guitarrista de todos os tempos. Mas nem ele produziu um álbum inteiramente instrumental com uma guitarra cantante, e que faz literalmente a audiência cantar atrás da guitarra, que encosta os melhores vocalistas, literalmente, a um canto. Por esta altura Satriani percebeu finalmente que o seu potencial vocal não era muito bom, e é sobretudo visível em canções como I Believe. Decidiu assim pegar no que tinha de melhor o seu virtuosismo auto-didáctico e quebrar as barreiras e fazer um ´labum totalmente instrumental e particularmente cativante. Foi brilhante a actuação no SBSR 2007 quando Satriani nos visitou pela primeira vez em muitos anos e ao tocar várias músicas deste álbum conseguiu muita gene fazê-lo perseguir na sua guitarra.
Talvez por ser um auto-didacta Satriani não se deixe ficar enredado por esquemas clássicos e pouco inovadores, o maio exemplo é talvez o virutoso Yngwie Malmsteen, muito bom técnicamente, mas muito fraco na criatividade. A capacidade de criar um ambiente, e transmitir uma dada sensação através de um instrumento é de facto uma virtude de que poucos possuem. Logo em Friends vemos um guitarra que produz empatia e proximidade, e ao mesmo tempo em Cryin' nos envolve numa atmosfera de tristeza. A guitarra de Satriani reporduz tudo isso com intensidade. Não surpeende que em todos os G3 toque sempre mais que uma música do seu famoso álbum, porque o público adere a elas como se tivessem, mesmo, letras.
Mas não é apenas na sua grande habilidade como solista que se fica Satriani, ele produz riffs não muito conhecidos, mas dos melhores que sairam de uma 6 cordas, caso de War ou Extremist, em que Satriani puxa uma vez mais da sua velha harmonica e cria uma dualidade de solos entre os dois tão próxima e natural as suas raízes blues. O álbum é todo ele merecedor de atenção, mas ainda melhor é com certeza Rubina's Blu Sky Happiness, uma das malhas melo-dramáticas mais bonitas de sempre, com um riff sacado quase de um bandolim, ou um banjo com uma tonalidade muito country, a lembrar um ambiente bucólico e mais uma vez a demonstrar Satriani como um solista natural. Mas a maioria das pessoas reconhecerá este álbum pela Summer Song, uma das suas músicas intrumentais mais reconhecidas, onde Satriani saca o seu taping/fretting de mão esquerda no braço e recria assim um movimento inédito.
Eu diria que para além de Jimi Hendrix, o estilo de Satriani receb claramente influências de David Gilmour, seja nos Floyd ou a solo, mas principlamente a solo. Satriani localiza-se a par de Gilmour nos blues num contexto progressivo. Quem ouvir o primeiro álbum de David Gilmour a solo, penso que fará elucidado. Bastará ouvir Mihalis.A partir deste álbum a guitarra eléctrica volteou do torpor que atravessou nos anos 80 e levou de batida os sintetizadores, e recuperou peremptóriamente o seu posto na história do rock. Oiçam e não hesitaram em acompanhar a guitarra.....




Geddy Lee demonstra tão somente a importância de um baixo numa banda, ainda mais num trio guitarra-baixo-bateria. Pois para além de demarcar o ritmo e o compasso da banda, este situa-se entreo ritmo e a melodia, e magia de Geddy Lee como baixista vê-se bem em What You're Doing, com uma extensa secção instrumental, para além de ter uma boa posição vocal, consegue criar o solo para Alex Lifeson desenvolver a sua virtuosidade. John Rutsey também demonstra algum acompanhamento dos mestres, só que em nada se compara ao que viria enriquecer a banda. Neil Peart, para além de um mestre na bateria foi inovador, e a sua influência é vísivel para bateristas como Mike Portnoy, que aproveitaram uma bateria extensa em recusros técnicos, como em instrumentos, com cimbalinos, bongos e outros instrumentos de ritmo, aliás usual numa banda de rock progressivo. In the mood e Working Man é o melhor exemplo de músicas que adviriam com extensas secções instrumentais, e mudanças de tonalidade, e arranjos complexos. E o nome é tudo menos casual pois a música muda de tom como se de mudança de disposição se tratasse, e imperceptívelmente julgamos que se trata de uma nova música, quando na verdade, é a mesma música, com um grande introdução instrumental. Working Man é, com certeza, a maior lição a retirar deste álbum. Instrumentalmente é evolutiva, com uma guitarra pesada e soberba, e uma jam instrumental pelo meio uqe é tudo menos casual. Working Man é um dos maiores êxitos dos Rush e a única que eles retiraram para o seu álbum de êxitos Spirit of The Radio, quando todo o álbum é fenomenal. Só que nenhuma música nos traz tanto espírito como Working Man. Um álbum não poderia culminar da melhor maneira. A demonstrar um excelnte grupo e os géniso de Lifeson e Lee que mais tarde trariam outro mago para o seu conjunto, o já referido Neil Peart. A grande diferença deste álbum é que não contém nenhuma contribuição de Peart para banda a nível de letras, algo que seria mais tarde uma marca dos Rush, a par de Robert Plant dos Zeppelin , conhecido por introduzir elementos fantásticos na sua música. Tirando Working Man, as letras de Geddy lee, não sendo más, são bastante usuais, muito iguais ao que se assistia na época em outras bandas......